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	<title>Entropia ! &#187; crowdsourcing</title>
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		<title>A Internet sob cerco, os hackers não são o perigo real</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2011 22:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Para quem pensa que os ataques são o real perigo que ronda a Internet, vamos deixar claro que não, o perigo maior é a criação do <a href="http://www.fundaj.gov.br/docs/inpso/cpoli/JRego/TextosCPolitica/Hobfreud/hbcap2.htm">Momento Hobbesiano</a> que a <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6062">mídia esta fazendo</a>. Ela fala de &#8220;onda de ataques&#8221; antes mesmo dos sites brasileiros terem sido atacados, como quem segue um script, o clima midiatico nos faz ter esta percepção <a href="http://entropia.blog.br/2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/">subjugando nossa subjetividade</a> como já sabemos. A mídia, ou melhor o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pig">PIG</a>, este mesmo que <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a-vida-imita-a-midia">cria maniacos como o Assasino de Realengo</a>, agora esta querendo criar mais um factoide, factoide este <a href="http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/06/vazamentos-de-hackers-incluem-dados-falsos-ou-ja-divulgados-na-web.html">sumariamente dizimado</a> pelo Altiere Rohr.</p>
<p>Veja o video abaixo que produzi para o Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas com base na palestra que proferi no Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas em Belo Horizonte no início deste mês, e entenda as reais ameaças que cercam a Internet, e surpreenda-se.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="http://player.vimeo.com/video/25104116" width="720" height="405" frameborder="0"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Os perigos da recentralização do mundo de pontas</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 21:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/crowdsourcing.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-661" title="crowdsourcing" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/crowdsourcing-300x167.jpg" alt="" width="300" height="167" /></a>A Internet foi concebida para ser operada de forma descentralizada,  justamente para resistir à um ataque nuclear, paranóia muito comum  durante o período da guerra fria. As maiores apropriações da rede foram  feitas justamente dentro desta premissa, tanto as apropriações  tecnológicas como o P2P como sociais como o crowdsourcing e o poder da  auto organização.  O P2P é um protocolo que permite a troca de pacotes  de pessoa à pessoa, ou melhor de muitas pessoas para muitas pessoas, com  isto é possivel transmitir uma considerável massa de dados, sem  sobrecarregar servidores ou braços da rede. O poder do crowdsourcing, da  inteligência coletiva e da auto organização continuam um mistério para  muitos, mas sabemos que sua base conceitual é justamente a  descentralização e a ausência de uma liderança e da ultrapassada  estrutura hierárquica.</p>
<p>Existem três manifestos que na minha opinião dizem muito a respeito  da  cibercultura, a nossa cultura, e das características fundamentais da   rede. São eles o <a href="http://www.cluetrain.com/portuguese/index.html">Manifesto Cluetrain</a>, o <a href="../2009/08/16/manifesto-da-cultura-livre/">Manifesto da Cultura Livre</a> e o <a href="http://brockerhoff.net/blog/2003/03/10/mundo-de-pontas-world-of-ends-2/">Mundo de Pontas</a>.</p>
<p>O mundo de pontas trata justamente desta questão da descentralização  que é a alma da cibercultura, a alma da internet. Ele mistura um pouco  da estrutura da rede com as pessoas, é um passeio pelas camadas da  conectividade como uma radiografia do complexo ecossistema social que se  forma no século XXI, e tudo de uma forma bem simples. O manifesto  destaca a clássica frase de John Gilmore: “A Internet interpreta a  censura como um defeito e roteia para  contorná-la”, numa constatação de  que é impossível censurar a Internet. Outro trecho interessante é na  declaração a seguir:</p>
<blockquote><p><strong>Não é o fim do mundo, é o mundo de pontas</strong></p>
<p>Quando Craig Burton descreve a arquitetura burra da Internet como uma   esfera oca composta inteiramente de pontas, ele está usando uma imagem   que mostra o que é mais extraordinário sobre a arquitetura da  Internet:  retire o valor do centro e você viabilizará um crescimento  louco de  valor nas pontas interconectadas. Porque, claro, se todas as  pontas  estão conectadas, cada uma com cada uma e cada uma a todas, as  pontas  deixam de ser pontos finais.</p>
<p>E o que nós, pontas, fazemos? Qualquer coisa que pode ser feita por qualquer um que quer mover bits.</p>
<p>Notou nosso orgulho em dizer “qualquer coisa” e “qualquer um”? Isso   decorre diretamente da arquitetura simples e burra da Internet.</p>
<p>Porque a Internet é um acordo, não pertence a nenhuma pessoa ou   grupo. Não às empresas estabelecidas que operam a espinha dorsal   (“backbone”). Não aos provedores que nos fornecem conexões. Não às   empresas de “hosting” que nos alugam servidores. Não às associações de   indústrias que acreditam que sua sobrevivência é ameaçada pelo que nós   outros fazemos na Internet. Não a qualquer governo, não interessa quão   sinceramente acredita que está tentando manter seus cidadãos seguros e   complacentes.</p>
<p>Conectar à Internet é concordar em crescer o valor na periferia. E aí   algo realmente interessante acontece. Todos estamos igualmente   conectados. A distância não importa. Os obstáculos desaparecem e pela   primeira vez a necessidade humana de conectar pode ser realizada sem   barreiras artificiais.</p>
<p>A Internet nos dá os meios de nos tornarmos um mundo de pontas pela primeira vez.</p></blockquote>
<p>Nos sabemos usar este ecossistema à nosso favor,  mas o establishment (<a href="../2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">Tripé do atraso</a>)  também sabe, ou melhor pode pagar para quem sabe trabalhar para ele.  Desde a campanha eleitoral, que venho afirmando categoricamente que a  Internet esta sofrendo um cerco técnico, altamente qualificado. São  verdadeiros profissionais que estão usando e analisando a estrutura da  rede e reduzindo comportamentos à modelos matemáticos, como um  derradeiro esforço para recuperar o poder do establishment, que vem se  diluindo rapidamente, e se não ficarmos atentos eles irão conseguir!</p>
<p>Os movimentos dos cercos técnicos, que é como chamo o movimento do establishment acima, atuam em diversas esferas, seja na <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=5740">trollagem</a>,  ou seja na manipulação das percepções e também agora parecem estar  atacando como verdadeiros lobos em pele de cordeiro no sentido de  recentralizar a web. O bacana disto tudo é que as duas teses dos perigos  da recentralização vieram de meu filho, um típico representante da  geração digital, sinal de que esta geração esta atenta. A primeira tese é  o perigo das nuvens e agora os práticos serviços de download remoto de  torrents.</p>
<h3>Nuvens podem causar temporais</h3>
<p>A midiaticamente propalada computação nas nuvens vem aos poucos  mostrando a sua verdadeira face, que é a a de recentralizar o mundo de  pontas, eu nunca havia percebido isto até que um dia meu filho me  apresentou o <a href="http://www.onlive.com/">Onlive</a>,  um site de jogos nas nuvens que a partir do pagamento de uma  mensalidade permite que você jogue até mesmo a partir de um set top box  para a TV. A Som Livre também lançou um serviço nas nuvens, o <a href="http://www.escute.com/musicstore/">Escute</a>,  musicas com DRM que estão disponíveis por uma pequena mensalidade, uma  conveniência que pode aprisionar, basta que tenhamos dispositivos moveis  com custos de conexão mais baixos e velocidades mais altas, o próximo  passo poderia ser a redução da &#8220;desnecessária&#8221; memória dos mesmos em  detrimento da &#8220;performance&#8221;, isto sem contar da &#8220;<a href="http://macworldbrasil.uol.com.br/noticias/2011/04/26/consumidores-processam-apple-por-rastrear-usuarios-de-iphone-e-ipad/">conveniente</a>&#8221; conectividade permanente.</p>
<p>Bom, mas onde esta o problema disto? Imagine que a moda pegue, nossos  computadores voltariam a ser terminais quase burros, conectados à  inteligente e centralizada nuvem para a qual pagariamos mensalidades  para termos acesso à nossas produções, preferencialmente em formato  proprietário. Ou seja, a inteligência da rede migraria para o centro,  tornando-se vulnerável e mais facilmente controlável. José de Alcántara  disponibilizou o e-book &#8220;<a href="http://www.versvs.net/la-neutralidad-de-la-red/">La neutralidad de la Red</a>&#8221;  que dada a importância o disponibilizou sob a forma de domínio público,  abrindo mão de quaisquer direitos. Neste e-book Alcántara faz  exatamente esta abordagem, observem as topologias de rede abaixo:</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/topologias.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-660" title="topologias" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/topologias.png" alt="" width="537" height="337" /></a></p>
<p>No livro ele descreve que na rede centralizada, toda comunicação  passa necessáriamente por um ponto central, de modo que o  desaparecimento deste ponto irá desarticular totalmente a rede. A rede  descentralizada é compostas de várias redes centralizadas  interconectadas, entretanto a ruptura dos nós centrais das redes, ou a  desconexão destas irá facilmente desarticular toda a rede, por fim a  rede distribuída é radicalmente diferente das demais, não existe nó  central, e a supressão de um ou mais nós não afetara a comunicação de  forma alguma, esta é a Internet que temos hoje.</p>
<p>Jose também fala dos riscos da recentralização, apresentando-o como  os serviços, não só das nuvens, como podemos entender as redes sociais  privadas, APIs e protocolos fechados e proprietários, veja este trecho  do livro:</p>
<h4>La recentralización de la infraestructura</h4>
<blockquote><p>Aparte de los proveedores de acceso a Internet, cuyo  objetivo  principal es el de hacer valer su posición privilegiada  -actualmente son  la única puerta de acceso real a Internet- para  obtener un beneficio  desproporcionado, existe otro grupo de empresas  que pretenden  desequilibrar la balanza de la neutralidad de la Red a su  favor: se  trata de los grandes prestadores de servicios por Internet.</p>
<p>En esencia, estos prestadores de servicio actúan ofreciendo sus   computadoras al público general, de forma que éste utiliza la   infraestrectura como si de un servicio centralizado más se tratase, en   lo que se conoce por el nombre de Infraestructura como servicio (Iaas).<a name="tex2html54" href="http://lasindias.org/la-neutralidad-de-la-red#foot227"><sup>2.43</sup></a>.</p>
<p>Estos servicios de infraestructura centralizados funcionan de muy   diferente manera e incluyen desde los servicios de computación en la   nube,<a name="tex2html55" href="http://lasindias.org/la-neutralidad-de-la-red#foot147"><sup>2.44</sup></a> en los que el prestador de servicio alquila computadoras y potencia de   cálculo para el propósito que el cliente desee, hasta los servicios de   software centralizado en los que el prestador de servicio no sólo   centraliza la infraestructura sino también el software. En general,   tanto uno como otro disminuyen el grado de distribución de la Red.</p></blockquote>
<p>Acredito que tenha ficado mais claro o grande risco da  recentralização da rede, recomendo fortemente a leitura do e-book de  Alcántara.</p>
<h3>Centralizadores de torrents</h3>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/nuvemdomal.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-662" style="margin: 5px;" title="nuvemdomal" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/05/nuvemdomal-263x300.jpg" alt="" width="263" height="300" /></a>O genial protocolo P2P, que é a base fundamental para a manutenção da  liberdade na rede na construção de mecanismos anti-censura como  sistematizado <a href="https://www.eff.org/deeplinks/2010/12/constructive-direct-action-against-censorship">neste texto na EFF</a>.  Como citado no inicio deste texto, é um protocolo que permite a  transferência otimizada de uma grande massa de dados sem sobrecarregar  servidores e braços da rede. Com base neste protocolo surgiu o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/BitTorrent_%28protocol%29">BitTorrent</a> um protocolo de distribuição de arquivos. O BitTorrent funciona  basicamente assim: Para cada arquivo ele constroi um mapeamento e vai  capturando partes de arquivos de diversos usuários, os seeders. Todo  usuário ao mesmo tempo que baixa um arquivo por BitTorrent esta ao mesmo  tempo enviando partes dele para outros, quanto mais &#8220;seeders&#8221; mais  rapidamente os arquivos são transferidos.</p>
<p>Surge então o <a href="http://leechmonster.com/">LeechMonster</a>,  um &#8220;prático&#8221; serviço que baixa os torrents para você &#8220;anonimamente&#8221; e  permite que você posteriormente os baixe via http ou ftp em alta  velocidade. Um prático serviço a principio, mas veja que ele irá tirar  milhares de &#8220;seeders&#8221; e será apenas um &#8220;seeder&#8221;, e aos poucos justamente  por falta de &#8220;seeders&#8221; o serviço se tornará mais indispensável, e na  mesma proporção irá matar o BitTorrent que se tornará uma solução muito  lenta, recentralizando a rede mais uma vez.</p>
<p>Portanto, fique atento, não aceite &#8220;almoço gratis&#8221; com facilidade,  pense antes se ele vai ser uma alta conta a pagar no futuro&#8230;</p>
<p>Foto: a imagem do globo com as peças foi produzida por <a href="http://www.sxc.hu/profile/lusi">Sanja Gjenero</a></p>
<p>Postado originalmente no <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=5814">Trezentos</a>.</p>

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		<title>Orwell &amp; Huxley um ensaio distópico</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 20:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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</ol>]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2011%252F04%252F14%252Forwell-huxley-um-ensaio-distopico%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Orwell%20%26%20Huxley%20um%20ensaio%20dist%C3%B3pico%22%20%7D);"></div>
<blockquote><p>Uma Distopia ou Antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utópica ou promove a vivência em uma &#8220;utopia negativa&#8221;. São geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo bem como um opressivo controle da sociedade. Nelas, caem-se as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. Assim, a tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, de instituições ou mesmo de corporações.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia">Wikipédia </a></p>
</blockquote>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/paleofuture.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-639" title="paleofuture" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/paleofuture.jpg" alt="" width="800" height="622" /></a></p>
<p>Nos meus tempos de criança costumava viajar no tempo assistindo às  séries espetaculares de ficção, nos anos 60 e 70 era o que tinha de mais  comum: Perdidos no Espaço, Viagem ao Centro da Terra, Terra de Gigantes  dentre outros. Nasci na década que o homem foi à lua e assisti junto  com minha família a transmissão ao vivo desta façanha, sempre fui <a href="../2006/01/02/o-moleque-chato/">fascinado pelo futuro</a>, pelo espetáculo da evolução e pelo avanço da tecnologia. O blog <a href="http://www.paleofuture.com/">Paleo Future</a> me remete àqueles tempos, onde a visão futurística nunca se  concretizou. Sempre curti ficção científica, mas ela sempre erra, é  muito difícil prever o futuro, afinal o futuro não é feito apenas por  idéias e conceitos, a sociedade é o grande determinante deste futuro,  quem poderia imaginar um smartphone há dez anos? Quem poderia imaginar a  Internet atual há dez anos? Eu tenho ousado imaginar como viveremos  daqui há vinte anos, <a href="http://pt.scribd.com/doc/20095761/2030-Rascunho-do-capitulo-1">estou escrevendo uma ficção</a>,  mas só o tempo irá me dizer se estava certo. Imagine então autores de  1932 e 1949 escrevendo sobre o futuro, devem ter errado feio!  Infelizmente não é o que parece. Em 1932 <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldous_Huxley">Aldous Huxley</a> escreveu a distopia “Admirável Mundo Novo” e em 1949 <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/George_orwell">George Orwell</a> escreveu “1984″.</p>
<p>Huxley descreve um mundo futurista com um país transcontinental, onde  os indivíduos são todos de proveta e manipulados geneticamente para que  se encaixem em determinada casta e nela permaneça satisfeito por toda  vida. No mundo de Aldous, a luxuria e o prazer são extremamente  estimulados e não existem vínculos afetivos, que são combatidos com o  estimulo à busca individual pela auto-realização. Neste mundo  hipotético, vive-se para o consumo e o prazer. Depressões e pensamentos  “negativos”, inclusive os de solidariedade, são combatidos com drogas de  consumo livre e estimulado. Em Admirável Mundo Novo, existem países que  não foram “civilizados” onde sua sociedade, dita selvagem, constrói  famílias e vínculos afetivos de forma natural, os sentimentos de  solidariedade, família e pertinência são muito comuns no mundo dos  selvagens.</p>
<p>Em 1984 o mundo futurístico também é compostos por países  transcontinentais, e o cenário é de total vigilantismo e totalitarismo.  Todas as residências são vigiadas pela “teletela” que pela descrição se  assemelha à uma TV que também transmite audio e video à uma central, livros e a  escrita privada eram proibidos. Ao contrário do cenário de Huxley, o de  Orwell prevê a manutenção da estrutura familiar, e coíbe veemente a  luxuria e o prazer. No mundo de Orwell todos trabalham pelo coletivo e  em sua maioria são funcionários do Estado. O lazer é coletivo, cidadãos  são praticamente obrigados a frequentarem clubes públicos, da mesma forma  que são obrigados à assistirem os discursos do “Grande Irmão”, que  parece ser um personagem criado para representar o lider supremo, mas  que ninguém nunca viu o rosto. Assim como a vida não tem valor algum na  distopia de Huxley, na de Orwell ela além de não ter valor, corre o  risco de nunca ter existido, pois o Ministério da Verdade, tem  por função apagar os registros históricos em todos os meios, de pessoas e  fatos que possam colocar o regime do Grande Irmão em risco.</p>
<p>Se analisarmos pela ótica econômica, o mundo de Huxley é o pior  cenário do capitalismo, enquanto que o mundo de Orwell o pior do  socialismo. Mas o que mais impressiona nas duas distopias, é sua  aderência ao cenário socio-cultural do século XXI, seguindo a máxima de  “Tostines” não saberemos dizer que Huxley e Orwell acertaram suas visões  ou se foram seguidos como quem segue uma cartilha.</p>
<p>No século XXI, ou melhor na sociedade pós-moderna, o capitalismo  segue em franca atividade, apesar da crise de 2008, por conta do  consumismo insano, que leva a sociedade a ver no consumo seu maior  objetivo de vida, quase uma religião. As pessoas são avaliadas por seus  padrões de consumo e o processo de obsolescência programada e percebida  criam constantemente signos e indicadores que acabam expondo quem esta  ou não dentro destes padrões.  O sistema financeiro  sustenta a vida  útil deste sistema perverso, adicionando novos entrantes sempre que  necessários.</p>
<p>Neste sistema que corrompe e aprisiona, seus participantes lembram os  hamsters que giram as rodas em suas gaiolas na expectativa de  encontrarem o seu final, tal como a maldição de Sisifo. Presos neste  sistema, pouco tempo sobra para os valores realmente importantes da  vida. Nossos filhos ainda não são produzidos em escala industrial como  na distopia de Huxley, mas os prisioneiros do consumismo estão sempre  terceirizando o afeto e educação de seus filhos, e de quebra estão  minando os laços afetivos, que passam a ser substituídos por laços de  consumo. Troca-se o afeto pelos presentes, estamos ensinando desde cedo a  nossos filhos que o consumo é ainda mais importante que as relações  cosanguineas, e que fazer girar a roda de Sisifo é a tarefa mais  importante de todas, custe o que custar! Não sei dizer se o alto índice  de divórcios se deve ao rompimento com valores conservadores ou se hoje  também tratamos nossos pares como produtos.</p>
<p>Constatar que nossa sociedade trata pessoas como bens de consumo, e  laços afetivos estão cada vez mais enfraquecidos, potencializados por  relações hedonicamente fúteis e luxuriosas, nos leva a pintar um cenário  muito parecido com o de Huxley, quanto mais se adicionarmos o estilo de  vida citado nos parágrafos anteriores.</p>
<p>Paradoxalmente, o capitalismo tido como o grande paladino que iria  salvar a humanidade do totalitarismo do socialismo, tem se tornado cada  vez mais um regime totalitário, mas como isto pode acontecer?</p>
<p>Estamos presenciando hoje em dia o surgimento de um quinto poder, o  do e-Cidadão, que vem a somar-se aos três poderes do Estado e o poder  das corporações. Os poderes do Estado estão limitados às fronteiras  geográficas das nações, por outro lado as corporações estão se tornando  gigantes transnacionais, e não só isto, estão crescendo tanto  verticalmente como horizontalmente, transformando-se em oligopólios. Se  levarmos em conta que das 100 maiores economias do planeta, 51 são  corporações, não temos mais dúvidas de que elas estão se tornando muito  mais poderosas que as nações, sobrepujando de forma cruel os três  poderes do Estado.</p>
<p>Felizmente estamos assistindo nesta primeira década do século XXI, o  surgimento de forças transnacionais de cidadãos conectados, que estão  derrubando ditaduras e promovendo mudanças substanciais dentro de suas  nações. Finalmente um poder que poderá se opor ao poder das corporações!  Enquanto o capitalismo é tido por Bauman como um parasita que corroí a  sociedade, quero concluir que a sociedade organizada e conectada, a  e-Cidadania, transformou-se no parasita que corroí o capitalismo. Estas  duas forças, ou blocos de poder são transnacionais e eficientes, ou  seja, a globalização social parece ter se dado de forma mais rápida e  eficiente do que a globalização econômica, e pior, se deu de forma  descontrolada, fugiu ao controle do establishment.</p>
<p>Não podemos nos esquecer da globalização politica, da criação de  grandes blocos como o surgido na Europa, que parece ser uma forma dos  três poderes do Estado ganharem força e transnacionalidade, mas que vem  dando claros sinais de que não vai muito bem. Estamos querendo  homogenizar o que não pode ser homogenizado, a diversidade é saudável em  qualquer sistema. Mas de qualquer modo esta tendência de formação de  blocos transnacionais nos remete às duas distopias, e faz sentido,  quanto menos interlocutores são necessários, mais fácil é a negociação.</p>
<p>Este cenário promete ficar ainda pior, pois vários especialistas  estão prevendo o crescimento ainda maior das corporações, que tenderão a  se tornar “mega corporações”, e com isto poderão ter um poder  praticamente ilimitado. Mas existe o poder da e-Cidadania para  contrapor-se a isto, a sociedade conectada esta compartilhando  conhecimento, arte, entretenimento, e até mesmo amor e compaixão sem a  necessidade do intermediário, ou não? Redes sociais também são  corporações e para piorar o cenário, os servidores raiz de DNS da  Internet estão subordinados à OMC!</p>
<p>Estamos sendo manipulados, estão nos dando linha como uma pipa que  sobe ao sabor dos ventos ascendentes? O poder corporativo poderá de uma  hora para outra apertar um botão e desconectar os e-cidadãos? De que  lado estão as corporações online, e de quem é o conteúdo que produzimos e  publicamos online nestas redes sociais?</p>
<p>Estamos caminhando para um novo totalitarismo, o totalitarismo do  capital, e o poder corporativo sabe que desarticular a e-cidadania não é  tão simples como mandar desligar os servidores raiz. Por esta razão  cria-se, com a ajuda laborosa da mídia mainstream. o momento Hobbesiano  com o objetivo claro de fazer crer que a Internet é um espaço sem lei,  para forçar o Estado a criar formas de controla-lo. O poder corporativo  só não mandou desligar a Internet porque assim como a sociedade ele  também depende dela, e depende de um rígido sistema de controle de  propriedade intelectual e industrial para impedir que os e-cidadãos  deixem de ser seus parasitas e volte a parasita-los livremente.</p>
<p>Pelo exposto nos temos de tomar algumas atitudes essenciais para evitar que sejamos cooptados por um novo regime totalitarista.</p>
<ul>
<li>Nos politizarmos 	mais, nos preocuparmos com as questões de nossa sociedade;</li>
<li>Aumentar a 	influência da sociedade civil na governança da rede;</li>
<li>Nos aliarmos os 	poderes do Estado;</li>
<li>Desconstruir 	incansavelmente o momento hobbesiano;</li>
<li>Pensar e construir 	alternativas para uma Internet;</li>
<li>Pensar local e 	agir global;</li>
<li>Repensar nossa 	relação com o consumo;</li>
<li>Pensar e novas 	formas de organização social.</li>
</ul>
<p>Créditos: A imagem foi obtida no <a href="http://www.paleofuture.com/">Paleo Future</a></p>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A Cauda Longa do Jornalismo</title>
		<link>http://entropia.blog.br/2011/02/08/a-cauda-longa-do-jornalismo/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 09:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Economia 2.0]]></category>
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		<description><![CDATA[ <p>Esta é uma atualização de um artigo meu publicado no Jornalistas da Web em 2008.</p> <p>É curioso como a humanidade tende a tratar transições e evoluções de forma apocalíptica. Foi assim com a chegada do rádio, da TV, e não poderia ser diferente com a Internet. O tema ficou em &#8220;banho maria&#8221; por alguns [...]
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<p>Esta é uma atualização de um artigo meu <a href="http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.php?pag=displayConteudo&amp;idConteudoTipo=2&amp;idConteudo=3118#">publicado no Jornalistas da Web</a> em 2008.</p>
<p>É curioso como a humanidade tende a tratar transições e evoluções de  forma apocalíptica. Foi assim com a chegada do rádio, da TV, e não  poderia ser diferente com a Internet. O tema ficou em &#8220;banho maria&#8221; por  alguns anos, pois além de não haver uma penetração considerável, ainda  não haviam soluções que dessem margem ao jornalismo colaborativo, ou  melhor, ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing" target="_blank">jornalismo crowdsourcing</a>.  Os anos se passaram, e a população conectada cresceu de forma  surpreendente. Nos Estados Unidos, 95% dos jovens estão conectados. No  Brasil, praticamente 50% da população acessa a Internet. Este  crescimento associado a ferramentas como blogs, microblogging,  fotoblogs, videoblogs, mapas, mashups e tudo isto potencializado pela  computação cada vez mais ubiqua, deu espaço a um novo jornalismo, ao  jornalismo crowdsourcing. E conseqüentemente ao interminável debate  entre o jornalismo tradicional e o jornalismo crowdsourcing. O primeiro  argumenta que o segundo é imaturo, e este, que o jornalismo tradicional é  jurássico.</p>
<p>É uma comparação impossível, é preciso levar em  consideração que uma grande mudança nas relações pessoais e econômicas  foi provocada pela Internet. Esta mudança foi sistematizada por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Anderson_%28writer%29" target="_blank">Chris Anderson</a>, em seu best seller &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cauda_Longa" target="_blank">A Cauda Longa</a>&#8220;.  A Internet possibilitou uma capilaridade nunca antes vista, atingindo  nichos renegados e muitas vezes totalmente desconhecidos. A principio, o  estudo de Anderson provocou surpresa, mostrando a todos que a cauda  longa é maior do que o mainstream, e engorda cada vez mais por conta  daqueles que viviam no mainstream e agora podem se juntar às suas  tribos. É preciso levar em conta que a imprensa tradicional esta focando  no mainstream, e que a imprensa social está focando na cauda longa.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-574" title="imagem_artigo_caudalonga1" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga1.gif" alt="" width="470" height="301" /></a></p>
<p>É  como se os leitores de fanzines habitassem a cauda longa, e os leitores  dos grande jornais, a cabeça da cauda, o mainstream, e isto não quer  dizer que esta relação seja excludente. Na prática, a capilaridade da  Internet permitiu conectar nichos com interesses similares, formando os  meganichos, que habitam o inicio da cauda, próximo ao mainstream. Quanto  maior o nicho, mais genérica a informação. A tendência do crescimento  dos meganichos, tanto em quantidades, como em tamanho, provoca dois  movimentos na cauda: ela engorda e se alonga. Engorda por conta  crescimento dos meganichos, e se alonga por conta dos novos nichos que  surgem.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-575" title="imagem_artigo_caudalonga2" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/imagem_artigo_caudalonga2.gif" alt="" width="470" height="301" /></a></p>
<p>Existe  um outro elemento importante, que é a informação. Abundante no  ciberespaço, é o catalizador da evolução. O crowdsourcing é a  personificação desta evolução. O cidadão conectado tem pressa, muita  pressa. A <a href="http://entropia.blog.br/2007/12/16/a-instantaneidade-o-crowdsourcing-e-o-jornalismo-social/">instantaneidade</a> é o resultado, ele quer saber agora, o que  acontece agora, quer interagir com a noticia. O Jornalismo cidadão é  visto como ruído pelo público mainstream, mas é extremamente eficiente  para seus apreciadores, e isto a velha mídia precisa entender e estudar.</p>
<p><strong>A questão da confiabilidade</strong></p>
<p>Constantemente  a credibilidade do jornalismo social é posta em xeque, os veículos  tradicionais defendem que somente eles estão aptos a noticiarem com  credibilidade, e que o jornalismo social não é confiável. Trata-se de  uma meia verdade, uma vez que os veículos tradicionais cometem  verdadeiras gafes, como o caso do &#8220;<a href="http://a8000.blogspot.com/2007/09/homem-diminui-dedo-para-usar-iphone.html" target="_blank">Homem diminui o dedo para usar o iPhone</a>&#8220;, noticiado pelo <a href="http://www.estadao.com.br/" target="_blank">Estadão</a>.  A confiabilidade do jornalismo social é diretamente proporcional ao  número de fontes, ou a credibilidade conquistada por algumas delas. Um  grande número de fontes permite ao leitor avaliar por amostragem o que é  ou não confiável, e assim construir a sua percepção de confiabilidade  de algumas fontes. Muitos blogs publicam matérias de alta qualidade e  confiabilidade, uma vez que, para alguns, o blog é uma fonte de status  e/ou receita, e o leitor é o seu mais valioso ativo.</p>
<p>Em termos de número de fontes, velocidade e interação, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Micro-blogging" target="_blank">microblogging</a> revelou-se um grande aliado do jornalismo social, e o <a href="http://twitter.com/caribe" target="_blank">Twitter</a> é de longe a mais popular ferramenta de microblogging. O caso do  incêndio na Califórnia foi notório, mas não o único coberto via Twitter.  A grande &#8220;sacada&#8221; é que em microblogging o texto é limitado a 140  caracteres e o <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:celular" target="_blank">celular</a> é uma potencial ferramenta jornalística. Textos via SMS para o Twitter, fotos e vídeos via email para o <a href="http://www.flickr.com/photos/buzzmakers" target="_blank">Flickr</a> e <a href="http://www.youtube.com/jccaribe" target="_blank">YouTube</a> respectivamente e, na outra ponta, temos a noticia em qualquer dispositivo. É o verdadeiro crowdsourcing jornalístico.</p>
<p><strong>Conectando os dois mundos</strong></p>
<p>Existem diversos projetos com o objetivo de conectar os dois mundos. O mais notório deles é o <a href="http://international.ohmynews.com/" target="_blank">OhmyNews</a>, um jornal colaborativo com &#8220;cara&#8221; de jornal. Outro projeto bem interessante é o <a href="http://paper.li/caribe" target="_blank">Paper.li</a>, que produz um jornal diário automático com base no que você e quem você segue tuitam, ou listas ou ainda tags específicas. Tem também o <a href="http://tabbloid.com/" target="_blank">Tabbloid</a> que produzr um Jornal em PDF de acordo com feeds específicos. No Brasil, temos o próprio Jornalistas da Web, o <a href="http://www.jornaldedebates.com.br/" target="_blank">Jornal de Debates</a> e as redes de blogs que estão se formando, numa tendência a universalizar o jornalismo crowdsourcing.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<pubDate>Sun, 26 Dec 2010 22:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2010%252F12%252F26%252Fwikileaks-payback-e-o-oportunismo-do-tripe-do-atraso%252F%22%2C%20%22shorturl%22%3A%20%22http%3A%2F%2Fbit.ly%2Fe6YJg7%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Wikileaks%2C%20Payback%20e%20o%20oportunismo%20do%20trip%C3%A9%20do%20atraso%22%20%7D);"></div>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/1752932831.gif"><img class="size-medium wp-image-498 alignleft" style="margin: 5px;" title="175293283" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/1752932831-208x300.gif" alt="" width="208" height="300" /></a>Quem imaginaria que o <a href="http://wikileaks.ch">Wikileaks</a>, um site criado há quatro anos provocaria uma <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/wikileaks-vazamentos-e-uma-nova.html">revolução nas relações diplomáticas</a> ao tornar público documentos de diversas embaixadas, em especial a dos Estados Unidos. A divulgação dos últimos &#8220;<a href="http://wikileaks.ch/cablegate.html">cables</a>&#8220;, respingaram a diplomacia Brasileira <a href="http://brasileducom.blogspot.com/2010/12/wikileaks-manipulacao-da-midia-global-e.html">colocando em xeque a idoneidade do Ministro da Defesa Nelson Jobim</a>. As informações divulgadas também deixaram o ex-presidenciavel <a href="http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2010/12/13/nos-bastidores-o-lobby-pelo-pre-sal/">José Serra em uma situação delicada</a>, uma vez que Patrícia Padral, diretora da americana Chevron no Brasil afirmou que ele mudaria as regras do pre-Sal se fosse eleito.</p>
<p>As revelações seguem cumprindo seu papel social, citando fatos menores envolvendo o <a href="http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/">Brasil</a>. Por conta das revelações a <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-wikileaks-e-a-reacao-da-pfizer">Pfizer tirou correndo dois medicamentos de circulação</a>. Isto sem contar com a <a href="http://www.mst.org.br/Estados-Unidos-fazem-batalha-ideologica-contra-movimentos">pressão pela criminalização do MST</a>.   Muitas revelações ainda estão por vir, e é importante lembrar que uma única edição de domingo do The New York times possui mais  informações do que um homem que viveu durante o Iluminismo conquistou  durante toda a vida. O WikiLeaks, sozinho, já <a href="http://desabafopais.blogspot.com/2010/12/wikileaks-publicou-mais-documentos.html">publicou mais documentos  secretos do que toda a imprensa mundial junta</a>.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/sanwiki.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-506" style="margin: 5px;" title="sanwiki" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/sanwiki-199x300.gif" alt="" width="199" height="300" /></a>Esta  transparência que desnuda a diplomacia mundial provocou o pânico e a ira do alto  escalão estadunidense, que deu inicio à uma perseguição implacável e desproporcional ao  Wikileaks e a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Julian_Assange">Julian Assange</a> seu fundador.  Inicialmente tentando sufocar a organização bloquando suas receitas no PayPal e nos cartões de Mastercard e Visa. Posteriormente pressionou o EveryDNS para deixar de responder para o dominio wikileaks.org e ao mesmo tempo <a href="https://www.eff.org/deeplinks/2010/12/amazon-and-wikileaks-first-amendment-only-strong">fez com que a Amazon deixasse de hospeda-lo</a> em sua nuvem elástica. A ofensiva segue permeando a web e provocando bloqueio, muitas vezes involuntário ao acesso ao Wikileaks e seus mirrors através de denuncias às principais bases de dados que alimentam as feramentas de controle de acesso, <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-wikileaks-bloqueado-pela-serpro">como a usada no SERPRO</a>, e em diversas universidades e empresas do mundo todo. Neste meio tempo Assange entregou-se em Londres, procurado pela Interpol sob uma ainda <a href="http://ponto.outraspalavras.net/2010/12/09/estupro-de-assange-novo-sinal-de-farsa/">controversa acusão</a> de crime sexual, tornando-se o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/12/wikileaks_o_1_preso_politico_global_da_internet_e_a_intifada_eletronica.php">primeiro preso politico global da Internet</a>.</p>
<p>Toda esta pressão motivou uma <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/operacao-vingar-assange-hackers-em.html">forte ofensiva</a> denominada &#8220;Payback&#8221; (dar o troco) que vem deflagrando ataques de DDoS (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_de_nega%C3%A7%C3%A3o_de_servi%C3%A7o">Distributed Deniel of Service – Negação de serviço distribuída</a>), aos sites que  bloquearam o Wikileaks. É importante deixar claro que o ataque de DDoS não configura uma invasão, fazendo uma analogia é como se uma multidão ficasse parado na porta de uma empresa, de modo a bloquear o acesso à esta.</p>
<p>Como era de se esperar, a operação PayBack deixou o <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">Tripé do Atraso</a> em polvorosa, dado a dimensão e quantidade de fatos que podem ser explorados  por aqueles que desejam controlar a Internet. A estratégia usada por eles é a velha conhecida, de  confundir e desinformar, colocando Wikileaks, Assange, PayBack e ataques hackers em um só lugar, e intencionalmente colocando hackers e crackers como sinônimo, com o objetivo de criminalizar o movimento social que é o hacktivismo. Este mecanismo pode ser claramente percebido no trecho abaixo, retirado do <a href="http://www.senado.gov.br/atividade/plenario/sessao/disc/listaDisc.asp?s=217.4.53.Ohttp://www.senado.gov.br/atividade/plenario/sessao/disc/listaDisc.asp?s=217.4.53.O">discurso</a> que o <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">Eduardo Azeredo</a> fez ainda como senador no dia 09/12:</p>
<blockquote><p>[..]–  a proposta de  combate aos crimes digitais, que tantas vezes me trouxe a  esta tribuna.  Trata-se de um texto que construímos democraticamente e  que modifica e  amplia leis brasileiras, no sentido de modernizá-las e  de tipificar  treze novos delitos cometidos com o uso das tecnologias da  informação.</p>
<p>Esse debate é de suma importância. Os delitos cibernéticos crescem   exponencialmente no Brasil e no mundo, e a questão precisa ser tratada   com seriedade sem histrionismos, sem redução do debate ao nível do   baixar músicas ou de falsa ideia de censura. Já basta. Vamos retomar   esse assunto da forma séria como ele merece.</p>
<p><strong>Estamos vendo aí, agora, do ponto de vista internacional, os hackers  invadindo os sites da Mastecard e da Visa.  No Brasil, hoje, já existe  uma utilização em massa de cartões de  crédito. Estamos todos vulneráveis  aos hackers, que não podem ser  punidos porque o Brasil não tem  tipificação de crimes cibernéticos</strong>.</p>
<p>Nós já fizemos a nossa obrigação aqui no Senado, já aprovamos o projeto,   mas ele também permanece pendente de uma decisão da Câmara, com   interpretações errôneas e que são, como eu gosto de dizer, de um nível   que não compete, que não pode ser aceito, pois se diz que vai se   criminalizar a questão de baixar música, quando não existe nada em   relação a isso no projeto. E esse assunto já é tratado na Lei de   Direitos Autorais.[..]</p></blockquote>
<p>Como todos podem perceber, o Azeredo esta falando ai do <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">AI5 digital</a> que além de <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/estudos/">não cumprir  que promete, traz enormes danos à Internet como a conhecemos hoje</a>, uma inédita e potente ferramenta democrática, e refere-se aos ataques de DDoS como invasão, o termo ataque em sí já é um equivoco.</p>
<p>O PIG também aproveitou a situação, alguns veículos se preocuparam em dar mais visibilidade aos ataques do PayBack do que a questão central e os detalhes dos telegramas vazados e a prisão de Assange. Curiosa e divertida foi esta <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-total/2010/12/09/HACKERS-DEPURAM-SEGURANCA-EM-SITES-QUE-INVADEM.htm">entrevista que a radio CBN fez com o advogado Amaro Morais e Silva Neto</a>, preste atenção na insistência da entrevistadora em querer trazer o tema para uma ótica pró AI5 digital e veja as respostas do Amaro, é de lavar a alma de qualquer ciberativista.</p>
<h3>Conectando os fatos</h3>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/wikileaks.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-490" style="margin: 5px;" title="wikileaks" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/wikileaks-300x187.jpg" alt="" width="300" height="187" /></a>Pablo Ortelado ressaltou que precisamos ficar de olho nos documentos vazados pela Wikileaks: O jornal inglês The Guardian soltou uma lista com as tags de todos os telegramas das embaixadas americanas que foram vazados. Cruzando os dados com duas das tags <a href="http://wikileaks.ch/tag/KIPR_0.html">KIPR</a> (Propriedade Intelectual) e <a href="http://wikileaks.ch/tag/BR_0.html">BR</a> (Brasil) chegamos a cerca de cem documentos que certamente delimitam as estratégias dos EUA para promover políticas de propriedade intelectual no Brasil. Até o momento, nenhum desses documentos foi lançado, mas podemos ter notícias nos próximos dias. A lista dos documentos já é indicativa do que virá. O documento mais antigo é de 26 de setembro de 2003 e o mais recente de 21 de dezembro de 2009. A fonte dos documentos são telegramas da embaixada de Brasília e do consulado de São Paulo, mas há também um do consulado do Recife (de 10 de maio de 2007) e um da embaixada de Ottawa (de 7 de maio de 2007). Muitos documentos se concentram no período de maio a agosto de 2006. Pedro Paranaguá lembra que este período antecedeu a <a href="http://www.helium.com/items/317516-brazil-issues-compulsory-license-for-merck-aids-drug-efavirenz">licença compulsória do Efavirenz, da Merck</a>.</p>
<p>Começamos a entender a razão de tanta preocupação, certamente alguns destes telegramas devem revelar detalhes relacionada ao AI5 digital, como já é revelado no <a href="http://www.publicknowledge.org/node/3047">Relatório 301 do USTR</a>, confirmando o que todos já sabemos, o AI5 digital serve aos interesses da &#8220;Máfia autoral&#8221; e dos Bancos. Alias segundo Laerte Braga existem diversos projetos de lei similares ao AI5 Digital mundo afora, que <a href="http://brasileducom.blogspot.com/2010/12/laerte-braga-eua-compraram-google-para.html">foram produzidos em Washington</a>. Mas a questão não para ai, além do risco das próximas revelações desqualificarem definitivamente o AI5 digital, podem colocar o ACTA em cheque . Com isto começa a ficar claro a razão da desproporcionalidade da reação aos vazamentos do Wikileaks. Veja que a minha tese já começou a confirmar-se, uma vez que os vazamentos da <a href="http://arstechnica.com/tech-policy/news/2010/12/how-wikileaks-killed-spains-anti-p2p-law.ars">Wikileaks livraram a Espanha de uma lei contra o P2P</a>.</p>
<h3>As reações e final imprevisível</h3>
<p>A reação ao Wikileaks esta numa balança que pode pender para grandes modificações nas relações diplomaticas e nos valores existentes ou deflagrar uma insana <a href="http://hiperficie.wordpress.com/2010/12/03/wikileaks-e-a-protecao-internacional-de-direitos-fundamentais/">caça aos direitos fundamentais na Internet</a>. Alguns especialistas acreditam que as <a href="http://www.brasileconomico.com.br/noticias/wikileaks-pode-ser-ameaca-para-sociedade-civil_95769.html">relações diplomáticas não necessitam de transparência</a>, outros como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_castells">Manuel Castells</a> alertam que o <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=620IMQ020">que esta em jogo é o poder</a>, e a comunicação é o poder.</p>
<p>Um excelente e breve <a href="http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/12/10/brancaleone_contra-ataca/">artigo na Revista Forum</a> apresenta um final imprevisivel:</p>
<blockquote><p>[..]Começam a se inverter as posições no conflito entre o governo dos Estados Unidos e a organização WikiLeaks, fundada pelo australiano Julian Assange. Do jornalista americano Jay Rosen, professor da Universidade de Nova York e crítico de mídia, ao presidente do Brasil, Lula da Silva, passando pelo jornal britânico The Guardian, cresce o movimento de apoio ao WikiLeaks, ao mesmo tempo em que surgem as primeiras análises sobre o papel da imprensa na fiscalização do poder.[..]</p>
<p>[..]Como já se afirmou <a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=619IMQ017" target="_blank">neste Observatório</a>,  o fenômeno WikiLeaks pode estar inaugurando um novo tempo. Contra todos  os prognósticos, o exército de Brancaleone pode ganhar essa guerra.[..]</p></blockquote>
<p>Uma possibilidade preocupante, quase apocaliptica é exposta pelo Ronaldo Lemos, que cogita que o governo estadunidense pode simplesmente <a href="http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/844620-ronaldo-lemos-reacao-ao-wikileaks-poe-internet-em-risco.shtml">tirar qualquer dominio do ar via ICANN</a>. Neste caso, ja temos de pensar já em <a href="http://www.eff.org/deeplinks/2010/12/constructive-direct-action-against-censorship">alternativas para a questão de nomes, e DNS, configurando uma Internet alternativa</a>.</p>
<p>Recomendo a leitura do artigo completissimo: WIkileaks e os conflitos no ciberespaço &#8211; <a href="http://passapalavra.info/?p=33369">parte 1</a> e <a href="http://passapalavra.info/?p=33413">parte 2</a></p>
<p>Crédito das Imagens:</p>
<ul>
<li><a href="http://twitpic.com/3e81m9">The Wikileaks Effect</a> &#8211; Charge de Carlos Latuff</li>
<li><a href="http://wikileaks.ch/Support.html">Wallpaper Wikileaks</a></li>
<li><a href="http://twitpic.com/2wd55v">O Retorno do Monstro da privatização</a> &#8211; Charge de Carlos Latuff</li>
</ul>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Chega de trololó! Vamos aos fatos e Dilma na cabeça!</title>
		<link>http://entropia.blog.br/2010/10/08/chega-de-trololo-vamos-aos-fatos-e-dilma-na-cabeca/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Oct 2010 19:50:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ <p>Interessante infográfico feito pelo Designer Bruno O. Barros, ele mostra de forma simples, consistente e objetiva as grandes diferenças de feitos dos governos FCH+Serra X Lula + Dilma.</p> <p> Veja o panfleto num tamanho maior! Via @IlustreBOB</p> <p>Related posts: A Internet sob cerco, os hackers não são o perigo real A singularidade das multidões Orwell &#038; Huxley um ensaio distópico
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<p>Interessante infográfico feito pelo <a href="http://ilustrebob.com.br/2010/10/lula-vs-fhc/">Designer Bruno O. Barros</a>, ele  mostra de forma simples, consistente e objetiva as grandes diferenças de  feitos dos governos FCH+Serra X Lula + Dilma.</p>
<p><a href="http://ilustrebob.com.br/2010/10/lula-vs-fhc/"><br />
<img src="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg" alt="" width="600" /></a><br />
<a href="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg">Veja o panfleto num tamanho maior!</a><br />
Via @<a href="http://twitter.com/ilustrebob">IlustreBOB</a></p>

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		<title>Tirem os olhos da Internet!</title>
		<link>http://entropia.blog.br/2010/08/31/tirem-os-olhos-da-internet/</link>
		<comments>http://entropia.blog.br/2010/08/31/tirem-os-olhos-da-internet/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 19:58:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
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		<description><![CDATA[ <p>Há mais de três anos estamos fazendo um intenso ativismo contra o AI5Digital, ou PL 84/99 e também conhecido por projeto de Cibecrimes. A sociedade organizada gritou, protestou e disse um Mega Não ao AI5Digital, e até mesmo o Presidente Lula chamou o projeto de censura,  e ele ficou paralisado na Câmara dos Deputados [...]
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2010%252F08%252F31%252Ftirem-os-olhos-da-internet%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Tirem%20os%20olhos%20da%20Internet%21%22%20%7D);"></div>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/avatarolho.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-416" title="Mega Não" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/avatarolho.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a>Há mais de três anos estamos fazendo um intenso <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">ativismo contra o AI5Digital</a>, ou <a href="http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=15028">PL 84/99</a> e também conhecido por projeto de Cibecrimes. A sociedade organizada gritou, protestou e disse um Mega Não ao AI5Digital, e até mesmo o <a href="http://xocensura.wordpress.com/2009/06/27/lula-e-contra-o-ai5-digital/">Presidente Lula chamou o projeto de censura</a>,  e ele ficou paralisado na Câmara dos Deputados desde março do ano passado. Conseguimos <a href="http://xocensura.wordpress.com/2009/05/22/a-revolucao-nao-esta-sendo-televisionada/">vencer mais uma batalha</a>, mas sabíamos que ainda não havíamos vencido a guerra, até porque não é só o AI5digital que é nocivo à Internet, existem dezenas de outros projetos com esta mesma ótica vigilantista e controladora tramitando no Senado e na Câmara. Inclusive um da <a href="http://xocensura.wordpress.com/2009/02/14/mantras-da-irracionalidade-pedofilia-na-internet/">CPI da Pedofilia</a> que é um rival em monstruosidade e ineficiência ao AI5Digital, e por isto longe de ajudar no combate da monstruosidade que é a Pedofilia.</p>
<p>No <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=3343">lançamento do Marco Civil</a> perguntei ao Deputado Julio Semeghini (PSDB) qual seria o futuro do PL84/99 e ele falou que se retirassem os artigos críticos, pouca coisa sobraria para ser votada, e completou dizendo que ele e outros projetos ligados à Internet só seriam apreciados após a tramitação do Marco Civil. Entretanto o Marco Civil ainda nem entrou em tramitação e o &#8220;ilustre&#8221; Deputado Pinto Itamaraty (PSDB) deu parecer favorável colocando o AI5digital em tramitação depois de quase um ano e meio paralisado. Não me surpreendi quando seis dias depois uma matéria publicada no site da Câmara dos Deputados dizia que <a href="http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/150005-DEPUTADOS-BUSCARAO-ACORDO-PARA-VOTAR-LEI-DE-CRIMES-NA-INTERNET.html">Deputados buscarão acordo para votar lei de crimes na Internet</a>. Na minha opinião o único acordo plausivel é enterrar de vez o AI5Digital.</p>
<p>O problema não para ai, <a href="http://meganao.wordpress.com/2010/08/27/blogagem-coletiva-de-repudio-ao-ai5-digital/">a motivação da blogagem coletiva foi a de retornar a militância contra o AI5Digital</a> que já esta claro que será usado como moeda de troca para a votação do <a href="http://culturadigital.br/marcocivil/">Marco Civil</a>, e este tem de ser aprovado tal qual foi consolidado no final da consulta pública, para isto um grupo de ativistas criou o <a href="http://twitter.com/vigiasdomarco">Twitter Vigias do Marco</a>, que tem por objetivo fiscalizar a tramitação do Marco Civil. Mas tem cenário pior, depois das eleições uns Deputados continuarão, outros não, e nada mais perigoso para o processo democrático do que um Deputado desiludido com os seus eleitores, e neste clima ainda tem um risco do Ai5Digital entrar em pauta, não gosto nem de pensar&#8230;</p>
<p>Já conhecemos o <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">tripé do atraso</a>, que é o responsável pelo atravancamento no progresso do país, a começar pela Internet. Os grande grupos de intermediação e controle como o PIG, os Bancos, a Mafia Autoral, e outros não querem de jeito nenhum uma Internet livre estão se esforçando ao máximo para que a sociedade repita os seus <a href="http://entropia.blog.br/2009/01/10/mantras-da-irracionalidade/">mantras da irracionalidade</a> e através da técnica do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/FUD">FUD</a> (Fear, Uncertainty and Doubt) querem nos fazer crer que o preço da segurança é a intensa vigilância. Trata-se de um enorme cinismo, primeiro porque não existe tamanha insegurança na rede, <a href="http://xocensura.wordpress.com/2008/09/19/cade-os-numeros-relativos-dos-cibercrimes/">os números relativos dos cibercrimes são insignificantes</a>, assim como a <a href="http://cyber.law.harvard.edu/sites/cyber.law.harvard.edu/files/ISTTF_Final_Report.pdf">Pedofilia na Internet praticamente não existe</a>, o que existe é um grande mito criado. A cultura da vigilância é falha em todos os aspectos, primeiro por não sabermos quem esta nos vigiando, e nem o que se passa na cabeça destas pessoas. Crime se resolve com prevenção e não com vigilância e punição. A politica da bisbilhotice não para por ai, querem implantar RFID nos carros e até mesmo nas nossas identidades com o RIC. A tecnologia é ambigua, ao mesmo tempo que serve para a liberdade serve para a vigilancia, temos de gritar sempre e repetir o novo mantra: O preço da liberdade é nenhuma vigilância!!!</p>

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		<title>ACTA e o tripé do atraso</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 21:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Os <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neo-Luddism">neoludistas</a> estão lutando pela manutenção dos valores &#8220;analógicos&#8221;, a industria do copyright briga para ampliar seu poder e a midia tenta a todo custo prorrogar a sua morte já anunciada. Este três grupos atacam compulsivamente seu maior inimigo, que é ao mesmo tempo a maior invenção de todos os tempos: a Internet. Tudo por causa de uma <a href="http://blogcidadao.wordpress.com/2007/10/17/o-incrivel-bicho-papao-tecnologico/">ambição miope</a> que se resume em manter-se na &#8220;zona de conforto&#8221;.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/FrameBreaking-1812.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-369" style="margin: 10px;" title="FrameBreaking-1812" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/FrameBreaking-1812-300x287.jpg" alt="" width="300" height="287" /></a>Os neoludistas não significam uma organização estruturada para manter os &#8220;velhos valores&#8221; em detrimento da tecnologia, é na verdade um conjunto não organizado de pessoas (políticos, juristas, empresários e até mesmo cidadãos comuns)  que possuem um alinhamento ideológico neoludista, e que exercem sua influência e são influenciados com base na <a href="http://blogcidadao.wordpress.com/2007/10/17/o-incrivel-bicho-papao-tecnologico/">ignorância tecnológica</a> intencional ou não. A indústria do copyright vem compulsivamente atirando no próprio pé desde o momento da popularização da Internet, transformando seus consumidores em vitimas do próprio consumo.  Na tentativa de manter seu super ultra lucrativo modelo de negócios, a indústria do copyright procura posicionar-se acima de qualquer mortal estendendo seus tentáculos além dos direitos fundamentais e civis. Enquanto morre de dentro para fora, a midia vem tentando sobreviver num momento em que o jornalismo atinge sua melhor fase, é a implosão anunciada. Esta para se manter viva alinha-se com a indústria do copyright , fornecendo munição para os neoludistas atacarem os conectados que já são maioria no Brasil (<a href="http://www.cetic.br/usuarios/tic/2009-total-brasil/rel-int-01.htm">já que em 2009 eram 45%</a>), isto num ciclo interminável a ponto de não se conseguir saber mais onde tudo começou ou até mesmo quem influencia quem.</p>
<p>Os neoludistas, a indústria do copyright e a mídia formam o <strong>tripé do atraso</strong>, uma estrutura poderosa que sustenta o atraso que assola principalmente o terceiro mundo.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/nobredecadente.gif"><img class="size-medium wp-image-368 alignleft" style="margin: 10px;" title="Nobre decadente" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/nobredecadente-300x188.gif" alt="" width="300" height="188" /></a></p>
<p>Pela ótica dos conectados é como se o tripé do atraso fosse o nobre decadente, que ainda se sente provido de poder e credibilidade com base em velhos dogmas e valores que aos poucos vão sendo suplantados, o resultado disto é uma exposição caricata de um ícone do passado. O tripé do atraso recusa-se a adaptar-se aos novos valores, acredita ainda ter poder para muda-los ou ignorá-los, propala um discurso patético que começa a fazer sentido somente para mentes conservadoras do próprio tripé, encerrando o discurso dentro do espaço do emissor retro alimentando-o. O tripé do atraso ainda enxerga as estruturas verticalmente, acredita que eles é quem produzem cultura, e não o povo. Não fazem a menor idéia do que seja a inteligência coletiva, que vem constantemente desmascarando as tentativas manipulatórias da mídia. Ainda pensam que existe alguém por trás disto, e não uma multidão como de fato é. O tripé do atraso ainda enxerga as velhas formas de comunicação, um emissor e muitos receptores, ignoram a comunicação em rede, obviamente porque não enxergam estruturas verticais e ainda buscam lideranças em tudo que combatem.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/caveirapiratas.jpg"><img class="size-medium wp-image-367 alignright" style="margin: 10px;" title="caveirapiratas" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/caveirapiratas-300x244.jpg" alt="" width="300" height="244" /></a></p>
<p>Na prática não podemos subestimar o tripé do atraso, eles são poderosos e não estão tão por fora da cultura digital como imaginamos, a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Convention_on_Cybercrime">Convenção de Budapeste</a>, o <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">AI5 digital</a> e o ACTA [<a href="http://diplo.org.br/Dossie-ACTA-para-desvendar-a">1</a>],[<a href="http://www.outraspalavras.net/?p=1098">2</a>],[<a href="http://a2kbrasil.org.br/Texto-do-ACTA-e-publicado-sem-as">3</a>] e [<a href="http://xocensura.wordpress.com/?s=acta">4</a>] são indícios de que eles estão sendo assessorados por quem sabe. Em linhas gerais querem criminalizar a Internet como conhecemos, transformando-nos em criminosos do dia para a noite. Legislações deste tipo darão um tremendo aborrecimento e trarão um terrível atraso e um nível insuportável de controle.</p>
<p>O Ciberativismo da sociedade conectada no Brasil <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/14/a-revolucao-nao-esta-sendo-televisionada/">conseguiu paralisar a tramitação do AI5 digital</a>, o Itamarati já se posicionou que não assina convenções de que não participa de sua elaboração, apesar disto, a <a href="http://www.iprofesional.com/notas/96532-La-Argentina-adhiere-a-una-convencion-sobre-ciberdelito.html">Argentina assinou a convenção de Budapeste</a>, mas ainda falta a decisão tramitar no congresso de lá, torceremos para que os ciberativistas Argentinos saibam se mobilizar para bloquear isto.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/noactaselo.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-370" style="margin: 10px;" title="noactaselo" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/noactaselo.gif" alt="" width="170" height="320" /></a>O caráter secreto do ACTA, assim como foi com o AI5 digital no inicio, é um dos fatores mais preocupantes. Pelo que foi divulgado e vazado anteriormente, o ACTA pretende justamente mudar os valores citados acima para alegria dos neoludistas, fazendo voltar tudo como era antes, a figura do intermediário, o controle da produção e a volta da economia da escassez, uma vez que as maliciosas cláusulas do ACTA irão literalmente acabar com o remix, com a criação, e principalmente com a liberdade na rede, senão com a própria rede.</p>
<p>Somos uma das nações mais promissoras em termos de cultura digital, temos um povo criativo, e livres seremos imbativeis, imagina unidos com nossos irmãos latinos, alias já deveríamos ter feito esta união há muito tempo. Temos três trunfos em andamento que temos de participar, pois o <a href="http://culturadigital.br/marcocivil/">Marco Civil</a> servirá de barreira contra o ACTA (temos de corrigir o que precisa ser corrigido), juntamente com a <a href="http://culturadigital.org.br/site/lda">Reforma da Lei de Direito Autoral</a>, e por fim o <a href="http://www.mc.gov.br/plano-nacional-para-banda-larga">Plano nacional de Banda larga</a> irá proporcionar uma intensa aceleração da inclusão e alfabetização digital, facilitando ainda mais nossa resistência.</p>
<p>Formar uma rede popular de resistência ao ACTA esta sendo um grande desafio, esta rede terá de ser muito grande e terá de atravessar fronteiras, acredito que a partir deste momento esta sendo formada a rede mundial de ciberativismo contra o ACTA, vamos mostrar mais uma vez que a globalização social foi muito mais efetiva do que a globalização econômica, e que precisamos cada vez menos de intermediários.  Você pode não estar percebendo ainda, mas estamos caminhando pelo tabuleiro, onde a jogada final irá colocar em xeque o modelo econômico atual, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OHMvknT_uk4">os sinais já estão por ai</a>, o momento agora é de leitura e debate, vamos entender o que é o ACTA, e agir com Sun Tzu fala em seu livro a arte da guerra: <strong><em>Se você conhecer a si mesmo e a seu inimigo nunca perderá a guerra</em></strong>. A corrida já começou, é a corrida do conhecimento, esta esperando o que?</p>
<p>Este post é uma resposta tardia à convocação para a <a href="http://meganao.wordpress.com/2010/04/20/stop-acta-convocacao-para-blogagem-coletiva/">blogagem coletiva contra o ACTA</a>.</p>
<p>Créditos das fotos</p>
<ul>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luddismo">Luddistas &#8211; Wikipedia</a></li>
<li><a href="http://www.gutenberg.org/wiki/Main_Page">Nobres decadentes &#8211; Projeto Gutemberg</a></li>
<li><a href="http://www.sxc.hu/profile/penywise">Caveira pirata &#8211; Dani Simmonds</a></li>
</ul>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>A revolução não esta sendo televisionada</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 10:53:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2010%252F04%252F14%252Fa-revolucao-nao-esta-sendo-televisionada%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20revolu%C3%A7%C3%A3o%20n%C3%A3o%20esta%20sendo%20televisionada%22%20%7D);"></div>
<p><strong>Nunca antes na historia deste pais, a sociedade se organizou,  mobilizou e pressionou as entidades públicas em prol de seus direitos de  forma tão efetiva e pacifica como estamos fazendo agora no  ciberativismo contra o PL 84/99, o AI5 digital. </strong></p>
<p>Não podemos deixar esta constatação passar em branco, não se trata de  um fato corriqueiro, mas sim de uma verdadeira revolução, uma revolução  que não esta sendo televisionada, uma revolução que não tem mais volta,  uma revolução plenamente democrática, o real exercício da cidadânia.</p>
<p>Contrariando todos os criticos, a Internet não nos transformou em  alienados, muito pelo contrário nos libertamos das forças alienantes das  mídias mono emitidas. Os &#8220;alienados&#8221; foram os primeiros a enxergar os  malefícios do PL 84/99, os &#8220;alienados&#8221; foram os primeiros a divulgarem  estes malificios. Chamar a sociedade conectada de alienada é ignorância  ou cretinismo, sabe-se muito bem que a Internet com a sua riqueza e  diversidade é um eco-sistema de pessoas, um eco-sistema social, onde a  comunicação é apenas uma parte do contexto.</p>
<p>A informação das mídias de massa é extremamente volátil, é preciso um  caro processo de repetição para que uma mensagem &#8220;média&#8221; para um  &#8220;cidadão médio&#8221; ganhe dimensão.  A midia de massa, em especial o radio e  a televisão, possuem uma representativa capilaridade no Brasil, de  forma que a mensagem volatil chega rapidamente à uma parcela  significativa da população, e pronto! Vai ser bom não foi? O povo tem  memória curta, não é verdade?</p>
<p>A Internet por outro lado possui características diferentes, sua  capilaridade vem aumentando consideravelmente, mesmo com todo esforco  despendido por autoridades e legisladores para inviabilizarem os centros  involuntários de inclusão digital, as Lan Houses, ela continua  crescendo. Computador e acesso estão ficando cada dia mais baratos. Por  outro lado, na Internet a informação não é volátil, muito pelo  contrário, ela é praticamente permante, o que a transforma no habitat  perfeito para o conhecimento. Estas características são os alicerces do  sólido conhecimento colaborativo, construido por todos para todos, numa  metáfora natural para o que chamamos de democracia: O poder emana do  povo para o bem do povo.</p>
<p>Dentro deste cenário, construiu-se um ativismo diferente, um ativismo  eficiente, o ativismo da cibercultura, da nossa cultura, o  ciberativismo. Podemos citar diversos movimentos ciberativistas, mas  vamos nos ater ao movimento contra o AI5 digital, que não se sabe  exatamente quando ele iniciou, eu ao menos entrei nele em 2006, você  pode estar entrando agora, isto não faz a menor diferença. O movimento  ciberativista contra o AI5 digital é o mais espetacular de todos os  movimentos democráticos, é o exercício pleno da democracia, não existe  distinção de raça, orientação sexual, posicionamento político,  ideologia, credo, e nem mesmo as limitações físicas impostas aos  portadores de deficiência são barreiras para que exercamos nossa  cidadânia, estamos todos juntos trabalhando para um bem comum!</p>
<p>Estamos pensando e agindo coletivamente, estamos nos &#8220;alfabetizando  politicamente&#8221;, estamos reconhecendo nossos direitos, aprendendo a  valorizar o próximo e, estamos aprendendo, como diz Dalai Lama que: uma  enorme jornada começa com um pequeno passo. Podemos não perceber isto  agora, mas nunca mais seremos os mesmos, estamos reconstruindo a  história da democracia no Brasil, somos os agentes de mudança,  dificilmente seremos enganados novamente, somos os revolucionários  digitais, estamos fazendo a revolução mediada por computador, a  revolução da era da participação. Alias por falar em participação, pouco  importa o quanto ou como você participa, todos são igualmente  importantes, seja aquele que divulga as informações, evangeliza novos  ciberativistas, promove mobilizações, escreve a respeito, ou até mesmo  aquele que participa dos atos, é um trabalho coletivo.  A <a href="http://www.petitiononline.com/veto2008">assinatura na petição</a>,  um post, uma twittada, uma mensagem no Orkut, tudo é importante, pois  quando muitos fazem isto estamos disseminando a informação e estamos  construindo uma atmosfera positiva para os parlamentares que estão do  nosso lado defenderem nossos intereses na Câmara, para que o Ministro da  Justiça se posicione de nosso lado, para que personalidades se  posicionem de nosso lado, é importante que você olhe no espelho, bata no  peito e diga orgulhosamente: Eu sou um ciberativista, estou  reescrevendo a história da democracia no Brasil!!!</p>
<p>Postado originalmente no <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=1453">Trezentos</a> no <a href="http://www.culturadigital.br/caribe/2009/06/28/a-revolucao-nao-esta-sendo-televisionada/">Caribé no Cultura</a></p>

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		<title>A Campus Party que todo mundo vê, mas poucos enxergam</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 21:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Decidi fazer este post como um exercício, venho enfrentando um momento estranho, parece que perdi momentâneamente minha habilidade com a escrita, talvez seja porque tenho convivido com dinossauros mais do que o tolerável, tenho participado de reuniões onde as pessoas possuem pastas com email impresso!</p>
<p>Para tentar resgatar o meu verdadeiro eu, decidi me internar na Campus Party 2010. Fui convidado para uma <a href="http://blip.tv/file/3140656">palestra</a> no <a href="http://www.campus-party.com.br/campus-forum.html">Campus Forum</a> na terça (26/01) e aproveitei para ficar até sábado (30/01), foi ótimo, revi gente conectada, gente do meu mundo e pude voltar a sentir o sabor da evolução, o frescor da brisa tecnológica e o calor humano de uma rede de pessoas. Foram momentos de extremo prazer, conversas produtivas, palestras, planos e celebrações, tudo girando em torno de um só tema, a sociedade conectada e o futuro do Brasil.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/Cparty10MarcoCivil021.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-323" title="Marco Civil Campus Party" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/Cparty10MarcoCivil021-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<h2>O que todo mundo vê e poucos enxergam?</h2>
<p>Esta foi a terceira edição da Campus Party, e cada edição possui características marcantes, esta por exemplo estava muito focada em cibercultura e aspectos legais e operacionais da Internet. Mas um pequeno detalhes estava o tempo todo pulando na cara de todo mundo, seja nos slogans, nas falas, no material, nos banners e no <a href="http://blog.campus-party.com.br/index.php/campus-party-brasil/">site oficial</a>: <strong>A Internet é uma rede de pessoas.</strong></p>
<p><strong><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03178.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-318" title="Campus Party" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03178-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
</strong></p>
<p>Bom se esta frase não tem nenhum significado a mais para você, é porque você é um dos que viu e não enxergou, mas não se preocupe, muitos não enxergaram. O fato de afirmar que a Internet é uma rede de pessoas contraria o mantra midiatico de que a Internet é uma rede de computadores, a Internet já deixou de ser uma rede de computadores há quase 10 anos.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03190.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-319" title="Campus Party camping" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03190-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>A afirmativa de que a Internet é uma rede de pessoas subverte o conceito anterior de que a internet é uma rede de computadores, assim como hoje estamos na era da participação que subverteu o conceito da era da informação, mas curiosamente ambos os conceitos ultrapassados são ainda utilizados pela nossa jurássica mídia.</p>
<p>Em outras palavras, a questão tecnológica da Internet já se naturalizou, de forma que é naturalmente ignorada pelo o usuário de tal forma que este já enxerga diretamente a parte social da rede. Nem mesmo a velha frase que diz que a Internet é uma rede de pessoas mediada por computador é mais uma afirmativa indiscutível, com o crescimento da ubiquidade do acesso fica difícil definir o que é de fato computador, um celular é um computador? Neste caso a rede poderia ser definida como uma rede de pessoas mediada por dispositivos conectáveis, mesmo assim esta afirmativa, apesar de correta, coloca uma barreira no seu entendimento, em um momento que a invisibilidade da tecnologia se faz necessária para dar valor ao aspecto humano da rede.</p>
<p>Há dois anos fiz uma <a href="http://entropia.blog.br/2008/03/16/o-novo-geek-e-maslow/">análise da pirâmide da pirâmide de Maslow aplicada as mídias sociais</a>, que orgulhosamente apelido de pirâmide de Caribé ou hierarquia das necessidades em mídias sociais. Nesta analise eu estabeleço que os dois primeiros degraus da pirâmide são o conhecimento tecnológico e o acesso, mas se olharmos pela ótica que venho tecendo acima, podemos dizer que na verdade a pirâmide esta se transformando em um losango, uma vez que estes dois primeiros degraus estão ficando cada dia mais invisíveis, o que de certa forma acelera a tão desejada &#8220;alfabetização digital&#8221;.<br />
<a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/piramidelosangouso.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-328" title="piramidelosangouso" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/piramidelosangouso-1024x500.png" alt="" width="600" height="293" /></a><br />
Não tirando a questão tecnológica da Campus Party, afinal é sim de certa forma a tecnologia em seus diferentes niveis de visibilidade que as pessoas buscam encontrar no evento, mas principalmente as pessoas buscam encontrar pessoas, a Campus Party é na verdade uma grande rede social ao vivo de pessoas conectadas, uma tangibilização da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cauda_Longa">cauda longa</a>, um encontro de muitas tribos que habitam o ciberespaço e este planeta chamado terra, pense nisto.</p>
<h2>A miopia universitária</h2>
<p>Pouco antes da Campus Party, conversando com um amigo, o <a href="http://twitter.com/quimbanda">Ronald Stresser</a>, ele comentou que estava pensando em fazer um curso mais específico de mídias sociais, e respondi quase de imediato que a Campus Party era o melhor curso de mídias sociais que ele poderia fazer, foi uma resposta daquelas &#8220;bate pronto&#8221; e depois comecei a pensar no que falei e vi que havia acertado na mosca.</p>
<p>Na Campus Party vivencia-se a cultura digital o tempo todo, é um paraiso para etnografos, profissionais e pesquisadores de comunicação e alias qualquer área profissional que de alguma forma envolva a Internet. Neste ano tivemos dezenas de palestras, com temas diversos e riquissimos, encontro dos cerebros da cibercultura brasileira, dos ativistas, legisladores e parlamentares da liberdade na rede, visita de presidenciaveis, debates de software livre, jogos, midias sociais, musica, video, multimidia, robotica, casemod e um monte de outras coisas. Na Campus Party você faz parte do contexto e não apenas lê sobre ele, o aspecto informal do evento reflete a informalidade e a liberdade da rede, onde você vai alem do livro, pode interagir com os autores, e isto não tem preço.</p>
<p>Mas onde estão as caravanas organizadas pelas universidades? Imagine o valor para uma faculdade de Direito em participar dos debates a cerca do Marco Civil, assistir à uma palestra do Lessig e de quebra ainda conversar com varios juristas, parlamentares, e representantes da sociedade civil que se fizeram presentes? Imagine o valor para uma faculdade de Comunicação participar de debates sobre cibercultura com os maiores estudiosos da área no Brasil? Ou quem sabe as faculdades de Pedagogia participarem da discussão a cerca do novo modelo de Universidade levantado pela pesquisadora <a href="http://twitter.com/ivanabentes">Ivana Bentes</a>?</p>
<p>Poderia enumerar dezenas de outros casos, eu nem falei da área técnica, mas foi de propósito, mas pergunto: Afinal porque as universidades ainda sofrem do mal de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADsifo">Sísifo</a>, e continuam seguindo o mesmo caminho secular ao invés de apresentar novas propostas e desafios?</p>

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