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	<title>Entropia ! &#187; reflexoes</title>
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	<description>Porque o estado natural de tudo é o caos</description>
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		<title>Saudades da gaiola dourada</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 05:18:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p><a title="Foto: Katie Tardiff" href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/453239_30781154.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-804" style="margin: 5px;" title="453239_30781154" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/453239_30781154-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Hoje vejo a velha roda do lado de fora da gaiola e fico pensando, para que fui fugir da gaiola?&#8230;</p>
<p>Olho para o lado vejo hamsters felizes girando a roda como se não houvesse amanhã, suas gaiolas, muitas douradas são equipadas com um monte de tralha, quanto mais bonita e vistosa a gaiola, mais rápido gira a roda. Impressiona ver o hamster cansado se jogar da roda no sofá e ligar  o Imbecilizador, onde uma programação audiovisual o leva para um mundo de sonhos e consumo, que mostra o quanto é bom consumir, consumir, consumir&#8230; Veja como são belos e felizes os hamster consumistas, veja só aquele hamster do lado, diz a esposa, eles tem um cagador turbo, grande e confortável, e nos aqui neste cagador pequeno, você não tem vergonha não?!</p>
<p>Vendo isto o hamster olha para o relógio e pula na roda de volta e corre como se fosse alcançar o próprio rabo, um desespero por um cagador&#8230; Chega finalmente o cagador novo na gaiola de nosso amigo hamster, um hamster sério e trabalhador que não tem tempo para muita prosa. Hoje é domingo, e o hamster vai tomar uma cervejinha e ver um futebol, afinal ele merece. Chega em casa bêbado e acorda de ressaca com a cabeça latejando toma um &#8220;estupidex&#8221; e vai para a roda, gira como ninguém, mas dai começa a pensar, para que pensar??? O hamster para, toma uma birita a volta para a roda, acha o maior barato girar junto com ela, toma outra e decide girar a roda ao contrario e logo toma um esporro do Bank hamster. Como assim, girar ao contrário, você tem noção do perigo que é ser diferente? Consuma, consuma! O bom e nobre hamster volta a girar a roda novamente, a esposa hamster respira aliviada, pois já esta pensando em pintar a gaiola de ouro.  O cagador turbo já &#8220;orkutizou&#8221;, chique agora é ter a gaiola dourada, é o novo conceito em moradia diz a esposa hamster. Conceito do caralho! Resmunga o marido hamster pensando em como foi divertido girar a roda ao contrário, ria da cara do Bank hamster.</p>
<p><a title="Foto: Sarah Dawn Nichols" href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/65882_8045.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-803" style="margin: 5px;" title="65882_8045" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/65882_8045-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a>Neste domingo foi diferente, o hamster não foi tomar cerveja e nem assistir futebol, ficou apenas contemplando a roda pensativo&#8230;  Preocupada a esposa hamster o reprimiu: Você não sabe que pensar é perigoso?!  Em seguida ligou o Imbecilizador para tentar distrair o marido hamster,  este bateu a porta e saiu sem dizer para onde ia. Mais tarde ele voltou com um livro debaixo do braço: &#8220;A roda&#8221; de Hamster Max.  A esposa hamster aos prantos ajoelhou na frente do marido e implorou para que ele devolvesse aquele livro, ela lembrou o fim trágico  de todos que provaram daquela droga. Olha a miséria meu amor, eles abandonaram a roda e ficam debatendo e estudando o tempo todo, nem mesmo  possuem uma roda na gaiola, quando muito uma gaiola, são uns verdadeiros perdedores! A esposa implorou e o marido fingiu aceitar.  Mais tarde ele pegou as ferramentas e montou um dispositivo na roda, agora ele pode pedalar e ler enquanto faz a roda girar, a esposa morria de vergonha  afinal os maridos das amigas dela corriam elegantemente dentro da roda, já o nosso hamster parecia um pensador pedalando e debochando&#8230;</p>
<p>Nosso hamster saiu novamente e comprou livros e mais livros, lia e pedalava sem parar, a pobre esposa não sabia mais onde enfiar a cara.  O hamster comecou a pensar novamente, a esposa coitada, não podia comprar aquela ração &#8220;premium plus ultra du kacete&#8221;, teve de comer milho. O nosso hamster, resolveu sair e bateu de gaiola em gaiola convocando os vizinhos para conversar sobre uma idéia que ele teve.</p>
<p>No dia seguinte a esposa hamster acordou assustada pois tinham um monte de hamster na frente da gaiola, e o marido falou, fica calma vamos nos mudar, e começaram a alinhas as gaiolas, colocando uma ao lado da outra, mas o pesadelo estava por vir&#8230;. bom pelo menos para a visão consumista da esposa hamster, para o nosso heroi um sonho sendo posto em prática&#8230; Ela comeca a ver que os outros hamsters estavam retirando a roda de suas gaiolas e colocando na frente e enchendo de terra&#8230;.  chegam na gaiola de nosso hamster e ele encontra a esposa de malas prontas, dizendo você decide: ou a roda ou eu! Não preciso dizer que a Sra Hamster teve de ir para a casa da mãe dela. Enquanto isto os hamsters plantavam nas velhas rodas nosso heroi havia criado uma comunidade capaz de suprir-se sem a necessidade de girar a roda indefinidamente, ele percebeu que consumia um monte de bobagem inúteis, que na pratica ele não necessitava. O Imbecilizador foi trocado por um Inteligentador conectado na Internet. Pouco a pouco a idéia maluca de nosso heroi peludo foi sendo disseminada, o tempo vago agora era preenchido com leituras, debates e a produção de conteúdo para seus blogs, sem contar que tinham tempo de fazer o mais importante, de compartilhar amor e afeto e ver os filhotes crescerem e participar disto, sem ter de terceirizar com babas e escola como no passado.</p>
<p>Mas o Bank hamster não estava gostando nada disto, as redes de imbecilização falavam diariamente dos perigos da Internet e do compartilhamento. Precisavam calar os hamsters revolucionários! Os Bank hamsters discutiram várias estratégias e começaram a coloca-las em prática, primeiro junto com a rede de imbecilização tentaram confundir as pessoas.  Diziam que os hamsters revolucionários eram produtores de &#8220;ratotóxicos&#8221;, e em nome da segurança trabalharam o mito de que as sementes plantadas em casa eram perigosas e poderiam ate mesmo produzir alucinações, por isto quem as consumia eram diferentes, agiam diferente, pensavam! Não colou! Muita gente estava trocando o Imbecilizador pelo Inteligentador e viram que a rede de imbecilizacao estava mentindo. Maldita Internet pensavam os Bank Hamsters, temos de eliminar a concorrência!</p>
<p>Os velhos e gordos Bank hamsters reuniram se em seu covil para discutir formas de  parar estes hamsters revolucionarios. Chegaram a conclusão de que o maior perigo não eram aquelas tribos de hamsters &#8220;sem rodas&#8221;,  poder estava mesmo é na Internet. Descobriram que os hamsters comuns usavam seus inteligentadores conectados à interner com a mesma eficiência dos imbecilizadores e sua rede decadente.</p>
<p><a title="Foto: Tatiana Maksimova" href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/947881_86417171.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-805" style="margin: 5px;" title="947881_86417171" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/04/947881_86417171-262x300.jpg" alt="" width="262" height="300" /></a>Perceberam que apenas os velhos hamsters, eram os poucos ainda controlados pelo sistema de imbecilização. Iniciaram a mais implacável campanha contra os Inteligentadores e a Internet, inventaram o &#8220;vicio em internet&#8221;, e para dar consistência ao factóide mostravam hamsters que haviam abandonado a roda por causa da Internet. Mostravam hamsters esclarecidos como sendo uma terrível consequência do excesso de informação, teve ate mesmo o Hamster Keen que escreveu um livro criticando os &#8220;sem roda&#8221; conectados, tentando provar que o modelo imbecilizante era melhor.</p>
<p>Vendo que não estavam surtindo efeito, os Bank hamsters se reuniram novamente, desta vez teremos de ser mais efetivos, temos de pensar numa forma de usar dogmas inquestionáveis para ter motivos para controlar a Internet, e dai surgiram os &#8220;maleficios&#8221; da rede foi um tal de falar em pedofilia e que hamsters velhinhos perdiam suas economias por causa de golpes virtuais.  Isto parece ter colado, mas será o benedito que ninguém parou para pensar que não existe pedofilia na Internet, e que os velhinhos são vitimas do desconhecimento e não da Internet. O que tem na Internet é pornografia infantil, resultado de um crime de pedofillia cometido em algum lugar, combater a pornografia infantil somente não vai resolver o problema. A Universidade de Hamstarvard fez um estudo mostrando que o aliciamento de menores pela Internet era insignificante, e mesmo assim as vitimas em geral já foram vitimas de aliciamento presencial. A culpa não era da Internet e sim dos pais hamsters, que so se preocupavam em rodar a roda, e terceirizavam a criação dos filhotes! Se não fosse isto teriam tempo de conversar com seus filhotes para orienta-los na Internet, mas como se eles mesmo não sabem usa-la?</p>
<p>Os Bank hasmters estavam conseguindo avançar, disseminaram medo, incertezas e dúvidas. Novas leia para &#8220;proteger&#8221; os filhotes e o hamsters velhos surgiam, e eram combatidas pelos &#8220;sem rodas&#8221;, que passaram a usar a rede como um canal de contra-informação.</p>
<p>Mais uma vez os Bank hamsters se reuniram no covil, desta vez  decidiram montar um verdadeiro plano de guerra, contrataram os melhores especialistas em Internet para desenvolver suas estratégias, perceberam que tinham de atuar em novas arenas, pois na legislativa era complicado, pois os &#8220;sem roda&#8221; sempre conseguiam ser ouvidos. Descobriram que regulamentar era mais fácil do que legislar, pois regulamento não precisa ser debatido. Mudaram de foco, na verdade abriram outras frentes, descobriram a governança da Internet, agora precisavam de uma forma de centraliza-la, assim tomariam o controle da Internet antes mesmo que os &#8220;Sem roda&#8221; pudessem fazer alguma coisa.  E assim decidiram juntar esforços com as empresas de telecomunicações, dando a elas mais lucro em troca de mais controle da rede. Só bastava agora colocar o plano em prática.</p>
<p>Bank hamsters do mundo todo decidiram formar acordos internacionais para controlar a Internet, o controle é importante contra os &#8220;sem roda&#8221;.  Redes sociais encantadoras foram cooptadas por reunir milhares ou até milhões de hamsters, formando verdadeiros jardins murados&#8230;.  uma vez posicionados, em todas as arenas, os planos foram postos em pratica de forma simultânea, como se fosse uma verdadeira guerra, uma guerra desproporcional e com o objetivo de controlar o que antes era livre, uma guerra que tem por objetivo perpetuar o modelo da roda, o modelo que já não faz mais sentido. Não tem logica girar a roda continuamente, não queremos mais isto, fala o hamster revolucionario. Os ataques dos Bank hamsters são implacáveis, ao ponto do nosso revolucionário olhar para o lado e pensar: Quero voltar a ser um hamster burro, lobotomizado, não porque eu concorde com isto, mas porque já estou cansado desta guerra insana. Ao mesmo tempo percebe que sua mente não é mais a mesma, que agora ele é dono da própria subjetividade, e uma verdadeira dissonância cognitiva toma conta de seu corpo e sua alma, que o captura de seu momento de vacilo, para retornar a luta, a construção de um ideal, de um novo mundo do mundo dos hamsters sem roda&#8230;.</p>
<p>Nota: Este texto foi criado num momento em que eu estava com um bloqueio de escrita, e brincando no Twitter produzi este texto, em pequenas pilulas de 140 caracteres em poucas horas.</p>

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		<title>2012 tempo de transição</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 21:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Expectativas alarmistas sempre são um bom negócio, tem gente por ai fazendo bunkers e arcas para sobreviver ao fim do mundo, quantos não estão faturando muito com este novo fim do mundo? Lembra do bug do milênio e quanto a industria de TI faturou com o mito no final dos anos 90?</p>
<p>Previsões furadas a parte, o ano de 2012 carrega em torno de si uma aura de mudança, um importante conjunto de fatos e eventos que de uma forma ou de outra fará dele um ano marcante, um ano de transição, ou como diz a sabedoria Chinesa um ponto de mutação.</p>
<blockquote><p>“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força&#8230; O movimento é natural, surge espontaneamente. Por esta razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando dai, portanto, nenhum dano”</p>
<p>I Ching.</p></blockquote>
<p>O ano de 2012 é realmente o ponto de transição, não a transição completa, mas o início irreversível dela, são a conjunção de vários fatores e eventos que juntos estão configurando esta mudança, a briga entre o novo e o velho existe há anos, e os mundos já estão em colisão desde o início do século como bem descreveu Nemo Nox em seu clássico <a href="http://www.burburinho.com/20060422.html">Mundos em Colisão</a>. No texto Nemo apresenta dois mundos: Planeta Alpha, onde a população desfruta de um ambiente de comunicação aberta e colaborativa; e o Planeta Ômega, onde as corporações têm controle quase absoluto sobre a informação que circula entre os habitantes, toda ela levando uma etiqueta com o preço de compra e as rígidas instruções de uso. O interessante de toda esta metáfora do “Mundos em Colisão” é que na verdade os dois mundos são um só.</p>
<p>O advento da Internet foi tão rápido e intenso que nós, os imigrantes digitais, fomos obrigados à adotar metáforas para entender e explica-lo: mundo real x mundo virtual. Uma dicotomia que fundamentou todo o debate desde 1994. Esta dicotomia sustentou leviandades, sustentou imbecilidades e pavimentou uma enorme gama de abobrinhas propaladas pelos neoludistas. O problema maior é quando estes neoludistas são políticos ou juristas, o preconceito pode causar desastres enormes como o famoso embate “Cicarelli x Youtube”, ou projetos de lei estúpidos como o AI5digital, SOPA, Hadopi e Sinde, só para citar alguns.</p>
<p>Medo e o preconceito são ingrediente de qualquer mudança, assim como a esperança e indignação, temos de admitir que a Internet teve um catalizador poderoso, pois as mudanças vistas nos últimos anos foram profundas e intensas. Este catalizador foi a comunicação, quem detê a comunicação, detém o poder, e a comunicação em rede além de poderosa é extremamente democrática, permitindo a todos fazerem parte de uma extensa rede não só de comunicação, mas também de construção cognitiva de conhecimento, uma vez que a Internet não é volátil.</p>
<p>Na edição 26 da Espírito Livre escrevi um artigo intitulado “<a title="A singularidade das multidões" href="http://entropia.blog.br/2011/08/31/a-singularidade-das-multidoes/">A singularidade das multidões</a>” onde desenvolvo a tese de que a tão falada singularidade tecnológica não se dará através do avanço da inteligência artificial, e sim da inteligência coletiva; e não serão as máquinas que dominarão o mundo e sim os nativos digitais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/03/1186822_92570711.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-785" title="1186822_92570711" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2012/03/1186822_92570711.jpg" alt="" width="640" height="459" /></a></p>
<p>Mas o que esta em jogo em 2012? Desde 2008 o mundo vem assistindo à uma crise de dimensões apocalípticas, diversos países do hemisfério norte estão com altas taxas de desemprego, e com grave recessão. O Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair, mas os países afetados pela crise estão caminhando de forma assustadora para uma espécie de neocolonialismo baseado em copyright, ou seja, estão super valorizando a questão do combate à pirataria e proteção da propriedade intelectual e direito autoral. SOPA, ACTA, HADOPI, Sinde e o famigerado AI5digital são exemplos claros de tentativas de controle da rede em nome deste movimento neocolonial. Os argumentos anteriores: combate ao ciberterrorismo, cibercrime e pedofilia estão perdendo força, mas no final das contas, o objetivo principal é controlar a Internet. Mas porque?</p>
<p>Em 2012 a Internet comercial completará 18 anos e junto com ela milhares de nativos digitais irão atingir a maioridade, mas quem são eles? Esta imprevisibilidade pode ser um dos motivos, quem lembra dos<a href="http://blogs.estadao.com.br/link/etnografo-esta-a-caca-de-quem-ja-nasceu/"> etnógrafos enviados à Campus Party pela Intel em 2009</a>, estavam lá para pesquisar o comportamento dos nativos digitais, dos conectados. Creio que ainda não chegaram a uma conclusão de fato, pois a metodologia da etnografia em tempos digitais ainda esta em discussão. Sem dúvida alguma eles são diferente de nós os imigrantes digitais, sem a necessidade de transitar na dicotomia real x virtual, eles conseguem vivenciar a questão de que a Internet naturalizou e é tudo uma coisa só, a Internet faz parte do seu ecossistema. Certamente eles lidam melhor com as interações e construções em rede, eles pensam em rede, é como se nos fôssemos um programa rodando em linguagem interpretada e eles em linguagem compilada, estão revolucionando tudo, um perigo para o establishment!</p>
<p>É preciso adicionar um elemento a esta discussão, nem todo jovem de até 18 anos é um nativo digital, o letramento digital faz parte da sua construção, e este gap esta sendo reduzido em países que já perceberam que o seu maior ativo futuro esta justamente nos nativos digitais. Enquanto o Brasil esta ampliando este gap com seu PNBL neoliberal a R$ 35, com uma franquia de 300 MB por mês, e a sua pálida e inócua Secretaria Interministerial de Inclusão Digital; A India por exemplo esta ofertando à sua população banda larga à R$ 9,00 e Tablets a R$ 90,00!</p>
<p>A pesquisa “<a href="http://www.hivos.net/Hivos-Knowledge-Programme/Themes/Digital-Natives-with-a-Cause">Digital Alternatives</a>”, do Instituto Hivos, quebra alguns dogmas criados em torno do nativo digital, mostrando que existe uma grande pluralidade nesta parcela da sociedade, enterrando de vez as possíveis conclusões dos etnógrafos ai de cima. Todos os sinais apontam para um cenário muito bom, a pesquisa “<a href="http://osonhobrasileiro.com.br/">O Sonho Brasileiro</a>”, realizada com jovens de 18 a 24 anos, mostra alguns detalhes interessantes: 89% sentem orgulho em ser Brasileiro, 71% usam a Internet para fazer política e 75% pensam em fazer algo para o coletivo.</p>
<p>O debate amplia quando olhado por outros ângulos, entre 5 a 10% da população mundial será composta por este novo adulto já neste ano, e a maior concentração se dará nos países de terceiro mundo, quase a metade da população destes países esta abaixo de 18 anos. Enquanto nos países do primeiro mundo, a população esta envelhecendo e tende a ser mais conservadora, nos países do terceiro mundo, elas estão mais jovens e tendem a ser mais progressistas. Isto costura um cenário curioso, pois se de fato a “singularidade das multidões” ocorrer, ela será mais intensa justamente nos países de terceiro mundo.</p>
<p>As mudanças provocadas pela Internet estão sendo tão intensas e profundas que o próprio <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1028692-nao-ha-nada-que-nao-seja-afetado-pela-internet-diz-media-lab.shtml">MidiaLab ressalta</a> que não há nada que não seja afetado por ela, os intermediários entraram em crise, todos eles desde os partidos, sindicatos e até as grandes corporações. Crises precedem grandes mudanças, este ano veremos uma luta declarada, diferente da luta velada de outrora, contra a liberdade na rede, e uma outra ainda mais intensa no sentido contrário contando cada vez com a Inteligência das multidões, que vença o melhor!</p>
<p>Texto publicado originalmente para a revista <a href="http://www.revista.espiritolivre.org/lancada-edicao-n-33-da-revista-espirito-livre">Espirito Livre edição 33</a> de dezembro de 2011</p>
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		<title>A singularidade das multidões</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 03:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<blockquote><p><span style="font-size: small;"><em><strong>multidão</strong></em></span><span style="font-size: x-small;"><em> (latim multitudo, -inis) s. f.</em></span></p>
<ol>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Grande número de pessoas (ou de coisas).</em></span></li>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Aglomeração; montão.</em></span></li>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Povo; populacho; turba.</em></span></li>
</ol>
</blockquote>
<p>Ao pensarmos em multidão imaginamos o caos, desorganização, confusão, contra produção. Assim foi por muitos anos no espaço da racionalidade. Práticas educacionais e corporativas buscaram na padronização o caminho para o progresso, alinhados à cultura da produção em massa da Revolução Industrial. Até mesmo o lema da nossa bandeira: Ordem e Progresso; parece nos remeter a esta lógica, uma lógica profundamente entremeada nos valores e princípios da sociedade do século XX. Praticamente uma verdade absoluta e intangível que serviu de base para a construção das estruturas sociais e organizacionais até então conhecidas: Hierarquia vertical, comando em cascata, broadcasting e o gênio solitário.</p>
<div id="attachment_713" class="wp-caption aligncenter" style="width: 730px"><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/multidao.jpg"><img class="size-full wp-image-713" title="multidao" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/multidao.jpg" alt="" width="720" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Afonso Lima</p></div>
<p>No final do século XX, os EUA abriram a Internet à humanidade, até então uma infra-estrutura tecnológica em rede que servia para a comunicação e armazenamento de dados entre acadêmicos e militares. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee">Tim Berners-Lee</a> adicionou à esta camada uma nova camada de comunicação, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Www">WWW</a>. A apropriação da <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6287">WWW livre</a> e a consolidação dos conceitos de usabilidade e acessibilidade, pavimentaram o que hoje chamamos de web 2.0. Se observarmos “fora da caixa”, tudo que evoluiu na verdade configurou na redução da curva de aprendizagem, e consequentemente facilitou enormemente o acesso, tornando as camadas tecnológicas da rede invisíveis. A partir dai a Internet transformou-se em uma rede de pessoas, iniciando um processo sem retorno de profundas mudanças em todas as esferas da sociedade.</p>
<h2>Crowdsourcing, as multidões fazendo acontecer</h2>
<p>O Software Livre é sem dúvida nenhuma o caso mais notável de crowdsourcing. É uma construção caótica de software, com uma organização sem lideres, e sem hierarquias, jogando por terra valores e princípios “inegociáveis” do século passado. Muitos ainda não entendem como é possível produzir desta forma, outros tantos nunca irão entender, pois teriam de destituir-se de velhos e sedimentados princípios e valores, e muita gente não esta disposta à isto. Ainda são do tempo do “Em time que esta ganhando não se mexe”, azar o deles? Não, esta resistência à mudança tem sido a mola mestra do <a href="http://va.mu/DtV">ACTA</a> e outras práticas daninhas à rede como o <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">AI5 digital</a>. Estes <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">neoludistas</a> enxergam a Internet como uma ameaça, e nós como uma oportunidade única. <strong>Estamos em rota de colisão</strong>.</p>
<p>A nosso favor estão as pessoas de mente aberta, como o Rob McEwen CEO da <a href="http://va.mu/Dtc">GoldCorp</a>, uma mina de ouro Canadense, que em 1999 estava à beira da falência. Depois de encantar-se pelo espírito livre e desbravador do Linux, que ele assistiu em uma conferência no MIT. Apesar de seus funcionários e especialista dizerem que não era mais possível extrair ouro da mina, ele acreditou que alguém poderia ter a solução. McEwen criou o concurso <a href="http://www.goldcorp.com/_resources/news_releases/2002/02-18-02.pdf: 503918www.goldcorp.com/_resources/news_releases/2002/02-18-02.pdf">Goldcorp Challenge</a>, que prometia distribuir U$575.000 aos que tivessem as melhores idéias para extrair ouro. Rob compartilhou dados secretos, como plantas, mapas, estudos e tudo mais que fosse necessário. O resultado do concurso foi fantástico, além da economia, equivalente a três anos de funcionamento, foram identificados 110 pontos de extração, e metade deles jamais haviam sido identificados pela Empresa. A GoldCorp pulou de um faturamento de U$ 100 milhões por ano para U$ 2 bilhões.</p>
<p>O caso da GoldCorp é emblemático porque é um caso que os analógicos entendem, é um exemplo incontestável do poder das multidões. Outros casos interessantes estão se construindo à nossa volta, como os diversos projetos de crowdfunding, onde indivíduos investem e decidem coletivamente como o capital será aplicado. A Wikipedia é outro caso fantástico, bem como as próprias redes sociais, elas não são nada sem nossa participação, sem nos o Facebook, Orkut, Youtube e outros não seriam nada, apenas uma boa idéia. E o mais incrível e que continuamos a agregar valor à estas redes, pois não visamos o retorno material, nossas motivações são outras. O documentário <a href="http://va.mu/DtM">Us Now</a> nos mostra vários casos de crowdsourcing, até mesmo um time de futebol, o <a href="http://va.mu/Dtj">Ebbsfleet united</a>, com mais de 30 mil donos e técnicos que decidem de forma colaborativa até mesmo a escalação do time. Us Now também mostra exemplos de auto-organização que apontam para novas formas de governo, de democracia participativa.</p>
<p>Na esfera do governo, temos projetos inovadores no Brasil, como as consultas públicas do <a href="http://va.mu/Dtl">Marco Civil da Internet</a> , <a href="http://va.mu/Dtn">Reforma da Lei de Direito Autoral</a> e outras. Estas consultas foram feitas de forma livre à população pela Internet, um caso digno de registro de crowdsourcing no processo legislativo. Por falar em processo legislativo, temos também no Brasil o <a href="http://edemocracia.camara.gov.br/">e-Democracia</a>, uma rede social ligada à <a href="http://www.camara.gov.br">Câmara dos Deputados</a>, que permite discutir temas em destaques e propor novos temas para debate. Ainda não temos nenhum projeto de colaboração como o <a href="http://va.mu/Dtz">Challenge</a> Americano, onde diferentes órgãos do governo, apresentam problemas à sociedade e recompensam financeiramente àqueles que apresentam as melhores soluções.</p>
<p>O <a href="http://www.crowdsourcing.org/">Crowdsourcing.org</a>  é uma rede social especializada no crowdsourcing, e identifica basicamente sete grupos de estudo do tema:</p>
<ul>
<li>Crowdfounding – Financiamento coletivo;</li>
<li>Cloud Labor (Trabalho em nuvem) – Aproveitamento de grupos virtuais de trabalho, disponíveis sob demanada para a realização de tarefas e projetos;</li>
<li>Collective Creativity (Criatividade coletiva) – Uso de grupos de talentos para desenvolvimento original de arte, design, mídia e conteúdo;</li>
<li>Open Innovation (Inovação aberta) – Uso de fontes externas à entidade ou grupo para gerar, desenvolver e implementar ideias;</li>
<li>Collective Knowledge (Conhecimento coletivo) – Desenvolvimento de células de conhecimento e informação a partir de grupos distribuidos de colaboradores;</li>
<li>Community Building (Construção de comunidades) – Desenvolvimento de comunidades através de grupos que compartilhem das mesmas paixões;</li>
<li>Civic Engagement (Engajamento cívico) &#8211; As ações coletivas que tratem de questões de interesse público.</li>
</ul>
<p>Como vemos, ainda estamos começando a usar o poder das multidões, as pessoas estão começando a entender que juntas possuem um poder ilimitado, que não dependem dos intermediários e representantes. Governos e corporações também estão entendendo&#8230;</p>
<h2>Individuo coletivo</h2>
<p>Nos meus tempos de criança acreditávamos na figura do gênio solitário, filmes e desenhos animados nos mostravam cientistas isolados do mundo e acompanhados de um assistente burro, uma bela metáfora. É impressionante, mas hoje em dia muita gente ainda acredita no gênio solitário, tivemos nossas subjetividades subjugadas como sempre. Felizmente o mito do gênio solitário esta sendo derrubado nos tempos digitais do século XXI, avise aos &#8220;analógicos&#8221; da sociedade! Scott Berkun, ex-engenheiro da Microsoft, em seu livro &#8220;<a href="http://www.amazon.com/gp/product/1449389627/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=1449389627">The Myths of Innovation</a>&#8221; joga este conceito por água abaixo, e de quebra ainda enterra a idéia de que grande inovações vieram por epifania. Berkun explora uma questão muito importante, e que nos simplesmente sublimamos: Não estamos sozinhos, o ser humano é um ser social. Seja qual forma as idéias irão tomar, se produto material, imaterial ou bem cultural, elas são da coletividade. As idéias são construídas em coletividade, o &#8220;dono&#8221; dela tem sido aquele que consegue sistematiza-las ou utiliza-la para um propósito específico. O legado do século passado ainda insiste no fato de que as idéias são do primeiro a registrar a sua patente.</p>
<p>Somos parte da multidão, somos construtores da subjetividade coletiva, assim como nossa subjetividade é produto desta construção. Para ser mais correto, podemos afirmar que somos prosumidores de nos mesmos e ao mesmo tempo de todos nossos peers, que também são nossos prosumidores. No século passado isto era entendido pelo provérbio que dizia que “o homem é produto do meio”, mas o meio mudou, e o provérbio mostrou-se incompleto. Hoje podemos dizer que “o homem é produto do meio e o meio é produto do homem”, isto num ciclo crescente de construção cognitiva e coletiva do conhecimento. Quanto mais conectada a sociedade, mas visíveis ficam velhos conceitos que estão sendo subjugados, estamos quebrando velhas regras com uma voracidade incrível. Hoje entendemos que somos feitos de células, e a nossa “alma” de colaboração. É preciso entender que somos todos “eu” coletivo, que carregamos em nos um pouco de cada um, e vice versa.. Isto vale para tudo, saber, negócios, política e informação, ninguém é alguém sozinho. É preciso entender que o conhecimento pertence à sociedade, e que esta, e somente esta, tem a capacidade e o direito de transforma-lo de forma nunca antes imaginada na história da humanidade.</p>
<h2>Os seis graus que nos separam</h2>
<p>O importante fator das profundas e definitivas mudanças que estamos passando em nossa sociedade é o fato de estarmos novamente conectados em rede, novamente porque muito provavelmente estivemos conectados em rede quando ainda selvagens. A natureza irracional e burra esta repleta de exemplos de estruturas em rede, colméias, formigueiros, movimentos dos mares, planetas, e até mesmo nossa estrutura celular e neural! O homem civilizado cometeu um grande equivoco ao confundir a seletividade evolutiva com a organização estrutural das diversas sociedades, aprendemos equivocadamente que necessitamos de uma estrutura de poder vertical, poucos pensam e muitos executam, mais uma bela metáfora do capitalismo. Estão sempre buscando lideres em tudo&#8230;</p>
<p>Albert-László Barabási é um estudioso de redes, matemático, sistematizou esta estrutura e conseguiu provar matematicamente a teoria dos seis graus de separação. Segundo Barabási, apesar de seremos milhões conectados em rede, estamos de fato, distantes de qualquer outro por apenas seis pessoas. Barabási explica que as estruturas de redes são complexas e os hubs são indispensáveis ao funcionamento destas estruturas. Hubs por exemplo são indivíduos com alto capital social, ou sites e serviços populares. Os hubs são atalhos entre os milhões de nós da rede, de qualquer rede.</p>
<p>Fritjof Capra, compila no livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/62024/teia+da+vida,+a&amp;franq=128026">A Teia da Vida</a>”, várias contribuições da física, da matemática e da biologia para a compreensão dos sistemas vivos e, especialmente, de seu padrão básico de organização. Capra identifica a rede como esse padrão comum a todos os organismos vivos. “Onde quer que encontremos sistemas vivos – organismos, partes de organismos ou comunidades de organismos – podemos observar que seus componentes estão arranjados a maneira de rede. Sempre que olhamos para a vida, olhamos para redes. (&#8230;) O padrão da vida, poderíamos dizer, é um padrão de rede capaz de auto-organização&#8221;. Em seu livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/253089/conexoes+ocultas,+as:+ciencia+para+uma+vida+sustentavel&amp;franq=128026">As Conexões Ocultas</a>”, Capra tenta aplicar os princípios apresentados em “A Teia da Vida” na análise de fenômenos sociais – como o capitalismo global, a sociedade da informação, a biotecnologia e os movimentos contra-hegemônicos da sociedade civil.</p>
<h2>A singularidade será das multidões</h2>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/matrix-800x600.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-720" style="margin: 5px;" title="matrix-800x600" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/matrix-800x600-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Conforme a Wikipedia, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica">singularidade tecnológica</a> é a denominação dada a um evento histórico previsto para o futuro, no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo. Vários cientistas, entre eles Vernor Vinge e Raymond Kurzweil, e também alguns filósofos afirmam que a singularidade tecnológica é um evento histórico de importância semelhante ao aparecimento da inteligência humana na Terra. Ainda não existe consenso sobre quais seriam os agentes responsáveis pela singularidade tecnológica, alguns acreditam que ela decorrerá naturalmente, como conseqüência dos acelerados avanços científicos. Outros acreditam que o surgimento iminente de supercomputadores dotados da chamada superinteligência será a base de tais avanços.</p>
<p>Na minha opinião a singularidade não será tecnologia, e sim das multidões, quanto maior a penetração da Internet na sociedade e quanto mais intensa for apropriação do crowdsourcing, mais rapidamente teremos as mudanças. Estas mudanças tenderão a ser de forma exponencial, não significa que mais um participante produza um incremento unitário, mas sim que este incremento leve em conta que o crowdsourcing é um processo retro-alimentando. Desta forma, nesta equação temos de considerar o que já fora construído e o potencial agregador e construtor do novo player, considerando inclusive seu capital social. Capital social este determinado em função da rede de relacionamento e do poder interativo e comunicacional deste indivíduo. <strong>Esta singularidade se dará na intensa construção cognitiva e coletiva do saber, potencializando ao máximo o conceito da <a href="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=0738202614&amp;camp=217145&amp;creative=399369">Inteligência Coletiva</a> sistematizado pelo filósofo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_L%C3%A9vy">Pierre Levy</a>.</strong> Este fenômeno se dará possivelmente no momento em que a geração digital atingir a maturidade. Esta geração terá todos os conjuntos de afinadades, dogmas e valores para o processo pleno da construção e uso da Inteligência Coletiva, caracteristicas estas que nos imigrantes digitais não temos e nunca teremos, mas teremos o privilégio de vislumbrar o nascimento de uma nova sociedade infinitamente mais inteligente que a nossa, e profundamente interconectada, mudando radicalmente o mundo que conhecemos.</p>
<p>Uma vez entendido isto, podemos imaginar o tamanho do poder que a sociedade conectada poderá vir a ter, numa matriz dos poderes instituídos, este seria o quinto poder. Hoje temos os três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário que são poderes locais, e o quarto poder que é o corporativo que é enorme e transnacional e atualmente exerce uma enorme força sobre os Estados. Se levarmos em conta de que das 100 maiores economias do mundo, 51 são <a href="http://va.mu/C5g">corporações</a>. Dá para sentir o tamanho da força do quarto poder, eles simplesmente são mais poderosos que as nações. Entretanto o poder das corporações é avaliado em função do capitalismo, e da cultura da escassez. <a href="http://www.rushkoff.com/">Douglas Rushkoff</a> avalia que o capitalismo é na verdade o “sistema operacional” da sociedade, e que assim como ele no passado substituiu o “sistema operacional” vigente, nada impede que ele venha a ser substituído em breve, e a minha tese da singularidade das multidões prevê isto como citado no parágrafo anterior. Thomas Greco, em seu livro “<a href="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=1603580786&amp;camp=217145&amp;creative=399369">The end of money and the future of civilization</a>” coloca mais lenha na fogueira, mostrando que o modelo capitalista é auto-destrutivo e insustentável e que a partir da crise de 2008, a coisa só tende a piorar. Greco aponta na direção que estamos tomando. Mas o que virá depois do capitalismo? Segundo o Professor Giuseppe Cocco o que esta se construindo é o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo_cognitivo">Capitalismo Cognitivo</a>, uma forma de capitalismo que tem o conhecimento e a informação como principais riquezas e valoriza as competências cognitivas e relacionais.</p>
<p>Mesmo antes da troca do “sistema operacional” da sociedade, veremos o quinto poder chegar a um patamar de igualdade ao quarto. Se configurarem as previsões, as mudanças serão profundas e alavancarão o quinto poder como o maior poder da sociedade, ou seja, a própria sociedade conectada será o seu maior poder. Temos movimentos políticos e sociais acontecendo pelas multidões conectadas, o <a title="Ajude o Mega Não conquistar o Prêmio FRIDA" href="http://meganao.wordpress.com">Mega Não</a> e o Ficha Limpa no Brasil, 15-M na Espanha, o Stop Acta a nível mundial e troca de poder no Egito só para citar alguns. Os sinais estão por ai, e os envolvidos estão cientes e tomando suas providências, eles tem pressa. Em 2012 teremos a maior idade de uma parcela significativa da geração digital, eles tem pressa, muita pressa.</p>
<p>Texto ampliado e adaptado do que publiquei originalmente na <a href="http://www.revista.espiritolivre.org/?page_id=1296">Revista Espirito Livre numero 26</a>, de maio de 2011</p>

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		<title>Nota de falecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 14:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<h2>Acaba de falecer o <strong>CAPITALISMO</strong>!</h2>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/07/debitousa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-689" style="margin: 5px;" title="debitousa" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/07/debitousa.jpg" alt="" width="360" height="668" /></a>Rituais de magia branca de olhos azuis e amarela de olhos puxados ainda tentarão dar sobrevida ao defunto inutilmente. Seus comparsas, a mídia golpista (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pig">PIG</a>) tentarão ocultar o cadáver, mas a sociedade conectada, o quinto poder, irão mostrar a todos onde esta o corpo fétido. O establishment irá negar enfáticamente sua culpa no assassinato:</p>
<p>- Foram os emergentes!</p>
<p>- Foram os emergentes!</p>
<p>Eles dirão na mais manjada estratégia Maquiavélica, afinal o Inferno são os outros ja dizia Sartre.</p>
<p>Seus orfãos, os Bancos e Mega Corporações irão tentar, através do legado da privataria promovida pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo">neoliberalismo,</a> instalar o &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neocolonialismo">neocolonialismo</a>&#8220;, tentando extrair vorazmente da turma de baixo suas riquezas. Entretanto o povo de baixo já não é mais tão subserviente ao império, e a queda 2.0 da nobreza colocará o mundo de cabeça para baixo.</p>
<p>O <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo_cognitivo">capitalismo cognitivo</a>, onde as pessoas são o centro e não o dinheiro, vazara de baixo para cima, trocando o &#8220;sistema operacional&#8221; da sociedade como prefetizou <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0812978501/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0812978501">Rushkoff</a><img style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=0812978501&amp;camp=217145&amp;creative=399369" alt="" width="1" height="1" border="0" />, e veremos uma profunda e gratificante mudança na sociedade, onde o pensar e agir coletivo é a normalidade como bem diz <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0143114948/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0143114948">Shirky</a>.</p>
<hr />
<p>A nota acima foi inspirada pelo <a href="http://www.wtfnoway.com/">infográfico da divida americana</a>, que mostra a divida total de 114,5 trilhões de dolares. Segundo o infográfico, um cidadão médio levaria 92 anos para acumular U$ 1 milhão, logo seriam necessário que 114.500.000 de americanos trabalhem 92 anos para pagar a dívida. Como a estimativa de vida do Americano esta em 78 anos, uma regra de três simples nos leva ao número de 135.051.282 cidadãos, o que equivale a quase 44% da população daquele país. Some-se a isto a crise que assola a Europa, onde a dívida impagável da <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100506/not_imp547649,0.php">Grécia é apenas a ponta do Iceberg</a> e veremos um quadro dantesco.</p>
<p>Thomas Greco em seu livro &#8220;<a href="http://www.amazon.com/gp/product/1603580786/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=1603580786">The End of Money and the Future of Civilization</a><img style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=1603580786&amp;camp=217145&amp;creative=399369" alt="" width="1" height="1" border="0" />&#8221; ja preconizava isto, afinal o capitalismo vive de endividamento, somos todos endividados e não prosperos como nos fazem crer. Estamos sempre trocando de dívidas, e isto leva a um ponto onde o endividamento se torna uma escala logarítmica, que tende ao infinito, promovendo uma verdadeiro &#8220;stall&#8221;.</p>
<p>Então prepare-se vamos entrar em uma grande turbulência, a aeronave vai cair, mas muitos sobreviverão&#8230;</p>
<p>Nota: Depois de publicar este texto aos sete ventos sem me certificar do valor da dívida americana, fui informado que ela é de U$ 15 trilhões e fui averiguar e vi que na verdade 114,5 trilhões de dolares é o valor emprestado a descoberto pelos bancos americanos, o que na prática acaba dando no mesmo. A figura acima mostra dois &#8220;edificios ao lado da estatua da liberdade, o menor é equivalente à pilha de cédulas de U$ 100,00 da dívida americana e o maior que o World Trade Center é o total do empréstimo à descoberto dos bancos americanos.</p>
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		<title>Mantras da Irracionalidade &#8211; Carros são poder</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Mar 2011 22:15:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[mantras da irracionalidade]]></category>
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		<description><![CDATA[ <p>Na noite de sexta feira (25/02/11) um motorista atropelou intencionalmente dezenas de ciclistas que faziam uma manifestação pacífica em Porto Alegre. Ele simplesmente arrancou e foi jogando os ciclistas para o alto, um ato criminoso e hediondo. Quem lê não acredita que exista na sociedade dita civilizada tal monstro, mas infelizmente existem, e muitos! [...]
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<p>Na noite de sexta feira (25/02/11) um <a href="http://massacriticapoa.wordpress.com/2011/02/26/critical-mess-comentarios-sobre-as-primeiras-noticias-do-atropelamento-em-massa/">motorista atropelou intencionalmente dezenas de ciclistas</a> que faziam uma manifestação pacífica em Porto Alegre. Ele simplesmente arrancou e foi jogando os ciclistas para o alto, um ato criminoso e hediondo. Quem lê não acredita que exista na sociedade dita civilizada tal monstro, mas infelizmente existem, e muitos! Mas se você ainda não acreditou ser possível tamanha loucura então assista aos vídeos abaixo, mas prepare-se, as imagens são fortes:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/ZARjUMaOfyQ" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/6XL3g4vPK30" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p>Não vou entrar no mérito e nem nos detalhes do caso, já tem muita gente falando a respeito, meu objetivo é desconstruir mais  <a href="http://entropia.blog.br/categoria/mantras-da-irracionalidade/">mantras da irracionalidade</a> (conceitos e valores que estão equivocados e que são repetidos como sendo a verdade além da verdade, subvertendo a nossa própria subjetividade).</p>
<p>Helton fez uma <a href="http://massacriticapoa.wordpress.com/2011/02/26/fossa-critica-reflexoes-longas-sobre-o-atropelamento-em-massa/">ótima reflexão sobre o caso</a> de onde extraio algumas partes que servem de ponto de partida para nossa desconstrução:</p>
<blockquote><p><em>[..]Mas eis que então se abate sobre nós o Martelo de Thor, personificado por um irresponsável e infelizmente típico representante</em></p>
<ul>
<li><em>de uma classe sócio-econômica</em></li>
<li><em>de um modelo de comportamento</em></li>
<li><em>de um modelo de pensamento</em></li>
</ul>
<p><em>que – e é assim… – tem PODER para oprimir e agredir.</em></p>
<p><em>E o que mais entristece é que esses modelos de comportamento e pensamento:</em></p>
<ul>
<li><em>são conhecidos, mas não são questionados ou combatidos;</em></li>
<li><em>são, ao contrário, estimulados por uma série de forças sociais e econômicas;</em></li>
<li><em>têm esse estímulo ratificado cooperativamente pelo Governo, que  deveria ser o primeiro órgão regulador a, em benefício da coletividade,  combatê-lo.[..]</em></li>
</ul>
</blockquote>
<p>Helton segue ainda citando trechos do livro &#8220;Fé em Deus e Pé na tábua&#8221; do renomado sociólogo brasileiro Roberto da Matta, de onde tiro recortes que interessam à minha linha de raciocínio:</p>
<blockquote><p><em>[..]No Brasil, o papel de motorista e seus veículos são lidos como  emblemas de desigualdade. Há um contraste entre o gozo doato de dirigiu o  prazer de estar ao volante, com uma total ignorância da  responsabilidade civil deste ato no que diz respeito às suas  consequências. <strong>Escapa aos motoristas qualquer conotação negativa do  veículo, como sua potência e sua capacidade para produzir acidentes,  danos e mortes</strong>.[..]</em></p>
<p><em>[..]</em><em>Temos, então, por um lado, os motoristas (que enfiam o pé na tábua),  que se pensam como tendo somente privilégios e direitos; e, por outro,  os pedestres (englobados pela fé em Deus), vistos como subcidadãos cujo  atributo é ter um conjunto de deveres ou obrigações. Neste sentido,   fomos tão longe em nosso descaso com qualquer compromisso com a  igualdade como um dever (e um direito) de todos, que os motoristas têm o  privilégio de ocupar as ruas usando-as como bem entenderem, assim como  as calçadas e praças.</em><em>[..]<br />
</em></p></blockquote>
<p>As primeiras declarações do <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/transito/noticias/0,,OI4964256-EI998,00-Delegado+critica+movimento+de+ciclistas+atropelados+no+RS.html">Delegado Gilberto Almeida Montenegro sobre o incidente com movimento</a> &#8220;Massa Crítica&#8221; estavam completamente contaminadas com os &#8220;<a href="http://entropia.blog.br/2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/">trojan intelectuais</a>&#8221; que quero demonstrar.</p>
<blockquote><p><em>[..]Faz a tua manifestação, mas não impede o fluxo de automóveis. Se tu  impedes, dá confusão, dá baderna, dá acidente. Fica o alerta&#8221;, afirmou.[..]</em></p>
<p><em>[..]De acordo com o delegado, ainda não é possível afirmar que o motorista  teve a intenção de atropelar o grupo de ciclistas. &#8220;Eu não sei o que  aconteceu, preciso ouvir ele. Daí nós vamos ver se houve intenção&#8221;,  afirmou Montenegro.[..]</em></p></blockquote>
<p>Indignou-se? Muita gente na web ficou indignada, e com toda razão, o <a href="http://twitter.com/setesete77">@setesete77</a> respondeu com precisão que bicicleta é veículo, e não atrapalha o trânsito, elas estavam sendo o trânsito. Mas infelizmente muita gente não entende isto, como o Delegado Montenegro, o &#8220;trojan intelectual&#8221; descrito por Roberto da Matta acima, há muito intronizou nestas mentes.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.35.43.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-592" title="Captura de tela 2011-02-26 às 18.35.43" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.35.43.jpg" alt="" width="585" height="283" /></a>É nesta luta que o <a href="http://massacriticapoa.wordpress.com/sobre-a-massa-critica-de-porto-alegre/">Massa Critica</a> tem focado, o de mostrar que bicicleta  também é veiculo, que tem tanto direito de uso das vias como os outros  veículos. É difícil entender isto com clareza em um sistema de valores onde as pessoas são avaliadas por sua forma de consumo, pelo que ela aparenta ser. É a visão centrada no capital, a lógica do capital e do consumo que aprisiona e absorve o cidadão. Cidadão este que vive o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_mito_de_S%C3%ADsifo">mito de Sísifo</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E">transitando cegamente entre trabalho, consumo e prazer</a>, mas sempre dentro da ótica centrada no capital, onde o prazer está no ato de consumir, e o consumo é quase uma religião do deus Capital como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Lebow">idealizou Victor Lebow</a>.</p>
<p>O <a href="http://twitter.com/caouivador">@caouivador</a> segue criticando as afirmativas do Delegado equivocado, e &#8220;ousou&#8221; comparar os direitos dos pedestres com os dos motoristas. Imagine se os motoristas podem esperar dois minutos para dobrarem a esquina e fugir dos &#8220;lentos&#8221; ciclistas&#8230;</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.52.14.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-594" title="Captura de tela 2011-02-26 às 18.52.14" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.52.14.jpg" alt="" width="519" height="82" /></a><br />
<a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.47.41.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-593" title="Captura de tela 2011-02-26 às 18.47.41" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.47.41.jpg" alt="" width="519" height="254" /></a></p>
<p>Já o <a href="http://twitter.com/massacriticapoa">@massacriticaPOA</a> foi preciso, foi no cerne da questão, foi exatamente no núcleo do &#8220;trojan intelectual&#8221;, questiona justamente a prática jurídica envolvendo acidentes de carro, sempre são registrados como acidente, nunca os motoristas são punidos criminalmente como deveriam.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.39.44.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-597" title="Captura de tela 2011-02-26 às 18.39.44" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/Captura-de-tela-2011-02-26-às-18.39.44.jpg" alt="" width="564" height="312" /></a>Segundo o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), bicicletas e pedestres devem ter prioridade sobre os carros. Não respeitar esta prioridade é considerado infração gravíssima, mas isto não é fiscalizado pelo poder público e nunca um motorista fora multado por ameaçar um pedestre ou um ciclista. O mesmo poder público que não coíbe a prática da invasão dos espaços dos pedestres pelos &#8220;poderosos&#8221; motoristas, e o mesmo poder que possui representantes como o Delegado Montenegro e outros com a mesma <a href="http://blogpoageral.blogspot.com/2011/02/eu-nao-sei-o-que-esses-ciclistas-tem-na.html">ótica centrada no capital e no poder</a>, e não no coletivo e no cidadão comum.</p>
<p>Por conta das afirmativas do Delegado Montenegro e pela <a href="http://massacriticapoa.wordpress.com/2011/03/01/jornal-nacional-decepciona/">insistência do PIG em minimizar a culpa do atropelador</a>, rapidamente surgiu a tag #montenegrofacts e o avatar de protesto abaixo. Estas respostas rápidas nos leva a perceber que a Internet esta cada vez mais parecida com uma teia de aranha, onde qualquer movimento em uma de suas bordas, alerta todos os pontos da rede, estamos todos conectados!</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/naofoiacidente.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-603" title="naofoiacidente" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/naofoiacidente.png" alt="" width="446" height="551" /></a></p>
<p>Embora muitos neguem, ou até não percebam, praticamente todos temos nossa <a href="../2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/">subjetividade manipulada</a>, seja por dogmas, princípios e valores que foram introjetados em nossa cultura ou por algumas <a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/11/481288.shtml">técnicas manipulatórias</a> usadas pela mídia de massa, vulgo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pig">PIG</a>. Precisamos questionar nossas convicções, perguntar a elas se elas são mesmo nossas! Para isto é preciso que você desconstrua-as em suas mentes e tente enxergar as coisas por uma outra ótica. Pense por exemplo como seria um mundo onde todos tivessem o mesmo direito de ir e vir, independente do veículo que usam, uma utopia dirá você&#8230;</p>
<p><a href="http://rushkoff.com/">Douglas Rushkoff</a> é meu autor predileto na prática da desconstrução do pensamento. Em seu livro <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0812978501?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=0812978501">Life Inc</a>, ele começa contando uma história simples mas emblemática que é mais ou menos assim:</p>
<blockquote><p>Era véspera de Natal e ele estava em frente ao seu apartamento colocando o lixo para fora quando um homem o assaltou. Mais tarde ele postou uma mensagem em um grupo de discussão do seu bairro, para que os vizinhos tomassem cuidado para não serem vitimas de assalto também. As duas primeiras respostas que ele recebeu foram de pessoas furiosas, criticando-o por ter postado aquilo, pois esta notícia poderia afetar o valor de seus imóveis. Rushkoff ficou perplexo com o fato das pessoas darem mais importância ao valor de mercado de suas casas do que ao lado humano de sua vizinhança.</p></blockquote>
<p>São observações óbvias do cotidiano distorcido como estas, que nos fazem perceber que não somos donos de nossas subjetividades, tomá-las de volta exige que nos afastemos do ciclo Sísifico do consumo e paremos para pensar nos verdadeiros valores da vida. Obviamente não interessa ao &#8220;establishment&#8221; que façamos esta reflexão, senão poderemos descobrir que os verdadeiros valores da vida não custam dinheiro algum.</p>
<p>Já parou para pensar que o filme Matrix pode não ter sido uma ficção construida em torno da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica">tese da singularidade tecnológica</a>, e sim uma fábula debochando deste sistema? Aliás não precisamos ficar presos só neste exemplo, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldous_Huxley">Aldous Huxley</a> previu em seu livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia">distópico</a> <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21590937/admiravel+mundo+novo&amp;franq=128026">Admirável Mundo Novo</a>, escrito em 1932, uma sociedade perfeita, com castas, sem vínculos afetivos e familiares, onde seus membros dedicavam-se plenamente ao prazer e ao consumo e onde as sociedades tradicionais eram vistas como &#8220;selvagens&#8221;.</p>
<p>Para que possamos começar a entender porque nossa sociedade dá <a href="http://www.ta.org.br/sociedadedoautomovel/">tratamento privilegiado aos crimes automotivos e aos automóveis</a>, vamos avaliar a base desta questão.</p>
<p>Observe o tamanho e o poder da Indústria que orbita em torno do automóvel. São petrolíferas, metalúrgicas, montadoras e todo um conjunto de atividades econômicas que circundam estas potências de Capital Intensivo. Esta Indústria emprega milhões de pessoas e possuem uma participação significativa no PIB dos países onde estão instaladas. São vistas pela ótica capitalista como de extrema importância para as nações onde estão instaladas, mesmo que os custos sócio ambientais sejam maiores, estes curiosamente não fazem parte da avaliação.</p>
<p>Por conta desta cadeia industrial já tivemos guerras, e todo tipo de jogo do poder para subjugar tanto o consumidor como os produtores de matéria prima, o primeiro que não deve enxergar o verdadeiro custo do seu automóvel e o segundo que não deve enxergar a verdadeira importância e custo social de suas matérias primas. Transformar os produtores de matéria prima em consumidores do produto acabado é o objetivo  primordial de qualquer indústria. Quanto mais se consome, menos se pensa, e o capital concentra-se no meio, no intermediador das pontas, curiosamente oposto à <a href="http://brockerhoff.net/blog/2003/03/10/mundo-de-pontas-world-of-ends-2/">Internet onde seus valores estão nas pontas</a>.</p>
<p>Neste sistema, a publicidade hoje trabalha na percepção, no fazer sentido, na esfera do parecer, não se vende mais um produto com foco em seus atributos e qualidades e sim nas supostas emoções e fantasias que este produto poderá proporcionar. Indústrias não fazem publicidade para mostrar as vantagens de andar a pé ou de bicicleta da mesma forma, o fazem da forma antiga, focando nas qualidades e não na fantasia e emoções.</p>
<p>Na construção distorcida da realidade por conta de tudo que falei acima, possuir um carro dá ao proprietário a percepção de poder, de status, leva ele para o mundo maravilhoso da fantasia, <strong>mesmo que ele seja dono apenas de uma mínima parcela, o Banco que financiou seja o verdadeiro dono do &#8220;mimo&#8221;</strong>.  Este tão almejado símbolo de status faz com que muitos &#8220;possuam&#8221; carros que muitas vezes custem mais que suas próprias casas! Não podemos esquecer que os bancos fazem parte deste sistema, e que são eles na verdade o maior proprietário de automóveis.</p>
<p>Todo este interesse e poder agora desnudados nos fazem perceber o quanto seria difícil admitir que um carro seja uma arma e que em caso de acidente o motorista seja considerado um criminoso tal qual se tivesse portando-a. Se assim fosse não seria possível vender a fantasia de possuir um carro. Sendo este uma arma, muitos iriam desistir de comprar um carro por conta dos riscos de dirigi-lo. E por fim para dar uma sensação de justiça neste sistema perverso de valores, temos a indústria da multa que terceiriza a responsabilidade do motorista, fazendo-o crer que se não dirigir alcoolizado ou rápido demais não estaria pondo em risco a vida de ninguém&#8230;</p>

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		<title>A Cauda Longa do Jornalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 09:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Esta é uma atualização de um artigo meu <a href="http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.php?pag=displayConteudo&amp;idConteudoTipo=2&amp;idConteudo=3118#">publicado no Jornalistas da Web</a> em 2008.</p>
<p>É curioso como a humanidade tende a tratar transições e evoluções de  forma apocalíptica. Foi assim com a chegada do rádio, da TV, e não  poderia ser diferente com a Internet. O tema ficou em &#8220;banho maria&#8221; por  alguns anos, pois além de não haver uma penetração considerável, ainda  não haviam soluções que dessem margem ao jornalismo colaborativo, ou  melhor, ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing" target="_blank">jornalismo crowdsourcing</a>.  Os anos se passaram, e a população conectada cresceu de forma  surpreendente. Nos Estados Unidos, 95% dos jovens estão conectados. No  Brasil, praticamente 50% da população acessa a Internet. Este  crescimento associado a ferramentas como blogs, microblogging,  fotoblogs, videoblogs, mapas, mashups e tudo isto potencializado pela  computação cada vez mais ubiqua, deu espaço a um novo jornalismo, ao  jornalismo crowdsourcing. E conseqüentemente ao interminável debate  entre o jornalismo tradicional e o jornalismo crowdsourcing. O primeiro  argumenta que o segundo é imaturo, e este, que o jornalismo tradicional é  jurássico.</p>
<p>É uma comparação impossível, é preciso levar em  consideração que uma grande mudança nas relações pessoais e econômicas  foi provocada pela Internet. Esta mudança foi sistematizada por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Anderson_%28writer%29" target="_blank">Chris Anderson</a>, em seu best seller &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cauda_Longa" target="_blank">A Cauda Longa</a>&#8220;.  A Internet possibilitou uma capilaridade nunca antes vista, atingindo  nichos renegados e muitas vezes totalmente desconhecidos. A principio, o  estudo de Anderson provocou surpresa, mostrando a todos que a cauda  longa é maior do que o mainstream, e engorda cada vez mais por conta  daqueles que viviam no mainstream e agora podem se juntar às suas  tribos. É preciso levar em conta que a imprensa tradicional esta focando  no mainstream, e que a imprensa social está focando na cauda longa.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-574" title="imagem_artigo_caudalonga1" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga1.gif" alt="" width="470" height="301" /></a></p>
<p>É  como se os leitores de fanzines habitassem a cauda longa, e os leitores  dos grande jornais, a cabeça da cauda, o mainstream, e isto não quer  dizer que esta relação seja excludente. Na prática, a capilaridade da  Internet permitiu conectar nichos com interesses similares, formando os  meganichos, que habitam o inicio da cauda, próximo ao mainstream. Quanto  maior o nicho, mais genérica a informação. A tendência do crescimento  dos meganichos, tanto em quantidades, como em tamanho, provoca dois  movimentos na cauda: ela engorda e se alonga. Engorda por conta  crescimento dos meganichos, e se alonga por conta dos novos nichos que  surgem.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-575" title="imagem_artigo_caudalonga2" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga2.gif" alt="" width="470" height="301" /></a></p>
<p>Existe  um outro elemento importante, que é a informação. Abundante no  ciberespaço, é o catalizador da evolução. O crowdsourcing é a  personificação desta evolução. O cidadão conectado tem pressa, muita  pressa. A <a href="http://entropia.blog.br/2007/12/16/a-instantaneidade-o-crowdsourcing-e-o-jornalismo-social/">instantaneidade</a> é o resultado, ele quer saber agora, o que  acontece agora, quer interagir com a noticia. O Jornalismo cidadão é  visto como ruído pelo público mainstream, mas é extremamente eficiente  para seus apreciadores, e isto a velha mídia precisa entender e estudar.</p>
<p><strong>A questão da confiabilidade</strong></p>
<p>Constantemente  a credibilidade do jornalismo social é posta em xeque, os veículos  tradicionais defendem que somente eles estão aptos a noticiarem com  credibilidade, e que o jornalismo social não é confiável. Trata-se de  uma meia verdade, uma vez que os veículos tradicionais cometem  verdadeiras gafes, como o caso do &#8220;<a href="http://a8000.blogspot.com/2007/09/homem-diminui-dedo-para-usar-iphone.html" target="_blank">Homem diminui o dedo para usar o iPhone</a>&#8220;, noticiado pelo <a href="http://www.estadao.com.br/" target="_blank">Estadão</a>.  A confiabilidade do jornalismo social é diretamente proporcional ao  número de fontes, ou a credibilidade conquistada por algumas delas. Um  grande número de fontes permite ao leitor avaliar por amostragem o que é  ou não confiável, e assim construir a sua percepção de confiabilidade  de algumas fontes. Muitos blogs publicam matérias de alta qualidade e  confiabilidade, uma vez que, para alguns, o blog é uma fonte de status  e/ou receita, e o leitor é o seu mais valioso ativo.</p>
<p>Em termos de número de fontes, velocidade e interação, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Micro-blogging" target="_blank">microblogging</a> revelou-se um grande aliado do jornalismo social, e o <a href="http://twitter.com/caribe" target="_blank">Twitter</a> é de longe a mais popular ferramenta de microblogging. O caso do  incêndio na Califórnia foi notório, mas não o único coberto via Twitter.  A grande &#8220;sacada&#8221; é que em microblogging o texto é limitado a 140  caracteres e o <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:celular" target="_blank">celular</a> é uma potencial ferramenta jornalística. Textos via SMS para o Twitter, fotos e vídeos via email para o <a href="http://www.flickr.com/photos/buzzmakers" target="_blank">Flickr</a> e <a href="http://www.youtube.com/jccaribe" target="_blank">YouTube</a> respectivamente e, na outra ponta, temos a noticia em qualquer dispositivo. É o verdadeiro crowdsourcing jornalístico.</p>
<p><strong>Conectando os dois mundos</strong></p>
<p>Existem diversos projetos com o objetivo de conectar os dois mundos. O mais notório deles é o <a href="http://international.ohmynews.com/" target="_blank">OhmyNews</a>, um jornal colaborativo com &#8220;cara&#8221; de jornal. Outro projeto bem interessante é o <a href="http://paper.li/caribe" target="_blank">Paper.li</a>, que produz um jornal diário automático com base no que você e quem você segue tuitam, ou listas ou ainda tags específicas. Tem também o <a href="http://tabbloid.com/" target="_blank">Tabbloid</a> que produzr um Jornal em PDF de acordo com feeds específicos. No Brasil, temos o próprio Jornalistas da Web, o <a href="http://www.jornaldedebates.com.br/" target="_blank">Jornal de Debates</a> e as redes de blogs que estão se formando, numa tendência a universalizar o jornalismo crowdsourcing.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Nos tempos da Macromedia&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 02:50:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografando]]></category>
		<category><![CDATA[Macromedia]]></category>
		<category><![CDATA[reflexoes]]></category>

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<p><em> </em>O ano era 1997, o acesso à internet ainda era via <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial_up">dial up</a> com tarifas altíssimas e contratos de acesso com limites de horas/mês muito baixos, para você ter uma idéia eu pagava R$ 84,00 por 16 horas de acesso mensal. A internet era praticamente assíncrona, a mais eficiente forma de interação e conversações eram as listas de discussão, eu participava da lista <a href="http://www.10minutos.com.br/wddesign.php">WD Design</a>. Eu tinha uma das pioneiras produtoras de Internet, a Página Principal, e havia utilizado o Flash para criar um <a href="http://www.dice.com.br/">site de um cliente</a>, e me apaixonei pela ferramenta a ponto de me tornar um verdadeiro evangelista. Ajudava todo mundo na WD Design, mal sabia eu que estava fazendo um ótimo networking.</p>
<blockquote><p>Na verdade a Internet nesta época era uma infindável mina de ouro, e quase não existia conhecimento sistematizado sobre o tema,  e tudo que era necessário saber encontrávamos na web e compartilhávamos sem pudor algum. Estávamos juntos numa caça ao tesouro em um campo aparentemente infinito. Diariamente profissionais das mais diversas áreas deixavam seus trabalhos para se dedicarem à Internet, mas isto não nos preocupava, pois era muito fácil fazer dinheiro na web.</p></blockquote>
<p>Logo depois que terminei o tal site ai de cima, mandei um email para a Macromedia, elogiando o Flash e em menos de uma semana o Country Manager da Macromedia no Brasil (Eduardo de Souza) estava sentado na minha frente me abrindo um mundo de possibilidades, dai perguntei: &#8211; Me diga uma coisa, qual destas oportunidades demandam um baixo ou nenhum investimento ? A resposta veio rápida: &#8211; Grupos de usuários.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/obalde.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-547" style="margin: 5px;" title="obalde" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/obalde.jpg" alt="" width="180" height="197" /></a>Pronto! Estava criado o <a href="http://www.flash-brasil.com.br/">Flash Brasil</a>, Fernando Ferreira, um amigo e ex-aluno (eu dava aulas particulares de Flash em domicilio) criou uma lista de discussão exclusiva para o Flash Brasil e me obrigou de todo jeito a registrar um domino próprio. Logo em seguida fomos convocando os interessados nas listas de discussão, que como falei eram as redes sociais da época, ao menos no tocante interação, crowdsourcing e disseminação (rolou um dejavue ai?).</p>
<p>Nossa primeira missão coletiva seria traduzir o tutorial do Flash 2, que era bem legal, tivemos colaboradores de diversos estados Brasileiros e um ilustre e participativo colaborador de Portugal, José Reis que meses depois criou o Portugal Flash Clube.</p>
<p>O Balde ao lado continha todo o time dos fundadores e apoiadores do Flash Brasil na época, a montagem foi feita pela Artista Plastica Sonia Ro, e o logo foi uma criação do Designer Fábio Carvalho. Na foto tem dentre outros, Eu, o Fábio Carvalho, a <a href="http://pt-br.facebook.com/profile.php?id=524727689">Sonia RO</a>, <a href="http://www.kekainteractive.com/">Keka Marzagão</a>, <a href="http://banheirofeminino.com.br/">Andrea Cals</a>, <a href="http://www.reunamos.com/">Jorge Carcavallo</a>, Fernando Ferreira, <a href="http://smartlabsf.com/">André Franco</a> e Regis Paixão (Stereoman) e o &#8220;Flash Gordon&#8221;, se você se achar no balde avise-nos.</p>
<p>Pouco tempo depois minha vida mudaria, e eu não havia imaginado e nem planejado nada, foi tudo acontecendo como conseqüência do networking que eu havia iniciado meses antes. Fui convidado pela Macromedia para ser um dos beta tester do Flash 3, a nova versão do Flash, e logo que foi lançado pude tornar isto público. Não demorou muito recebi um convite da Agência digital mLab (que não existe mais) para treinar toda sua equipe de web, na semana seguinte um convite da TV Globo para treinar sua equipe de web, e logo em seguida fui para a FENASOFT a convite da Macromedia para falar do novo Flash 3, fui de ônibus para economizar. Ao chegar lá recebi um convite da <a href="http://www.eng.com.br">ENG</a> para dar treinamento em Flash 3, e foi uma semana de uma rotina alucinante, curso de dia e FENASOFT à noite. No fim, com um bom resultado resolvi voltar de avião, mal sabia eu que estava iniciando a fase mais &#8220;voadora&#8221; da minha vida.</p>
<blockquote><p>Voei por todo o Brasil, e dei cursos em diversas cidades: Porto Alegre, Joinville, Jaraguá do Sul, Curitiba, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Porto Seguro, Salvador, Vitória da Conquista, Recife, Manaus e por muito pouco não fui dar um curso em Angola. Neste meio tempo ainda fui em São Francisco na sede da Macromedia e na UCON 99, e em Nova York na UCON de 2001.</p></blockquote>
<p>Voltando à 97, um jornalista de uma revista de TI entrou em contato comigo para ajuda-lo em um artigo sobre o ainda pouco conhecido Flash, ajudei o quanto pude e ao sair nas bancas pude ver o quanto ele citou o Flash Brasil e a mim na matéria, estava me tornando uma celebridade e não sabia. Ele me indicou ao Jornal <a href="http://www.odia.com.br">O Dia</a> para uma matéria no caderno de informática, foi uma longa entrevista com muitas fotos, dentre os assuntos informados, citei que teríamos nosso segundo encontro de usuários na <a href="http://www.unicarioca.edu.br">Universidade Carioca</a> (que gentilmente cedia o espaço com toda a infra-estrutura) como no primeiro não tivemos nem 20 participantes, no segundo alocamos uma sala menor. Eu nunca havia percebido o poder de um hub como o Jornal O Dia, mas tivemos mais de 400 participantes, radio <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm">CBN</a> e outras coisas mais, e o numero de usuários no site saltou de 50 para 4000 em poucas semanas. Dai foi a TV (GNT) programa Hipermidia que me entrevistou junto com o Eduardo de Souza, fui parar na TV e alavancamos um sucesso exponencial. Neste meio tempo, criei em 98 a Arroba Brasil, a empresa que foi apresentada ao público com o nome fantasia de Flash Brasil, e que seria por alguns anos um dos mais importantes parceiros comerciais da Macromedia no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/colecao.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-544" title="colecao" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/colecao-892x1024.jpg" alt="" width="714" height="819" /></a></p>
<p>Mas e as mídias sociais ? Como assim? Tudo foi uma conseqüência delas, e tudo ficou grande, a lista de discussão tinha milhares de usuários, uma intensa troca de conhecimento, uma gigantesca conversação, o site abrigava diversos tutoriais e outras coisas legais, e eu começava à entender que treinar pessoas em web e vender software da Macromedia seria um bom negócio.</p>
<p>Resolvi juntar tudo no site, o acesso a internet continuava via dial up, mas ao menos já existiam os planos de acesso ilimitado e isto começou a mudar o paradigma, tornando o browser uma ferramenta mais interessante para interagir na web, do que o outrora mais usado cliente de email.</p>
<p>Eis que surge o ICQ (o meu é <a href="http://www.icq.com/people/5277707/">5277707</a>), um fabuloso software Israelense que permitia uma comunicação síncrona e juntar diversas pessoas formando uma sala de chat a qualquer momento.  Estávamos ai com uma nova e poderosa ferramenta de conversação, o grupo agora se reunia via ICQ e as coisas começaram a acontecer mais depressa. Neste momento o hábito de virar a noite na Internet se consolidou, como a tarifa telefônica era barata de meia noite às 6h, era neste período que encontrávamos todo mundo online, a olheira passou uma característica Nerd. Foi desta forma que tocamos nossos projetos, a tradução dos manuais do Flash, o &#8220;mega fail&#8221; <a href="http://entropia.blog.br/2008/10/12/acessibilidade-a-mesma-mancada-10-anos-depois/">projeto Blindness</a>, a famosa <a href="http://www.flash-brasil.com.br/files/fb/flash/entrevista.html">entrevista com o Gabocorp</a> feita pelo <a href="http://nandop.com/">Nando Pereira</a>, e até o <a href="http://www.flash-brasil.com.br/files/fb/flash/banners.html">primeiro banner falante do Brasil</a>.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/montagemMMUG.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-548" style="margin: 5px;" title="montagemMMUG" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/montagemMMUG.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Bom, um dia eu peguei o site do Flash Brasil, que tinha apenas tutoriais e coisas legais e um link para cadastrar os usuários na lista de discussão e coloquei la um link para meus cursos, e uma promoção de software. Estava inaugurado um novo modelo de negócios que chamou a atenção da Macromedia, que acabou me convidando para a UCON 2001 em NY (montagem ao lado), com tudo pago, <a href="http://web.archive.org/web/20010708140159/www.ultradev-brasil.com.br/ucon/palestra.asp">para explicar aos lideres de grupos de usuários de todo o mundo o modelo de negócio que havia inventado</a>. Pensei eu, ué? Mas não fiz nada demais, apenas juntei tudo em um site e está dando certo. Fui lá, falei, e eles me ouviram e me entenderam, caramba! Na hora do almoço fui interpelado pelo <a href="http://www.linkedin.com/profile/view?id=603387">Christel De Mayer</a>, empreendedor Belga que ficou pasmo de saber que no Brasil ja existia banda larga, que na Bélgica ainda era muito dificil!  Depois assisti à diversas palestras, do <a href="http://www.hillmancurtis.com/">Hillman Curtis</a>, Linda, e finalmente de &#8220;um tal de <a href="http://www.sensible.com/">Steve Krug</a>&#8221; que falava do seu <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21418058/nao+me+faca+pensar+-+usabilidade+na+web+-+2ºed.+-+100+colorido&amp;franq=128026">novo livro e de uma tal de Usabilidade</a>, o dia seguinte o tema reinante era este, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Usabilidade">usabilidade</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Acessibilidade">acessibilidade</a>. Comprei o livro de Krug, e ainda <a href="http://twitpic.com/1epgo">ganhei uma dedicatória</a>. Na volta ao Brasil, como ele mesmo recomenda no livro, o li durante a viagem.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/28617073.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-553" style="margin: 5px;" title="Estande no 2º EWD" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/28617073-300x225.jpg" alt="Estande da Flash Brasil no 2º Encontro de Webdesign" width="300" height="225" /></a>Chegando aqui, dei três palestras no <a href="http://www.arteccom.com.br/encontro/encontro_2/">2º Encontro de Web Design</a>, uma delas sobre Usabilidade. Tive um quorum relativo, e certeza de que passei a mensagem, mas nunca mais encontrei ninguém que assistiu minha palestra, eu fazia uma analogia com a mobilia de um escritório, foi legal. Meses depois Bin Laden resolve bagunçar tudo, e com a queda do World Trade Center, milhares de empresas de Internet ruiram juntas. Eu não fiquei de fora, mas ainda fiquei sobrevivendo por alguns anos, mas nada mais era como antes, o cinto apertou, a mina de ouro secou.</p>
<p>Quando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_O%27Reilly">Tim O&#8217;Reilly</a> lançou um evento chamado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0">web 2.0</a>, eu não dei muita importância, vi apenas que era um evento sobre tendências na internet, e o termo web 2.0 passou a ser usado como a &#8220;nova internet&#8221;, a internet onde o usuário era o elemento mais importante. Dai deu um estalo&#8230; Putz! Claro! Em 2001, com o conceito de usabilidade os caras sem perceber, ou percebendo, estavam mostrando um sinal, fraco, mas efetivo que determinaria uma mudança de paradigma: A web EGO centrada mudou para a internet centrada no usuário, mas isto não foi uma coisa instantânea, e nem foi determinada por ninguém. Simplesmente, a maior preocupação com o usuário levou à percepção de que ele queria mais do que ser um leitor passivo, e que não queria usar os formatos disponíveis de interação. Queria ser ele um produtor e consumidor de informação, logo depois surgiram termos como DIY, Prosumer, UGC e outros.</p>
<p>De 2000 à 2004 eu criei o <a href="http://web.archive.org/web/*/http://www.ultradev-brasil.com.br">Ultradev Brasil</a>, um site com tudo que eu havia imaginado e aprendido com o Flash Brasil, usuários cadastrados poderiam submeter materias, e coisas legais sem intervenção dos moderadores, e ainda ganhavam pontos com isto, indicavam novos membros e ganhavam pontos. Os mais pontuados do mês ganhavam brindes como livros, softwares e gadgets que a Macromedia enviava. No Ultradev Brasil eu criei o conceito de regionalização, as pessoas tinham uma area especifica dentro do site, onde se conectavam e interagiam com outras pessoas do seu estado e geravam conteúdo local. Bom, ai a Macromedia decidiu fundir o Ultradev com o Dreamweaver e o site ficou assim, meio perdido e acabou&#8230;</p>
<p>Em 2005 decidi que era hora de fechar o Flash Brasil também, tirei o site do ar por 40 dias e tive de retorna-lo, pois recebi um monte de email me pedindo isto. Isto me fez pensar se eu realmente tinha o direito de tirar o site do ar, de forma prática sim, mas se eu levasse em conta que la tínhamos diversos conteúdos produzidos pelos usuários, e que o site ajudava milhares de pessoas todos os dias me vi num dilema. Dilema este que falei a respeito no <a href="http://www.webpaulo.com/barcamprio-eu-fui.htm">primeiro Barcamp do Rio</a> em outubro de 2007, sob o título: A crise existencial do conteúdo 2.0. Tentei levar o discurso para uma esfera mais filosófica, mas acabou ficando na técnica mesmo.</p>
<p>Ainda em 2005 eu fiz uma palestra online sobre a <a href="https://admin.adobe.acrobat.com/_a17673838/p87679848/">Dinastia do Flash no Brasil</a> e la fazia em paralelo uma história da Internet no Brasil, se você leu até aqui, acredito que possa dispor de uma hora e meia para assistir a palestra, que de todas que dei, foi a que mais me emocionou, e você pode <a href="http://www.slideshare.net/jccaribe/dinastia-do-flash-no-brasil-presentation">ver e baixar os slides</a> se quiser.</p>
<p>Por enquanto é só pessoal!</p>

<p>No related posts.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Chega de trololó! Vamos aos fatos e Dilma na cabeça!</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Oct 2010 19:50:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ <p>Interessante infográfico feito pelo Designer Bruno O. Barros, ele mostra de forma simples, consistente e objetiva as grandes diferenças de feitos dos governos FCH+Serra X Lula + Dilma.</p> <p> Veja o panfleto num tamanho maior! Via @IlustreBOB</p> <p>Related posts: A Internet sob cerco, os hackers não são o perigo real A singularidade das multidões </p>
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<p>Interessante infográfico feito pelo <a href="http://ilustrebob.com.br/2010/10/lula-vs-fhc/">Designer Bruno O. Barros</a>, ele  mostra de forma simples, consistente e objetiva as grandes diferenças de  feitos dos governos FCH+Serra X Lula + Dilma.</p>
<p><a href="http://ilustrebob.com.br/2010/10/lula-vs-fhc/"><br />
<img src="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg" alt="" width="600" /></a><br />
<a href="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg">Veja o panfleto num tamanho maior!</a><br />
Via @<a href="http://twitter.com/ilustrebob">IlustreBOB</a></p>

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		<title>Desculpe, mas eu te enganei este tempo todo&#8230;</title>
		<link>http://entropia.blog.br/2010/09/30/desculpe-mas-eu-te-enganei-este-tempo-todo/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 05:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ <p>Quem não perde o chão com uma confissão destas? Dá logo um frio na barriga, a testa começa a transpirar, as mãos ficam geladas, a respiração forte e o coração parece querer sair pela boca. A expressão de incredulidade se mistura com a do ódio, o chão desaparece e você sai juntando os cacos, [...]
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<p>Quem não perde o chão com uma confissão destas? Dá logo um frio na barriga, a testa começa a transpirar, as mãos ficam geladas, a respiração forte e o coração parece querer sair pela boca. A expressão de incredulidade se mistura com a do ódio, o chão desaparece e você sai juntando os cacos, porque suas convicções acabaram de se despedaçar.</p>
<p>Se você passa dos trinta, só usa a Internet para funções básicas e costuma pautar suas opiniões pela mídia recomendo que pare de ler este post agora ou prepare seu coração para a revelação que vem a seguir.</p>
<p>Antes do advento da Internet quase todas as informações nos chegavam pela mídia, rádio, TV, jornais e revistas, e alguma informação exclusiva do papo de bar ou de algum amigo bem informado. Não existia comunicação em rede, a maioria das informações nos chegavam via veículos de massa. Nossas escolhas se davam entre poucos veículos, e a diversidade era praticamente nenhuma. Em linha gerais elegíamos nossos veículos de confiança e pronto, não existia como confronta-los para saber se determinada informação era plausível e correta ou não, tinhamos de confiar, éramos da <strong>geração cultura da confiança</strong>.</p>
<p>Para esta geração os assuntos giram em torno dos fatos apresentados pelos veículos da grande mídia, as opiniões sempre dadas por especialistas no tema, e raramente se questionava o grau de conhecimento dos especialistas e a imparcialidade do veículo, a geração da confiança acredita nos seus e pronto. Bastavam que dois veículos de confiança apresentassem a mesma posição à cerca de um tema e pronto, era a verdade absoluta!</p>
<p>Mas o quanto se pode confiar neles de fato? Para isto temos de voltar para o início da década de 60, quando houve o Golpe de 64. Muitos veículos foram úteis para criar um clima favorável ao Golpe, seja por inocência ou por interesse, e muitos veículos e grupos de comunicação cresceram exponencialmente durante a ditadura.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/KxpP5F7NF5g" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p>Dentro das estratégias dos golpistas, havia uma necessidade de levar rápida e eficientemente informação e entretenimento à maior parte da população, foi nesta época que foram instaladas o maior número de repetidoras de TV, e enquanto a venda dos aparelhos de TV disparavam o preço do aparelho despencava, a razão manifesta era para a nação torcer na copa da 70. Todos juntos vamos pra frente Brasil&#8230;. Brasil Ame-o ou deixe-o&#8230; Uma festa! mas a motivação latente, aquela que não se percebe de primeira, era manter o povo entretido e (de)informado enquanto as coisas aconteciam no alto comando lá no Planalto Central, e ninguém ouvisse os gritos vindo dos porões da ditadura ou questionasse suas motivações, tudo não passava de um maniqueismo fantasioso bem planejado para a implantação da Ditadura.</p>
<p>A estética sempre foi um fator aliado à confiança, veja por exemplo o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=LQee_J0K4BY">Manifesto porta na cara</a>, quanto melhor a estética maior a confiança, dai a necessidade de estabelecer um padrão de qualidade como nos mostra o documentário <a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038#">Muito Além do Cidadão Kane</a>, a manutenção de um padrão de qualidade esta intimamente relacionado à seriedade e confiabilidade. Não vá me dizer que aquela revista semanal em papel couchê com fotos bem feitas, diagramação impecável e infográficos lindos não parece mais confiável que outra publicação feita em papel reciclado e com tinta a base de soja, e é justamente o contrário! Eu não quero dizer que não se tenha de investir na estética, mas é justamente neste caminho que os veículos se distanciam e o problema não é necessariamente a estética e sim a percepção, a relação latente que se tem com ela, e é ai que o Brasileiro entra bem. Esta relação com a estética, entretenimento e informação atuam na nossa subjetividade, é quase um canal subliminar para manipular-nos.</p>
<p>Estas estratégias aliadas a tantas outras que foram apontadas pelos grandes filósofos da comunicação transformaram a comunicação e uma arma, junte isto à <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E">cultura de consumo</a> de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Lebow">Victor Lebow</a> e presto! Conseguimos tudo, o povo vai estar bem ocupado neste ciclo vazio e irracional e nos do poder podemos nos manter seguros onde estamos.  Se estes detentores do quarto poder tivessem um ataque de sinceridade eles falariam para você: <strong>Desculpe, mas eu te enganei este tempo todo&#8230;</strong></p>
<p>Sinto muito meu amigo, você chamava seu filho, sobrinho ou seja lá quem for de alienado só porque ele ou ela passavam muito tempo frente ao computador, agora vai ter de admitir que alienado era você, afinal acima de tudo também não via nada de errado em passar muito tempo em frente a TV ou lendo jornais coloridos e revistas em papel couchê não é?</p>
<p>Uma nova sociedade esta surgindo com o advento da Internet, esta maldita Internet segundo o <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">tripé do atraso</a>, esta sociedade conectada não assiste muito TV, não gosta nem de jornais e nem de revistas, mas nem por isto é desinformada, é alias muito mais bem informada que você. Eles nasceram e cresceram no meio de uma tsunami de informação, dentro de uma cultura da abundância e entendem o ciberespaço como uma extensão de sua memória. Esta nova geração lê muito, aprende muito, debate muito, mas tudo na tela, no metaverso, no reverso da lógica e na contramão do passado. Não confiam em nada e nem ninguém, suas relações se dão por muitos laços fracos, suas convicções por muita desconfiança e suas amizades por afinidade ideológica. Como bom espécime da pós modernidade este novo individuo se permite mudar de opinião quantas vezes julgar necessário. A construção de seu conhecimento e sua subjetividade se dá através da comparação, faz uso da inteligência coletiva como se fosse sua, e no fim chegam a uma conclusão que pode mudar mais adiante sem culpas nem ressentimento, eles são a geração da <strong>cultura da desconfiança</strong>.</p>
<p>Por fim, a <a href="http://entropia.blog.br/2007/12/16/a-instantaneidade-o-crowdsourcing-e-o-jornalismo-social/">mídia como conhecemos precisa se reciclar</a>, ela sempre focou na mensagem média para o usuário médio padronizado, mas em tempos de cauda longa o que mais temos é a diversidade, clusters e mais clusters com participantes tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais e igualmente voláteis e nem tão volúveis como se imagina. Se a mídia não se reciclar ela se tornará obsoleta quando a geração da cultura da confiança for maioria, daqui pouco menos de duas décadas&#8230;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Recomendo a leitura do meu artigo: <a href="http://www.revista.espiritolivre.org/?p=625">A matriz de forças da sustentabilidade na página 37 da edição 17 da Espirito Livre</a>.</p>

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		<title>A melhor democracia que o dinheiro pode comprar</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 22:03:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/fhc-serra.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-423" title="fhc-serra" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/fhc-serra.jpg" alt="" width="470" height="313" /></a>É um titulo perfeito para o momento onde o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/PIG">PIG</a> se junta com os militares para organizar um ato esquizofrênico intitulado a democracia ameaçada. Como sempre tem um monte de trouxa que cai nesta, afinal o PIG é o propagador dos <a href="http://entropia.blog.br/2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/">mantras da irracionalidade</a>, e sabemos muito bem que <a href="http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2043">não existe democracia ameaçada nenhuma</a>, e que na verdade o PIG se sentiu intimidado porque a <a href="http://mariafro.com.br/wordpress/?p=19472">sociedade se organizou para cobrar mais responsabilidade de seus veículos</a> que agem como se fosse imparciais mas que possuem uma clara preferência partidária.</p>
<p>O título é na verdade o título do <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/230284/melhor+democracia+que+o+dinheiro+pode+comprar,+a&amp;franq=128026">livro</a> de <a href="http://www.gregpalast.com/">Greg Palast</a>,  jornalista investigativo que se especializou em investigar as entranhas do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo">Neoliberalismo</a>, e botar para fora todo tipo de excremência que esta turma produz mundo afora. Não me surpreendi nem um pouco quando li o primeiro capítulo, dedicado ao Brasil!</p>
<h3>Sua Excelência Robert Rubin, Presidente do Brasil</h3>
<p>O <a href="http://www.doutrina.linear.nom.br/historia/Hist%F3ria_Sua%20Excel%EAncia%20Robert%20Rubin,%20Presidente%20do%20Brasil.htm">capítulo</a> fala da reeleição de Fernando Henrique Cardoso como presidente marionete do Brasil, marionete esta comandada por Robert Rubin, não esta entendendo? Bom então vamos dar uma ajuda.</p>
<blockquote><p>Em outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado. Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos.</p>
<p>Mas, não existem milagres.</p>
<p>Quinze dias depois da posse de FHC. o real despencou e morreu. Seis meses depois da eleição, ele tinha aproximadamente a metade de seu valor no dia da eleição. A inflação está aumentando e a economia implodindo. A taxa de aprovação de Cardoso, que se revelou um incompetente e uma farsa, caiu para 23% do eleitorado. Tarde demais. Ele já havia colocado a presidência no bolso.</p>
<p>Quer dizer, mais ou menos. Não restava muito da presidência de Cardoso além do título. Todas as políticas importantes do orçamento ao emprego, são ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e seu órgão irmão, o Banco Mundial. E por trás deles, dando as cartas, estava o secretário do tesouro, Rubin que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Mahattan. Mas esse é o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral. Pois foi o secretário do Tesouro quem, junto com o FMI, manteve a moeda brasileira alta.</p>
<p>Rubin tem bons motivos para manter a dúbia moeda brasileira, além de ajudar FHC. Sabendo muito bem que a moeda seria destroçada logo depois da eleição, o Tesouro dos EUA garantiu que os Bancos Americanos conseguissem tirar seu dinheiro do país em condições favoráveis. Entre julho de 2002 e a posse em janeiro do ano seguinte, as reservas em dólar do Brasil caíram de 70 bilhões de dólares para 26 bilhões de dólares, um sinal de que os banqueiros pegaram seu dinheiro e fugiram. Mas, a moeda permaneceu em alta antes da eleição porque os EUA deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI.</p>
<p>E também se deixou muito claro para os eleitores que os fundos seriam entregues a FHC, e jamais ao Partido dos Trabalhadores, da oposição. O apoio da elite internacional a FHC foi selado pela presença em julho, no Rio, de Peter Mandelson, cão-de-caça político do primeiro ministro britânico, Tony Blair. O estranho e inédito apoio de Mandelson a FHC marcou o ingresso oficial de Cardoso no projeto da Terceira Via de Clinton e Blair.</p>
<p>Um mês após a reeleição de Cardoso, o FMI ofereceu devidamente ao Brasil, um crédito no total de 41 bilhões de dólares. O Brasil não ficou com nada disso, é claro. Qualquer parcela que tenha realmente pingado no país embarcou no primeiro avião com os investidores e especuladores que o abandonaram.</p>
<p>Agora, os brasileiros têm que pagar a dívida. Mas essa é a menor de suas preocupações. Como parte da magia negra para manter a taxa de câmbio antes da eleição, Washington pressionou o Banco do Brasil a elevar a taxa de juros básica para 39%. O FMI pressionou por 70%. Nas ruas de São Paulo, isso se traduziu de taxas de juros de até 200% sobre empréstimos privados e créditos a empresas.</p>
<p>A confirmação do esquema de Rubin para salvar tanto FHC quanto os Bancos Americanos vem de uma fonte das mais interessantes: Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard. Sachs é mais lembrado como a Mary Tifóide do neoliberalismo, que disseminou teoremas do mercado livre e a depressão econômica pela extinta URSS. Sachs, que continua entre o falante grupo de atores no circulo das finanças internacionais, disse-me: “Você podia ver a economia [brasileira] caindo do precipício. Foi uma câmera-lenta. Mas, em vez de evitar a queda pela desvalorização controlada Washinton e o FMI incentivaram vigorosamente taxas de juros acima de 50%”, ele disse. “Washington queria a reeleição de FHC” , dando seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.</p>
<p>Se o Golpe de Estado de Rubin pareceu bem praticado, foi porque ele usou o mesmo método em 1994 para tornar-se presidente de fato do México. Mais uma vez, um partido governante sem credibilidade voltou ao poder pela força de sua moeda e das promessas de apoio dos EUA. Quatro semanas depois da posse do presidente Ernesto Zedillo o peso despencou, enquanto os credores americanos do México foram salvos por um fundo de empréstimo especial dos EUA.</p>
<p>FHC sabe que não adianta culpar as manipulações de Rubin pelos problemas do Brasil. Em vez disso, com ajuda de uma imprensa de direita (marrom), ele e o FMI atribuem o colapso econômico a vilões conhecidos: funcionários públicos, aposentados e sindicatos. São acusados de estourar o orçamento do governo.</p>
<p>Isso é maluquice. Os pagamentos dos juros, comenta Sachs, equivalem a monstruosos 10% dos gastos do país e são totalmente responsáveis pela duplicação do déficit federal. Comparadas a isso, as aposentadorias dos funcionários, principal alvo dos cortadores de orçamento, são uma gota no oceano.</p>
<p>Mas a analise de Sach é incompleta, ele diz que o “FMI falhou” porque os juros altos causaram a crise e a depressão. Está enganado. A crise é um elemento deliberado do plano.</p>
<p>A crise tem suas utilidades. Somente em caso de pânico econômico Rubin e o FMI podem soltar os Quatro Cavaleiros da Reforma: eliminar os gastos sociais, cortar a folha de pagamento do governo, quebrar os sindicatos e, o verdadeiro prêmio, privatizar empresas publicas lucrativas.</p>
<p>Mas, FHC não estava contente no papel de marionete de Rubin. Originalmente um sociólogo especialista em Teoria da Dependência, Cardoso deve ter lamentado pessoalmente a perda da soberania financeira de seu país.</p>
<p>Ele sobreviveu às eleições, mas a oposição varreu seu partido dos principais Estados, os novos governadores não lamentaram. Mostraram os dentes. Em janeiro de 1999, o ex-presidente Itamar Franco, recém-eleito Governador do Estado de Minas Gerais, recusou-se a pagar as dívidas com o Tesouro Nacional. Então outros seis governadores disseram a FHC o que qualquer pessoa sensata diria a um agiota que aumenta as taxas de juros de 10% para 60%: vá para o inferno. A imprensa mostra Franco como um bufão, enciumado de Cardoso. Seu objetivo é desviar a atenção da verdadeira ameaça a FHC e ao FMI: Olívio Dutra, popular governador do Rio Grande do Sul, era a estrela ascendente do Partido dos Trabalhadores. Filho de agricultores sem-terra, um militante jovem e educado da era da televisão, Dutra transformou a capital do estado em vitrine de desenvolvimento para o país.</p>
<p>Eles atacam Franco, mas é a Dutra que temem. FHC. Fez o possível para punir os gaúchos por sua eleição. Dutra não suspendeu os pagamentos ao governo federal, mas pagou os fundos, cerca de 27 milhões de libras, nos tribunais. FHC. reagiu com crueldade, retendo 37 milhões de libras em impostos coletados para o Estado de Dutra. O FMI bloqueou empréstimos para o Rio Grande do Sul. Contatado por telefone em seu escritório em Porto Alegre, Dutra disse-me que aceitava o fato de a crise exigir sacrifícios. Ele demitiu funcionários públicos, mas teve à audácia de sugerir à General Motors e à Ford que participassem do sacrifício e desistissem de isenções fiscais, que agora sangravam os cofres do estado.</p>
<p>O Brasil é um país rico, com um PIB, mesmo em depressão, de meio trilhão de dólares. Mas, como um hamster frenético na rodinha, está perdendo a corrida para captar seu próprio capital em fuga, que deve recomprar com taxas de juros de usura. Foi por isso que Dutra se esforçou tanto contra a privatização do banco de desenvolvimento de seu Estado, um motor da expansão autofinanciada do Rio Grande do Sul.</p>
<p>O Governador, que não é bobo, não desperdiçou balas contra o humilhado FHC. Ao organizar a resistência às exigências de Rubin e às condições de crédito do FMI, Dutra habilmente não visou as marionetes, mas seus manipuladores.</p>
<p>Dutra foi derrotado, e embora seu Partido dos Trabalhadores esteja na presidência (com Dutra como ministro), Lula está na prisão dos devedores, algemado pelas obrigações com o Citibank e seu braço policial, o FMI. E Rubin foi eleito para o cargo muito mais alto que o de presidente-sombra do Brasil: é presidente do comitê executivo do Citigroup, a corporação que é dona do Citibank, que é dono do Brasil.</p></blockquote>
<p>Esta vendo ai? Veja como fomos enganados, e manipulados. Não sou eu quem esta falando da imprensa manipuladora e golpista é o reporter investigativo Greg Palast, mas não acabou não, vamos ver como a história se desenrola.</p>
<blockquote><p>POSTAIS DO CARNAVAL DA DESVALORIZAÇÃO</p>
<p>Eu acabara de me servir mais uma dose da pinga caseira dE Zeb. Era dezembro de 1998. Estava brindando a três conquistas extraordinárias do Brasil que haviam ocorrido naquele dia.</p>
<p>A primeira era a aprovação de uma linha de crédito de 42 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para o Brasil. A segunda, relacionada à primeira, era um salto de 4% no valor das ações na Bolsa do país. A terceira era o anúncio pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de que o Brasil finalmente havia superado o Chile como economia mais desigual do hemisfério.</p>
<p>O BID calcula que 10% das famílias mais ricas do Brasil, hoje, recebam 47% da renda do país. Os 10% mais pobres recebem menos de 1%.</p>
<p>A expectativa de vida no Brasil é hoje a mais alta das Américas. Menos de uma em cada cinco crianças mais pobres do país completam a escola primária, menos ainda que na Bolívia e no Peru.</p>
<p>No entanto, o economista-chefe do Banco Mundial aplaudiu as “boas condições dos fundamentos econômicos do Brasil”. A pergunta é: boas para quem?</p>
<p>O que marca os que visitam São Paulo não é a pobreza, mas sua riqueza organizada: fileiras e fileiras de luxuosos prédios de apartamentos, shopping centers e torres de escritórios – frutos de um BIP quase tão grande quanto o da Grã-Bretanha.</p>
<p>Se eu deixar cair um copo pela janela do meu hotel de luxo, matarei uma galinha na favela lá embaixo, uma das numerosas cidades de barracos que inundam os espaços entre as extravagantes torres urbanas.</p>
<p>A pinga me ajuda a entender essa louca mistura de pobreza e riqueza. Assim como um cartão-postal do Rio de Janeiro completamente preto. Os moradores do Rio, a Cidade Luz, enviaram centenas desses cartões escuros aos políticos locais, num protesto contra a light, a companhia de eletricidade do Rio, hoje apelidada de Dark.</p>
<p>Em 1997, o governo federal privatizou a Rio Light, vendendo-a para a Electricité de France e a Houston Industries, do Texas. Os novos proprietários, que haviam prometido melhorar o serviço, rapidamente eliminaram 40% da força de trabalho da empresa.</p>
<p>Infelizmente, o sistema elétrico do Rio não está totalmente mapeado. Os funcionários d companhia elétrica guardavam na cabeça a localização dos cabos e transformadores. Quando foram demitidos, levaram consigo os mapas mentais.</p>
<p>Quase todos os dias um novo bairro ficava às escuras. Os proprietários estrangeiros culpavam o clima no oceano Pacífico. O Rio fica no Atlântico, é claro.</p>
<p>Mas para os proprietários em Paris e no Texas nem tudo era escuridão. As conseqüências dos cortes de salários e aumento de tarifas ajudaram os donos estrangeiros a obter dividendos de mil por cento. O preço da ação da Rio Light saltou de 194 reais para 259 reais.</p>
<p>Em 1998, o governo brasileiro pôs em leilão a empresa de eletricidade de São Paulo. Apesar de gritos e processos movidos por organizações de consumidores, a companhia foi ganha pelo único licitante, que pagou o preço mínimo pedido: o mesmo consórcio corrupto Houston-Paris. Imediatamente os novos donos anunciaram um excesso de mil funcionários.</p>
<p>O objetivo desta história de privatização é esclarecer os detalhes sórdidos, raramente relatados, do que o Banco Mundial chama de “criar um ambiente amigo do mercado”.</p>
<p>As condições dessa liquidação de ativos brasileiros são ditadas por um volumoso documento da consultoria americana Coopers &amp; Lybrand (hoje chamada Price Waterhouse-Coopers). Enquanto o termo “mercado” é borrifado por todo o texto, o projeto é feudal e não capitalista. A Coopers divide a infra-estrutura vendável do país em monopólios legalmente aceitáveis, destinados a garantir superlucros aos novos donos, na maioria estrangeiros, sem empecilhos do controle do governo ou da concorrência.</p>
<p>Ele tem como modelo o sistema medieval de “arrendamento fiscal”, em que, por um único pagamento, os reis permitiam que coletores de impostos limpassem os camponeses. Os termos da privatização beneficiaram outros clientes da Coopers, as mesmas companhias que faziam ofertas pelos ativos brasileiros.</p>
<p>O Banco Mundial afirma que a liquidação de todas as empresas públicas do Brasil foi lançada pelo governo brasileiro. “sem pressão externa”. Ah, claro!</p>
<p>A venda acelerada dos bens brasileiros – no valor de 40 bilhões de dólares em 2003 – é uma condição inegociável das linhas de crédito de banco e agências internacionais.</p>
<p>Supostamente, a venda de empresas públicas, portos e rodovias reduz as dívidas do país. Não é verdade. Privatizar a infra-estrutura reduz a dívida do governo, mas não a dívida pública. A menos que os cidadãos desistam da eletricidade e da água, o público ainda é responsável pelas dívidas desses serviços. Na verdade, o governo está cobrindo os custos dos seus empréstimos por meio de um terrível imposto regressivo, na forma de aumento dos preços da eletricidade e da água cobrados aos trabalhadores do país (e aos desempregados das favelas)</p>
<p>É claro que a elite brasileira recebe uma parte do saque. O governo exige que qualquer consórcio estrangeiro que compre propriedade estatal inclua um sócio da língua portuguesa. Provavelmente, você não ficará chocado ao saber que amigos do partido governante estão recebendo tratamento especial.</p>
<p>Em 1998, o Ministério das Comunicações e o diretor do programa de privatizações demitiram-se depois que transcrições de conversas em telefones celulares interceptadas revelaram suas tentativas de influenciar as ofertas por companhias telefônicas estatais, para favorecer amigos ligados a operadoras européias.</p>
<p>O processo de “reformas” imposto por credores externos não se limita à tomadas de bens estatais.</p>
<p>O Brazilian Council da Grã-Bretanha promoveu uma reunião em Londres, em novembro de 1998, sobre os serviços públicos do Brasil. Foi apresentado um plano para “melhorar a eficiência no mercado de trabalho”, financiado pelo Banco Mundial. Os brasileiros não deveriam ver o documento. Mas eu obtive uma cópia e decidi contar o que há nele.</p>
<p>O Plano Mestre do Banco Mundial propõe cinco aperfeiçoamentos para esse país que tem o menor compromisso com a educação e outros serviços públicos do hemisfério. Ele diz claramente;</p>
<ul>
<li>Reduzir salários e benefícios</li>
<li>Cortar pensões</li>
<li>Aumentar as horas de trabalho</li>
<li>Reduzir a estabilidade no emprego e o emprego.</li>
</ul>
<p>Mas a recompensa, a linha de crédito de 42 bilhões de dólares, não vai, em última instância, pingar sobre pessoas nos barracos?</p>
<p>Não, diz Ildo Sauer, professor de energia da Universidade de São Paulo (licenciou-se para exercer o cargo de diretor de Gás e Energia da Petrobrás – N.E.). “Tudo vai para saldar os prejuízos do jogo”. – o esforço frenético do governo para manter a taxa de câmbio do real contra o ataque de especuladores.</p>
<p>O Brasil está pagando juros incríveis de 40% sobre sua dívida interna para convencer sua elite a guardar o dinheiro em São Paulo, em vez de Miami. Os 42 bilhões de dólares não vão cobrir os juros de um ano.</p>
<p>Estive hospedado numa casa maravilhosa na praia, perto de Santos (por motivos de pesquisa, legitimamente cobrada do The Observer). O proprietário diz que a residência vale cerca de 500 mil dólares. É sua terceira casa. Ele paga imposto de propriedade de apenas mil dólares por ela.</p>
<p>Os pobres do município não mandam seus filhos à escola porque a captação de impostos não é suficiente para pagar livros, uniformes ou o transporte dos alunos.</p>
<p>E agora, dois anos depois, vemos que os 42 bilhões de dólares do FMI simplesmente permitiram que o banco americano deixasse o Brasil e os ricos espertos mandassem seu dinheiro para o exterior.</p>
<p>É março de 2000. Com a aproximação de terça-feira de carnaval, as conversas políticas ao som da batucada são sobre o salário mínimo, que a Constituição do país efetivamente fixa em 100 dólares pro mês. Com a desvalorização da moeda e a inflação maciça dos bens básicos (a eletricidade aumentou 250%), o mínimo deveria subir automaticamente de 130 reais para menos 170 reais</p>
<p>Sobre esse socorro à população de baixa renda, o presidente Fernando Henrique Cardoso, portados da tocha da Terceira Via na América Latina, permanecia inescrutavelmente perplexo. Mas seus ministros, as câmaras de comércio e seus acadêmicos encheram colunas de jornais com argumentos para se eliminar a “inflexibilidade” da Constituição.</p>
<p>Como tudo o mais durante o carnaval, o debate sobre o salário mínimo é uma farsa. A questão já fora decidida e anunciada em novembro de 1998 pelo Banco Mundial e seu primo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, em um relatório ao British Council em Londres (cujo segredo agora violo com alegria).</p>
<p>Em troca dos empréstimos usados para sustentar o valor do real – um completo fracasso -, o Brasil teria de cortar os salários e aposentadorias do governo e, em especial, fazer cortes nos serviços básicos como saúde e educação. Alguns salários e aposentadorias do Estrado são definidos como múltiplos do salário mínimo – por isso tem de ser cortado sem piedade.</p>
<p>Para aplicar sua decisão (ou, como diz o banco, para “ajudar”), o BID transferiu 160 milhões de dólares das verbas de saúde e seguridade social do Brasil para esse projeto “estrutural”. Nem todo o dinheiro foi desperdiçado. Minha própria dispendiosa viagem pelo Brasil foi paga com essas verbas, numa coordenação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da velha frente da CIA, a USIA. (Não pergunte)</p>
<p>Meu trabalho era instruir os brasileiros em processo democráticos para consumidores e sindicatos dentro dos direitos básicos de uma sociedade civil. Isso é bem americano: primeiro atire em suas pernas, depois dê a eles aulas de samba.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>A disputa sobre o salário mínimo é um tanto teórica nos estados do Norte do Brasil que cercam a bacia Amazônica, onde qualquer salário é um luxo. Por isso fiquei especialmente tocado pela batalha de um grupo, na maior parte dessa área da Amazônia, conhecido simplesmente como Donas da Casa. As mulheres, cujo trabalho típico consiste em colocar alimentos e roupas para os mais pobres dos pobres do país, deram um susto no complexo bio-industrial internacional com uma ação legal, aberta para elas pelos advogados do IDEC, uma associação de consumidores do Brasil, para impedir a venda pela Monsanto de soja “Round Up Ready”.</p>
<p>A Monsanto modifica o DNA dessas sementes mágicas para sobreviver a uma forte dosagem do herbicida da companhia, Round Up. Andréa Libério, uma líder da Casa, enfurece-se diante da alegação condescendente da indústria de que esse produto vai alimentar os pobres brasileiros, enquanto ela lê que os supermercados britânicos Tesco se recusam vender produtos contaminados por ele. No início, a briga das Donas de Casa parecia a de um peixe de aquário contra Godzilla. Mas os peixinhos estão ganhando.</p>
<p>A Monsanto, em vez de apresentar evidências num tribunal, entregou a defesa da companhia ao juiz em sua casa, à noite. Mas escolheu o juiz errado. Este, aparentemente, lembrava-se de um tempo não muito distante em que o governo militar ia à noite entregar as decisões “certas” aos juízes, ou os levava embora. O juiz Antonio Souza Prudente decidiu que os brasileiros não lutaram pára depor a ditadura militar e vê-a substituída por um comercial. Em seu tribunal, denunciou os visitantes noturnos e proibiu a venda das sementes manipuladas.</p>
<p>A decisão de agosto de 1999 encorajou o diretor da agência ambiental do país a aliar-se aos consumidores e às donas de casa. Não foi uma decisão profissional acertada – o presidente Cardoso o demitiu do cargo. Depois, o governo FHC foi favorável na apelação da Monsanto.</p>
<p>Mas a decisão do juiz parece juridicamente intocável. O Brasil, segundo meus conselheiros da embaixada americana, tem leis ambientais mais rígidas que os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, com multas maiores contra os poluidores. Olhei pela janela do carro para as colunas de fumaça cáustica que dá a partes de São Paulo a aparência do terceiro anel de Hades, “ah&#8230; Todo ano o presidente Cardoso decreta uma anistia, assim ninguém paga as multas”.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Antes de me reunir com o vice-presidente da Justiça do Estado de São Paulo, meu guia do Departamento de Estado sugere que eu use a nova linguagem criada por consultorias de grupos de interesse. Os cidadãos não são mais cidadãos, e sim “clientes”. O poder do mercado substitui os direitos humanos. “Existe toda uma atitude no Brasil em relação ao público”. Passamos por cima de alguns “clientes” que dormiam sobre as saídas de ventilação do hotel.</p>
<p>O secretário ficou contente ao me ver. Isso lhe deu uma desculpa para escapar de duras negociações com líderes dos Sem-Terra e Sem-Teto que haviam ameaçado montar um acampamento permanente em volta da Secretaria. Eu comentei em inglês: “The roofles meet the rubles” [ Os sem-teto encontram os sem-piedade]. Acho que a tradução foi difícil.</p>
<p>Enquanto garçons serviam xícaras de café, o homem do Departamento de Estado estava ansioso para me mostrar o lado progressista de FHC.. Apontou para a maquete de um grande edifício que ocupava a mesa do secretário. “Acho que é o novo projeto habitacional do governo”.</p>
<p>O secretário sorriu. “Na verdade, é nossa nova prisão. O mais moderno projeto americano. Imagino que seja colocar os “clientes” em ALGUM LUGAR.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Notas da entrevista.</p>
<p>Por que aquele homem estava cortando árvores? Para obter lenha para cozinha. Ele não pode comprar gás engarrafado. O preço aumentou 150% em um ano.</p>
<p>E por que? Porque o governo FHC. Eliminou os subsídios e controles do gás engarrafado.</p>
<p>Por que aumentou o preço do gás do país? Para que os que podem pagar prefiram o gás encanado ao engarrafado.</p>
<p>Por que o governo não promoveu o gás encanado? Para tornar a privatização da companhia estatal, Comgás, mais interessante aos investidores estrangeiros.</p>
<p>Por que vender a Comgás? Cardoso precisava de dez bilhões de dólares por mês só para pagar os empréstimos para salvar a moeda.</p>
<p>Quem a comprou? A Shell Oil e a British Gás.</p>
<p>Quando? Em 1997, pouco depois que Tony Blair mandou seu principal assessor em visita ao presidente Cardoso.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>“Relaxe, é carnaval” , me diz a embaixada. Lá está o presidente Cardoso num pequeno fio-dental verde, ajoelhado na frente de Bill Clinton. Ele cantando a balada de Jobim “Eu serei palhaço&#8230;”. De certa forma, os humoristas do desfile são mais verossímeis que a coisa real. Bem, chega. Tenho de vestir minhas plumas. Como diz o Departamento de Estado, “se você não consegue enriquecer, pelo menos pode ficar nu”.</p></blockquote>
<p>Entendeu por que não se deve votar em um neoliberalista ou você gosta de grande emoções? Se você gostou do texto vai adorar o livro <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/230284/melhor+democracia+que+o+dinheiro+pode+comprar,+a&amp;franq=128026">A Melhor democracia que o dinheiro pode comprar de Greg Palast.</a></p>
<p><em>Greg Palast é um dos mais importantes jornalistas investigativos Americanos, trabalha para o &#8220;The Guardian&#8221;, &#8220;The Observer&#8221;, asssim como a BBC, destaca-se entre os jornalistas, com suas obsessões pelas provas documentadas e seus minucioso métodos de pesquisa. Autor do Livro &#8221; &#8220;A melhor democracia que o dinheiro pode comprar&#8221;</em></p>
<p><em>Foto surrupiada do blog do &#8220;<a href="http://hariprado.wordpress.com/2010/02/07/so-a-implantacao-de-uma-ditadura-chavista-no-brasil-impede-a-vitoria-de-serra/">Prof Hariovaldo</a>&#8221;<br />
</em></p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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