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	<title>Entropia ! &#187; Exercício futurista</title>
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	<description>Porque o estado natural de tudo é o caos</description>
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		<title>A Matriz de forças da sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 20:01:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Há pouco mais de um ano escrevi um texto chamando <a href="http://entropia.blog.br/2010/03/27/sustentabilidade-insustentavel/">Sustentabilidade Insustentável</a>, uma provocação que deu certo. Nele eu destacava que na prática em se tratando de sustentabilidade, somo quase todos hipócritas e egoístas, pois ao mesmo tempo que nos tornamos verdes, continuamos agindo como se o mundo fosse um gigantesco shopping. Propus que a única forma de mudar o mundo seria mudando profundamente nosso estilo de vida, repensar o consumo e o capitalismo, e fechei ressaltando que temos de pensar e agir coletivo, antes que o próximo cataclismo venha nos ensinar.</p>
<p>Na busca de fundamentar o tema, comecei a chegar a conclusão que não existem apenas duas forças. Admito que a cultura do consumo e a cultura verde são duas forças importantes, mas não são as únicas. Existem outras e a interferência entre elas, tanto as ameaças artificiais na natureza quanto as naturais no espaço do artificial, ou as forças da natureza sobre o planeta e sobre os bens artificiais e tecnológicos. Na análise da matriz tanto as forças naturais como artificiais podem se alinhar e provocar ainda mais danos nos dois sistemas: o natural e o artificial, entendeu? Pois é, eu ainda não cheguei a uma conclusão, mas nada mais natural do que compartilhar as idéias para que elas se desenvolvam no ecossistema social.</p>
<p>Mapeando as forças cheguei a uma matriz muito semelhante à <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinco_for%C3%A7as_de_Porter">Matriz de Porter</a>, que analisa as cinco forças que determinam a sustentabilidade de um mercado dentro de um ambiente capitalista. Esta abordagem não tem nada de científica, o foco aqui é mais filosófico, e obviamente não tem nenhuma pretensão de ser conclusivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>As cinco forças</h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/11/forcas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-736" title="forcas" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/11/forcas.jpg" alt="" width="640" height="554" /></a></p>
<p>As cinco forças da sustentabilidade atuam numa matriz onde o bem é o próprio planeta, e são elas:</p>
<ul>
<li><strong>Forças da natureza</strong> – efeitos naturais que afetam o planeta, são forças que independem da ação do homem tais como terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, tempestades, forças das marés, enchentes, pragas, doenças e etc&#8230;</li>
<li><strong>Ameaças artificiais</strong> – são forças decorrentes da interferência do homem no planeta, configuram-se novas ameaças ou potencializam os efeitos naturais.</li>
<li><strong>Ameaças naturais</strong> – são forças naturais externas ao planeta, tais como tempestades solares, meteoros, forças de atração interplanetárias e outros por exemplo.</li>
<li><strong>Cultura verde</strong> – é a força de sustentação do planeta, a cultura ecológica que visa interferir na recuperação do meio ambiente.</li>
<li><strong>Cultura do consumo</strong> – é a cultura do consumo criada em 1955 por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Victor_Lebow">Victor Lebow</a> para favorecer o crescimento do capitalismo. E hoje somos vitimas desta cultura que consome a nos, nossos laços familiares e afetivos e principalmente o planeta.</li>
</ul>
<p>No texto Sustentabilidade Insustentável ficou clara a interação entre as forças da Cultura verde e da Cultura do consumo, mas também ficou claro que esta interação não é frontal. A cultura verde ainda não se posicionou frontalmente contra a cultura do consumo, esta interação hoje ainda se dá de forma tangencial. Entretanto o posicionamento frontal é a tendência para que a resultante destas duas forças seja nula. Mas porque ainda não temos um posicionamento frontal entre estas duas forças?</p>
<p>Durante a Crise Econômica Mundial de 2008-2009, os países envolvidos injetaram cerca de <a href="http://www.swissinfo.ch/por/specials/crise_financeira/Governos_gastam_quase_US$_10_trilhoes_com_a_crise.html?cid=846172">U$ 10 Trilhões</a> para salvar a economia, ou seja U$1.422,00 por habitante do planeta! Proteger os principais ecossistemas mundiais por 30 anos custaria apenas <a href="http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/artigo123597-2.htm">U$ 1,3 Trilhões</a>, ou erradicar a fome no planeta apenas U$ 30 milhões por ano. Você acha que os governos investiriam esta quantia para salvar o planeta? Provavelmente não, e não que os governos sejam maus, e sim porque todos nos vivemos num perverso sistema de dogmas e valores, onde o capital e a propriedade intelectual estão acima das pessoas, dos direitos civis e até do direito à vida.</p>
<p>Segundo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Rushkoff">Douglas Rushkoff</a> o capitalismo é o sistema operacional da sociedade atual. Ou seja todos o nosso sistema de valores, dogmas e padrões comportamentais estão baseados neste sistema operacional chamado capitalismo e acrescento que o “shell” é a cultura do consumo de Victor Lebow, que nada mais é do que a maior força destrutiva do meio ambiente da atualidade. Rushkoff ressalta que já houveram outros “sistemas operacionais” na história da humanidade e assim como o capitalismo que é uma invenção do homem, o próximo sistema também o será.</p>
<p>Voltando alguns parágrafos atrás podemos concluir que as culturas verde e do consumo não se enfrentam frontalmente porque a cultura verde teria de negar o capitalismo para fazer este enfrentamento, e uma sociedade “rodando” sobre o capitalismo simplesmente iria reagir contra o confronto. Ou seja, não enfrentamos o capitalismo e a cultura do consumo que devoram o planeta porque simplesmente não conseguimos achar alternativas para o primeiro e nem nos entender sentindo prazer sem o segundo, esta é a pura verdade. Será necessário um profundo pensar “fora da caixa” para achar uma solução para este paradoxo.</p>
<p>No livro The End of Money and The Future of Civilization, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Greco">Thomas Greco</a> fala que qualquer crescimento exponencial é insustentável, e cita que três crescimento exponenciais na atualidade: O nível de CO2 na atmosfera, a população humana e o endividamento. Todos os três nos levam à um sistema em crise, o crescimento do nível de CO2 na atmosfera intensifica o aquecimento global e é uma das forças chamadas de ameaças artificiais, o crescimento da população humana também se enquadra nesta força pois nossa tecnologia afastou de nós nosso inimigos naturais, e segundo estudos o planeta só suporta o dobro da população atual. O endividamento deu seu primeiro sinal na crise recente, e colocou a eficiência do sistema na roda de discussão e o capitalismo em cheque. O colapso anunciado dos três sistemas será bom para o planeta e ruim para a humanidade.</p>
<p>História das coisas é <a href="http://storyofstuff.org/">um projeto</a> que tem por objetivo mostrar que o sistema capitalista esta em crise e que é preciso mudar muita coisa, alias foi este projeto que me motivou escrever este artigo. No <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E">video do projeto</a> a autora ressalta alguns fatos preocupantes: Somente nas três últimas décadas foram consumidos 33% dos recursos naturais existentes no planeta; Para cada saco de lixo que dispensamos, outros 70 foram dispensados no processo de fabricação; Os EUA com 5% das população mundial consomem 30% dos recursos naturais extraídos.</p>
<p>O cenário não é nada favorável, e ainda temos de acrescentar as forças de ameaças naturais e artificiais na equação, uma tempestade solar anunciada promete <a href="http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/astronomia-nasa-pesquisa-cientifica-tempestade-solar-superinteressante-584813.shtml">dizimar todo tipo de equipamento eletrônico</a>, isto é um exemplo de interação das ameaças naturais no espaço do artificial. A interação das forças nos espaços naturais e artificiais pode configurar novas forças e novos cenários, é importante pararmos para analisar isto.</p>
<p>É importante repensarmos novos valores, para muitos será impossível pensar num mundo sem a cultura do consumo, mas para a sociedade conectada isto pode ser bem mais fácil. Temos de pensar diferente, retornar os bens duráveis, dizimar a cultura do consumo. Temos ai a rede Metareciclagem que tem por proposta a desconstrução da tecnologia para a transformação social, dando novas funcionalidades a hardwares descartados. A cultura livre é um ótimo exemplo de pensar diferente, a ideia de compartilhar e remixar é o caminho para um novo modelo de economia sustentável, e eu acredito muito que este novo modelo surgirá com força no Brasil.</p>
<p>Este artigo foi publicado originalmente como: <a href="http://www.revista.espiritolivre.org/?p=625">A matriz de forças da sustentabilidade na página 37 da edição 17 da Espirito Livre</a>.</p>

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		<title>A singularidade das multidões</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 03:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<blockquote><p><span style="font-size: small;"><em><strong>multidão</strong></em></span><span style="font-size: x-small;"><em> (latim multitudo, -inis) s. f.</em></span></p>
<ol>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Grande número de pessoas (ou de coisas).</em></span></li>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Aglomeração; montão.</em></span></li>
<li><span style="font-size: x-small;"><em>Povo; populacho; turba.</em></span></li>
</ol>
</blockquote>
<p>Ao pensarmos em multidão imaginamos o caos, desorganização, confusão, contra produção. Assim foi por muitos anos no espaço da racionalidade. Práticas educacionais e corporativas buscaram na padronização o caminho para o progresso, alinhados à cultura da produção em massa da Revolução Industrial. Até mesmo o lema da nossa bandeira: Ordem e Progresso; parece nos remeter a esta lógica, uma lógica profundamente entremeada nos valores e princípios da sociedade do século XX. Praticamente uma verdade absoluta e intangível que serviu de base para a construção das estruturas sociais e organizacionais até então conhecidas: Hierarquia vertical, comando em cascata, broadcasting e o gênio solitário.</p>
<div id="attachment_713" class="wp-caption aligncenter" style="width: 730px"><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/multidao.jpg"><img class="size-full wp-image-713" title="multidao" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/multidao.jpg" alt="" width="720" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Afonso Lima</p></div>
<p>No final do século XX, os EUA abriram a Internet à humanidade, até então uma infra-estrutura tecnológica em rede que servia para a comunicação e armazenamento de dados entre acadêmicos e militares. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee">Tim Berners-Lee</a> adicionou à esta camada uma nova camada de comunicação, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Www">WWW</a>. A apropriação da <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6287">WWW livre</a> e a consolidação dos conceitos de usabilidade e acessibilidade, pavimentaram o que hoje chamamos de web 2.0. Se observarmos “fora da caixa”, tudo que evoluiu na verdade configurou na redução da curva de aprendizagem, e consequentemente facilitou enormemente o acesso, tornando as camadas tecnológicas da rede invisíveis. A partir dai a Internet transformou-se em uma rede de pessoas, iniciando um processo sem retorno de profundas mudanças em todas as esferas da sociedade.</p>
<h2>Crowdsourcing, as multidões fazendo acontecer</h2>
<p>O Software Livre é sem dúvida nenhuma o caso mais notável de crowdsourcing. É uma construção caótica de software, com uma organização sem lideres, e sem hierarquias, jogando por terra valores e princípios “inegociáveis” do século passado. Muitos ainda não entendem como é possível produzir desta forma, outros tantos nunca irão entender, pois teriam de destituir-se de velhos e sedimentados princípios e valores, e muita gente não esta disposta à isto. Ainda são do tempo do “Em time que esta ganhando não se mexe”, azar o deles? Não, esta resistência à mudança tem sido a mola mestra do <a href="http://va.mu/DtV">ACTA</a> e outras práticas daninhas à rede como o <a href="http://meganao.wordpress.com/o-mega-nao/o-que-combatemos/">AI5 digital</a>. Estes <a href="http://entropia.blog.br/2010/04/23/acta-e-o-tripe-do-atraso/">neoludistas</a> enxergam a Internet como uma ameaça, e nós como uma oportunidade única. <strong>Estamos em rota de colisão</strong>.</p>
<p>A nosso favor estão as pessoas de mente aberta, como o Rob McEwen CEO da <a href="http://va.mu/Dtc">GoldCorp</a>, uma mina de ouro Canadense, que em 1999 estava à beira da falência. Depois de encantar-se pelo espírito livre e desbravador do Linux, que ele assistiu em uma conferência no MIT. Apesar de seus funcionários e especialista dizerem que não era mais possível extrair ouro da mina, ele acreditou que alguém poderia ter a solução. McEwen criou o concurso <a href="http://www.goldcorp.com/_resources/news_releases/2002/02-18-02.pdf: 503918www.goldcorp.com/_resources/news_releases/2002/02-18-02.pdf">Goldcorp Challenge</a>, que prometia distribuir U$575.000 aos que tivessem as melhores idéias para extrair ouro. Rob compartilhou dados secretos, como plantas, mapas, estudos e tudo mais que fosse necessário. O resultado do concurso foi fantástico, além da economia, equivalente a três anos de funcionamento, foram identificados 110 pontos de extração, e metade deles jamais haviam sido identificados pela Empresa. A GoldCorp pulou de um faturamento de U$ 100 milhões por ano para U$ 2 bilhões.</p>
<p>O caso da GoldCorp é emblemático porque é um caso que os analógicos entendem, é um exemplo incontestável do poder das multidões. Outros casos interessantes estão se construindo à nossa volta, como os diversos projetos de crowdfunding, onde indivíduos investem e decidem coletivamente como o capital será aplicado. A Wikipedia é outro caso fantástico, bem como as próprias redes sociais, elas não são nada sem nossa participação, sem nos o Facebook, Orkut, Youtube e outros não seriam nada, apenas uma boa idéia. E o mais incrível e que continuamos a agregar valor à estas redes, pois não visamos o retorno material, nossas motivações são outras. O documentário <a href="http://va.mu/DtM">Us Now</a> nos mostra vários casos de crowdsourcing, até mesmo um time de futebol, o <a href="http://va.mu/Dtj">Ebbsfleet united</a>, com mais de 30 mil donos e técnicos que decidem de forma colaborativa até mesmo a escalação do time. Us Now também mostra exemplos de auto-organização que apontam para novas formas de governo, de democracia participativa.</p>
<p>Na esfera do governo, temos projetos inovadores no Brasil, como as consultas públicas do <a href="http://va.mu/Dtl">Marco Civil da Internet</a> , <a href="http://va.mu/Dtn">Reforma da Lei de Direito Autoral</a> e outras. Estas consultas foram feitas de forma livre à população pela Internet, um caso digno de registro de crowdsourcing no processo legislativo. Por falar em processo legislativo, temos também no Brasil o <a href="http://edemocracia.camara.gov.br/">e-Democracia</a>, uma rede social ligada à <a href="http://www.camara.gov.br">Câmara dos Deputados</a>, que permite discutir temas em destaques e propor novos temas para debate. Ainda não temos nenhum projeto de colaboração como o <a href="http://va.mu/Dtz">Challenge</a> Americano, onde diferentes órgãos do governo, apresentam problemas à sociedade e recompensam financeiramente àqueles que apresentam as melhores soluções.</p>
<p>O <a href="http://www.crowdsourcing.org/">Crowdsourcing.org</a>  é uma rede social especializada no crowdsourcing, e identifica basicamente sete grupos de estudo do tema:</p>
<ul>
<li>Crowdfounding – Financiamento coletivo;</li>
<li>Cloud Labor (Trabalho em nuvem) – Aproveitamento de grupos virtuais de trabalho, disponíveis sob demanada para a realização de tarefas e projetos;</li>
<li>Collective Creativity (Criatividade coletiva) – Uso de grupos de talentos para desenvolvimento original de arte, design, mídia e conteúdo;</li>
<li>Open Innovation (Inovação aberta) – Uso de fontes externas à entidade ou grupo para gerar, desenvolver e implementar ideias;</li>
<li>Collective Knowledge (Conhecimento coletivo) – Desenvolvimento de células de conhecimento e informação a partir de grupos distribuidos de colaboradores;</li>
<li>Community Building (Construção de comunidades) – Desenvolvimento de comunidades através de grupos que compartilhem das mesmas paixões;</li>
<li>Civic Engagement (Engajamento cívico) &#8211; As ações coletivas que tratem de questões de interesse público.</li>
</ul>
<p>Como vemos, ainda estamos começando a usar o poder das multidões, as pessoas estão começando a entender que juntas possuem um poder ilimitado, que não dependem dos intermediários e representantes. Governos e corporações também estão entendendo&#8230;</p>
<h2>Individuo coletivo</h2>
<p>Nos meus tempos de criança acreditávamos na figura do gênio solitário, filmes e desenhos animados nos mostravam cientistas isolados do mundo e acompanhados de um assistente burro, uma bela metáfora. É impressionante, mas hoje em dia muita gente ainda acredita no gênio solitário, tivemos nossas subjetividades subjugadas como sempre. Felizmente o mito do gênio solitário esta sendo derrubado nos tempos digitais do século XXI, avise aos &#8220;analógicos&#8221; da sociedade! Scott Berkun, ex-engenheiro da Microsoft, em seu livro &#8220;<a href="http://www.amazon.com/gp/product/1449389627/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=1449389627">The Myths of Innovation</a>&#8221; joga este conceito por água abaixo, e de quebra ainda enterra a idéia de que grande inovações vieram por epifania. Berkun explora uma questão muito importante, e que nos simplesmente sublimamos: Não estamos sozinhos, o ser humano é um ser social. Seja qual forma as idéias irão tomar, se produto material, imaterial ou bem cultural, elas são da coletividade. As idéias são construídas em coletividade, o &#8220;dono&#8221; dela tem sido aquele que consegue sistematiza-las ou utiliza-la para um propósito específico. O legado do século passado ainda insiste no fato de que as idéias são do primeiro a registrar a sua patente.</p>
<p>Somos parte da multidão, somos construtores da subjetividade coletiva, assim como nossa subjetividade é produto desta construção. Para ser mais correto, podemos afirmar que somos prosumidores de nos mesmos e ao mesmo tempo de todos nossos peers, que também são nossos prosumidores. No século passado isto era entendido pelo provérbio que dizia que “o homem é produto do meio”, mas o meio mudou, e o provérbio mostrou-se incompleto. Hoje podemos dizer que “o homem é produto do meio e o meio é produto do homem”, isto num ciclo crescente de construção cognitiva e coletiva do conhecimento. Quanto mais conectada a sociedade, mas visíveis ficam velhos conceitos que estão sendo subjugados, estamos quebrando velhas regras com uma voracidade incrível. Hoje entendemos que somos feitos de células, e a nossa “alma” de colaboração. É preciso entender que somos todos “eu” coletivo, que carregamos em nos um pouco de cada um, e vice versa.. Isto vale para tudo, saber, negócios, política e informação, ninguém é alguém sozinho. É preciso entender que o conhecimento pertence à sociedade, e que esta, e somente esta, tem a capacidade e o direito de transforma-lo de forma nunca antes imaginada na história da humanidade.</p>
<h2>Os seis graus que nos separam</h2>
<p>O importante fator das profundas e definitivas mudanças que estamos passando em nossa sociedade é o fato de estarmos novamente conectados em rede, novamente porque muito provavelmente estivemos conectados em rede quando ainda selvagens. A natureza irracional e burra esta repleta de exemplos de estruturas em rede, colméias, formigueiros, movimentos dos mares, planetas, e até mesmo nossa estrutura celular e neural! O homem civilizado cometeu um grande equivoco ao confundir a seletividade evolutiva com a organização estrutural das diversas sociedades, aprendemos equivocadamente que necessitamos de uma estrutura de poder vertical, poucos pensam e muitos executam, mais uma bela metáfora do capitalismo. Estão sempre buscando lideres em tudo&#8230;</p>
<p>Albert-László Barabási é um estudioso de redes, matemático, sistematizou esta estrutura e conseguiu provar matematicamente a teoria dos seis graus de separação. Segundo Barabási, apesar de seremos milhões conectados em rede, estamos de fato, distantes de qualquer outro por apenas seis pessoas. Barabási explica que as estruturas de redes são complexas e os hubs são indispensáveis ao funcionamento destas estruturas. Hubs por exemplo são indivíduos com alto capital social, ou sites e serviços populares. Os hubs são atalhos entre os milhões de nós da rede, de qualquer rede.</p>
<p>Fritjof Capra, compila no livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/62024/teia+da+vida,+a&amp;franq=128026">A Teia da Vida</a>”, várias contribuições da física, da matemática e da biologia para a compreensão dos sistemas vivos e, especialmente, de seu padrão básico de organização. Capra identifica a rede como esse padrão comum a todos os organismos vivos. “Onde quer que encontremos sistemas vivos – organismos, partes de organismos ou comunidades de organismos – podemos observar que seus componentes estão arranjados a maneira de rede. Sempre que olhamos para a vida, olhamos para redes. (&#8230;) O padrão da vida, poderíamos dizer, é um padrão de rede capaz de auto-organização&#8221;. Em seu livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/253089/conexoes+ocultas,+as:+ciencia+para+uma+vida+sustentavel&amp;franq=128026">As Conexões Ocultas</a>”, Capra tenta aplicar os princípios apresentados em “A Teia da Vida” na análise de fenômenos sociais – como o capitalismo global, a sociedade da informação, a biotecnologia e os movimentos contra-hegemônicos da sociedade civil.</p>
<h2>A singularidade será das multidões</h2>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/matrix-800x600.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-720" style="margin: 5px;" title="matrix-800x600" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/08/matrix-800x600-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Conforme a Wikipedia, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica">singularidade tecnológica</a> é a denominação dada a um evento histórico previsto para o futuro, no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo. Vários cientistas, entre eles Vernor Vinge e Raymond Kurzweil, e também alguns filósofos afirmam que a singularidade tecnológica é um evento histórico de importância semelhante ao aparecimento da inteligência humana na Terra. Ainda não existe consenso sobre quais seriam os agentes responsáveis pela singularidade tecnológica, alguns acreditam que ela decorrerá naturalmente, como conseqüência dos acelerados avanços científicos. Outros acreditam que o surgimento iminente de supercomputadores dotados da chamada superinteligência será a base de tais avanços.</p>
<p>Na minha opinião a singularidade não será tecnologia, e sim das multidões, quanto maior a penetração da Internet na sociedade e quanto mais intensa for apropriação do crowdsourcing, mais rapidamente teremos as mudanças. Estas mudanças tenderão a ser de forma exponencial, não significa que mais um participante produza um incremento unitário, mas sim que este incremento leve em conta que o crowdsourcing é um processo retro-alimentando. Desta forma, nesta equação temos de considerar o que já fora construído e o potencial agregador e construtor do novo player, considerando inclusive seu capital social. Capital social este determinado em função da rede de relacionamento e do poder interativo e comunicacional deste indivíduo. <strong>Esta singularidade se dará na intensa construção cognitiva e coletiva do saber, potencializando ao máximo o conceito da <a href="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=0738202614&amp;camp=217145&amp;creative=399369">Inteligência Coletiva</a> sistematizado pelo filósofo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_L%C3%A9vy">Pierre Levy</a>.</strong> Este fenômeno se dará possivelmente no momento em que a geração digital atingir a maturidade. Esta geração terá todos os conjuntos de afinadades, dogmas e valores para o processo pleno da construção e uso da Inteligência Coletiva, caracteristicas estas que nos imigrantes digitais não temos e nunca teremos, mas teremos o privilégio de vislumbrar o nascimento de uma nova sociedade infinitamente mais inteligente que a nossa, e profundamente interconectada, mudando radicalmente o mundo que conhecemos.</p>
<p>Uma vez entendido isto, podemos imaginar o tamanho do poder que a sociedade conectada poderá vir a ter, numa matriz dos poderes instituídos, este seria o quinto poder. Hoje temos os três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário que são poderes locais, e o quarto poder que é o corporativo que é enorme e transnacional e atualmente exerce uma enorme força sobre os Estados. Se levarmos em conta de que das 100 maiores economias do mundo, 51 são <a href="http://va.mu/C5g">corporações</a>. Dá para sentir o tamanho da força do quarto poder, eles simplesmente são mais poderosos que as nações. Entretanto o poder das corporações é avaliado em função do capitalismo, e da cultura da escassez. <a href="http://www.rushkoff.com/">Douglas Rushkoff</a> avalia que o capitalismo é na verdade o “sistema operacional” da sociedade, e que assim como ele no passado substituiu o “sistema operacional” vigente, nada impede que ele venha a ser substituído em breve, e a minha tese da singularidade das multidões prevê isto como citado no parágrafo anterior. Thomas Greco, em seu livro “<a href="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=1603580786&amp;camp=217145&amp;creative=399369">The end of money and the future of civilization</a>” coloca mais lenha na fogueira, mostrando que o modelo capitalista é auto-destrutivo e insustentável e que a partir da crise de 2008, a coisa só tende a piorar. Greco aponta na direção que estamos tomando. Mas o que virá depois do capitalismo? Segundo o Professor Giuseppe Cocco o que esta se construindo é o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo_cognitivo">Capitalismo Cognitivo</a>, uma forma de capitalismo que tem o conhecimento e a informação como principais riquezas e valoriza as competências cognitivas e relacionais.</p>
<p>Mesmo antes da troca do “sistema operacional” da sociedade, veremos o quinto poder chegar a um patamar de igualdade ao quarto. Se configurarem as previsões, as mudanças serão profundas e alavancarão o quinto poder como o maior poder da sociedade, ou seja, a própria sociedade conectada será o seu maior poder. Temos movimentos políticos e sociais acontecendo pelas multidões conectadas, o <a title="Ajude o Mega Não conquistar o Prêmio FRIDA" href="http://meganao.wordpress.com">Mega Não</a> e o Ficha Limpa no Brasil, 15-M na Espanha, o Stop Acta a nível mundial e troca de poder no Egito só para citar alguns. Os sinais estão por ai, e os envolvidos estão cientes e tomando suas providências, eles tem pressa. Em 2012 teremos a maior idade de uma parcela significativa da geração digital, eles tem pressa, muita pressa.</p>
<p>Texto ampliado e adaptado do que publiquei originalmente na <a href="http://www.revista.espiritolivre.org/?page_id=1296">Revista Espirito Livre numero 26</a>, de maio de 2011</p>

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		<title>Nota de falecimento</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 14:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<h2>Acaba de falecer o <strong>CAPITALISMO</strong>!</h2>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/07/debitousa.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-689" style="margin: 5px;" title="debitousa" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/07/debitousa.jpg" alt="" width="360" height="668" /></a>Rituais de magia branca de olhos azuis e amarela de olhos puxados ainda tentarão dar sobrevida ao defunto inutilmente. Seus comparsas, a mídia golpista (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pig">PIG</a>) tentarão ocultar o cadáver, mas a sociedade conectada, o quinto poder, irão mostrar a todos onde esta o corpo fétido. O establishment irá negar enfáticamente sua culpa no assassinato:</p>
<p>- Foram os emergentes!</p>
<p>- Foram os emergentes!</p>
<p>Eles dirão na mais manjada estratégia Maquiavélica, afinal o Inferno são os outros ja dizia Sartre.</p>
<p>Seus orfãos, os Bancos e Mega Corporações irão tentar, através do legado da privataria promovida pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo">neoliberalismo,</a> instalar o &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neocolonialismo">neocolonialismo</a>&#8220;, tentando extrair vorazmente da turma de baixo suas riquezas. Entretanto o povo de baixo já não é mais tão subserviente ao império, e a queda 2.0 da nobreza colocará o mundo de cabeça para baixo.</p>
<p>O <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo_cognitivo">capitalismo cognitivo</a>, onde as pessoas são o centro e não o dinheiro, vazara de baixo para cima, trocando o &#8220;sistema operacional&#8221; da sociedade como prefetizou <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0812978501/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0812978501">Rushkoff</a><img style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=0812978501&amp;camp=217145&amp;creative=399369" alt="" width="1" height="1" border="0" />, e veremos uma profunda e gratificante mudança na sociedade, onde o pensar e agir coletivo é a normalidade como bem diz <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0143114948/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=0143114948">Shirky</a>.</p>
<hr />
<p>A nota acima foi inspirada pelo <a href="http://www.wtfnoway.com/">infográfico da divida americana</a>, que mostra a divida total de 114,5 trilhões de dolares. Segundo o infográfico, um cidadão médio levaria 92 anos para acumular U$ 1 milhão, logo seriam necessário que 114.500.000 de americanos trabalhem 92 anos para pagar a dívida. Como a estimativa de vida do Americano esta em 78 anos, uma regra de três simples nos leva ao número de 135.051.282 cidadãos, o que equivale a quase 44% da população daquele país. Some-se a isto a crise que assola a Europa, onde a dívida impagável da <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100506/not_imp547649,0.php">Grécia é apenas a ponta do Iceberg</a> e veremos um quadro dantesco.</p>
<p>Thomas Greco em seu livro &#8220;<a href="http://www.amazon.com/gp/product/1603580786/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&amp;tag=flashbrasil&amp;linkCode=as2&amp;camp=217145&amp;creative=399369&amp;creativeASIN=1603580786">The End of Money and the Future of Civilization</a><img style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=flashbrasil&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=1603580786&amp;camp=217145&amp;creative=399369" alt="" width="1" height="1" border="0" />&#8221; ja preconizava isto, afinal o capitalismo vive de endividamento, somos todos endividados e não prosperos como nos fazem crer. Estamos sempre trocando de dívidas, e isto leva a um ponto onde o endividamento se torna uma escala logarítmica, que tende ao infinito, promovendo uma verdadeiro &#8220;stall&#8221;.</p>
<p>Então prepare-se vamos entrar em uma grande turbulência, a aeronave vai cair, mas muitos sobreviverão&#8230;</p>
<p>Nota: Depois de publicar este texto aos sete ventos sem me certificar do valor da dívida americana, fui informado que ela é de U$ 15 trilhões e fui averiguar e vi que na verdade 114,5 trilhões de dolares é o valor emprestado a descoberto pelos bancos americanos, o que na prática acaba dando no mesmo. A figura acima mostra dois &#8220;edificios ao lado da estatua da liberdade, o menor é equivalente à pilha de cédulas de U$ 100,00 da dívida americana e o maior que o World Trade Center é o total do empréstimo à descoberto dos bancos americanos.</p>
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		<title>Orwell &amp; Huxley um ensaio distópico</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 20:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2011%252F04%252F14%252Forwell-huxley-um-ensaio-distopico%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Orwell%20%26%20Huxley%20um%20ensaio%20dist%C3%B3pico%22%20%7D);"></div>
<blockquote><p>Uma Distopia ou Antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utópica ou promove a vivência em uma &#8220;utopia negativa&#8221;. São geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo bem como um opressivo controle da sociedade. Nelas, caem-se as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. Assim, a tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, de instituições ou mesmo de corporações.</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia">Wikipédia </a></p>
</blockquote>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/paleofuture.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-639" title="paleofuture" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/paleofuture.jpg" alt="" width="800" height="622" /></a></p>
<p>Nos meus tempos de criança costumava viajar no tempo assistindo às  séries espetaculares de ficção, nos anos 60 e 70 era o que tinha de mais  comum: Perdidos no Espaço, Viagem ao Centro da Terra, Terra de Gigantes  dentre outros. Nasci na década que o homem foi à lua e assisti junto  com minha família a transmissão ao vivo desta façanha, sempre fui <a href="../2006/01/02/o-moleque-chato/">fascinado pelo futuro</a>, pelo espetáculo da evolução e pelo avanço da tecnologia. O blog <a href="http://www.paleofuture.com/">Paleo Future</a> me remete àqueles tempos, onde a visão futurística nunca se  concretizou. Sempre curti ficção científica, mas ela sempre erra, é  muito difícil prever o futuro, afinal o futuro não é feito apenas por  idéias e conceitos, a sociedade é o grande determinante deste futuro,  quem poderia imaginar um smartphone há dez anos? Quem poderia imaginar a  Internet atual há dez anos? Eu tenho ousado imaginar como viveremos  daqui há vinte anos, <a href="http://pt.scribd.com/doc/20095761/2030-Rascunho-do-capitulo-1">estou escrevendo uma ficção</a>,  mas só o tempo irá me dizer se estava certo. Imagine então autores de  1932 e 1949 escrevendo sobre o futuro, devem ter errado feio!  Infelizmente não é o que parece. Em 1932 <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldous_Huxley">Aldous Huxley</a> escreveu a distopia “Admirável Mundo Novo” e em 1949 <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/George_orwell">George Orwell</a> escreveu “1984″.</p>
<p>Huxley descreve um mundo futurista com um país transcontinental, onde  os indivíduos são todos de proveta e manipulados geneticamente para que  se encaixem em determinada casta e nela permaneça satisfeito por toda  vida. No mundo de Aldous, a luxuria e o prazer são extremamente  estimulados e não existem vínculos afetivos, que são combatidos com o  estimulo à busca individual pela auto-realização. Neste mundo  hipotético, vive-se para o consumo e o prazer. Depressões e pensamentos  “negativos”, inclusive os de solidariedade, são combatidos com drogas de  consumo livre e estimulado. Em Admirável Mundo Novo, existem países que  não foram “civilizados” onde sua sociedade, dita selvagem, constrói  famílias e vínculos afetivos de forma natural, os sentimentos de  solidariedade, família e pertinência são muito comuns no mundo dos  selvagens.</p>
<p>Em 1984 o mundo futurístico também é compostos por países  transcontinentais, e o cenário é de total vigilantismo e totalitarismo.  Todas as residências são vigiadas pela “teletela” que pela descrição se  assemelha à uma TV que também transmite audio e video à uma central, livros e a  escrita privada eram proibidos. Ao contrário do cenário de Huxley, o de  Orwell prevê a manutenção da estrutura familiar, e coíbe veemente a  luxuria e o prazer. No mundo de Orwell todos trabalham pelo coletivo e  em sua maioria são funcionários do Estado. O lazer é coletivo, cidadãos  são praticamente obrigados a frequentarem clubes públicos, da mesma forma  que são obrigados à assistirem os discursos do “Grande Irmão”, que  parece ser um personagem criado para representar o lider supremo, mas  que ninguém nunca viu o rosto. Assim como a vida não tem valor algum na  distopia de Huxley, na de Orwell ela além de não ter valor, corre o  risco de nunca ter existido, pois o Ministério da Verdade, tem  por função apagar os registros históricos em todos os meios, de pessoas e  fatos que possam colocar o regime do Grande Irmão em risco.</p>
<p>Se analisarmos pela ótica econômica, o mundo de Huxley é o pior  cenário do capitalismo, enquanto que o mundo de Orwell o pior do  socialismo. Mas o que mais impressiona nas duas distopias, é sua  aderência ao cenário socio-cultural do século XXI, seguindo a máxima de  “Tostines” não saberemos dizer que Huxley e Orwell acertaram suas visões  ou se foram seguidos como quem segue uma cartilha.</p>
<p>No século XXI, ou melhor na sociedade pós-moderna, o capitalismo  segue em franca atividade, apesar da crise de 2008, por conta do  consumismo insano, que leva a sociedade a ver no consumo seu maior  objetivo de vida, quase uma religião. As pessoas são avaliadas por seus  padrões de consumo e o processo de obsolescência programada e percebida  criam constantemente signos e indicadores que acabam expondo quem esta  ou não dentro destes padrões.  O sistema financeiro  sustenta a vida  útil deste sistema perverso, adicionando novos entrantes sempre que  necessários.</p>
<p>Neste sistema que corrompe e aprisiona, seus participantes lembram os  hamsters que giram as rodas em suas gaiolas na expectativa de  encontrarem o seu final, tal como a maldição de Sisifo. Presos neste  sistema, pouco tempo sobra para os valores realmente importantes da  vida. Nossos filhos ainda não são produzidos em escala industrial como  na distopia de Huxley, mas os prisioneiros do consumismo estão sempre  terceirizando o afeto e educação de seus filhos, e de quebra estão  minando os laços afetivos, que passam a ser substituídos por laços de  consumo. Troca-se o afeto pelos presentes, estamos ensinando desde cedo a  nossos filhos que o consumo é ainda mais importante que as relações  cosanguineas, e que fazer girar a roda de Sisifo é a tarefa mais  importante de todas, custe o que custar! Não sei dizer se o alto índice  de divórcios se deve ao rompimento com valores conservadores ou se hoje  também tratamos nossos pares como produtos.</p>
<p>Constatar que nossa sociedade trata pessoas como bens de consumo, e  laços afetivos estão cada vez mais enfraquecidos, potencializados por  relações hedonicamente fúteis e luxuriosas, nos leva a pintar um cenário  muito parecido com o de Huxley, quanto mais se adicionarmos o estilo de  vida citado nos parágrafos anteriores.</p>
<p>Paradoxalmente, o capitalismo tido como o grande paladino que iria  salvar a humanidade do totalitarismo do socialismo, tem se tornado cada  vez mais um regime totalitário, mas como isto pode acontecer?</p>
<p>Estamos presenciando hoje em dia o surgimento de um quinto poder, o  do e-Cidadão, que vem a somar-se aos três poderes do Estado e o poder  das corporações. Os poderes do Estado estão limitados às fronteiras  geográficas das nações, por outro lado as corporações estão se tornando  gigantes transnacionais, e não só isto, estão crescendo tanto  verticalmente como horizontalmente, transformando-se em oligopólios. Se  levarmos em conta que das 100 maiores economias do planeta, 51 são  corporações, não temos mais dúvidas de que elas estão se tornando muito  mais poderosas que as nações, sobrepujando de forma cruel os três  poderes do Estado.</p>
<p>Felizmente estamos assistindo nesta primeira década do século XXI, o  surgimento de forças transnacionais de cidadãos conectados, que estão  derrubando ditaduras e promovendo mudanças substanciais dentro de suas  nações. Finalmente um poder que poderá se opor ao poder das corporações!  Enquanto o capitalismo é tido por Bauman como um parasita que corroí a  sociedade, quero concluir que a sociedade organizada e conectada, a  e-Cidadania, transformou-se no parasita que corroí o capitalismo. Estas  duas forças, ou blocos de poder são transnacionais e eficientes, ou  seja, a globalização social parece ter se dado de forma mais rápida e  eficiente do que a globalização econômica, e pior, se deu de forma  descontrolada, fugiu ao controle do establishment.</p>
<p>Não podemos nos esquecer da globalização politica, da criação de  grandes blocos como o surgido na Europa, que parece ser uma forma dos  três poderes do Estado ganharem força e transnacionalidade, mas que vem  dando claros sinais de que não vai muito bem. Estamos querendo  homogenizar o que não pode ser homogenizado, a diversidade é saudável em  qualquer sistema. Mas de qualquer modo esta tendência de formação de  blocos transnacionais nos remete às duas distopias, e faz sentido,  quanto menos interlocutores são necessários, mais fácil é a negociação.</p>
<p>Este cenário promete ficar ainda pior, pois vários especialistas  estão prevendo o crescimento ainda maior das corporações, que tenderão a  se tornar “mega corporações”, e com isto poderão ter um poder  praticamente ilimitado. Mas existe o poder da e-Cidadania para  contrapor-se a isto, a sociedade conectada esta compartilhando  conhecimento, arte, entretenimento, e até mesmo amor e compaixão sem a  necessidade do intermediário, ou não? Redes sociais também são  corporações e para piorar o cenário, os servidores raiz de DNS da  Internet estão subordinados à OMC!</p>
<p>Estamos sendo manipulados, estão nos dando linha como uma pipa que  sobe ao sabor dos ventos ascendentes? O poder corporativo poderá de uma  hora para outra apertar um botão e desconectar os e-cidadãos? De que  lado estão as corporações online, e de quem é o conteúdo que produzimos e  publicamos online nestas redes sociais?</p>
<p>Estamos caminhando para um novo totalitarismo, o totalitarismo do  capital, e o poder corporativo sabe que desarticular a e-cidadania não é  tão simples como mandar desligar os servidores raiz. Por esta razão  cria-se, com a ajuda laborosa da mídia mainstream. o momento Hobbesiano  com o objetivo claro de fazer crer que a Internet é um espaço sem lei,  para forçar o Estado a criar formas de controla-lo. O poder corporativo  só não mandou desligar a Internet porque assim como a sociedade ele  também depende dela, e depende de um rígido sistema de controle de  propriedade intelectual e industrial para impedir que os e-cidadãos  deixem de ser seus parasitas e volte a parasita-los livremente.</p>
<p>Pelo exposto nos temos de tomar algumas atitudes essenciais para evitar que sejamos cooptados por um novo regime totalitarista.</p>
<ul>
<li>Nos politizarmos 	mais, nos preocuparmos com as questões de nossa sociedade;</li>
<li>Aumentar a 	influência da sociedade civil na governança da rede;</li>
<li>Nos aliarmos os 	poderes do Estado;</li>
<li>Desconstruir 	incansavelmente o momento hobbesiano;</li>
<li>Pensar e construir 	alternativas para uma Internet;</li>
<li>Pensar local e 	agir global;</li>
<li>Repensar nossa 	relação com o consumo;</li>
<li>Pensar e novas 	formas de organização social.</li>
</ul>
<p>Créditos: A imagem foi obtida no <a href="http://www.paleofuture.com/">Paleo Future</a></p>

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		<title>A Campus Party que todo mundo vê, mas poucos enxergam</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 21:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Decidi fazer este post como um exercício, venho enfrentando um momento estranho, parece que perdi momentâneamente minha habilidade com a escrita, talvez seja porque tenho convivido com dinossauros mais do que o tolerável, tenho participado de reuniões onde as pessoas possuem pastas com email impresso!</p>
<p>Para tentar resgatar o meu verdadeiro eu, decidi me internar na Campus Party 2010. Fui convidado para uma <a href="http://blip.tv/file/3140656">palestra</a> no <a href="http://www.campus-party.com.br/campus-forum.html">Campus Forum</a> na terça (26/01) e aproveitei para ficar até sábado (30/01), foi ótimo, revi gente conectada, gente do meu mundo e pude voltar a sentir o sabor da evolução, o frescor da brisa tecnológica e o calor humano de uma rede de pessoas. Foram momentos de extremo prazer, conversas produtivas, palestras, planos e celebrações, tudo girando em torno de um só tema, a sociedade conectada e o futuro do Brasil.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/Cparty10MarcoCivil021.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-323" title="Marco Civil Campus Party" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/Cparty10MarcoCivil021-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<h2>O que todo mundo vê e poucos enxergam?</h2>
<p>Esta foi a terceira edição da Campus Party, e cada edição possui características marcantes, esta por exemplo estava muito focada em cibercultura e aspectos legais e operacionais da Internet. Mas um pequeno detalhes estava o tempo todo pulando na cara de todo mundo, seja nos slogans, nas falas, no material, nos banners e no <a href="http://blog.campus-party.com.br/index.php/campus-party-brasil/">site oficial</a>: <strong>A Internet é uma rede de pessoas.</strong></p>
<p><strong><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03178.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-318" title="Campus Party" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03178-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
</strong></p>
<p>Bom se esta frase não tem nenhum significado a mais para você, é porque você é um dos que viu e não enxergou, mas não se preocupe, muitos não enxergaram. O fato de afirmar que a Internet é uma rede de pessoas contraria o mantra midiatico de que a Internet é uma rede de computadores, a Internet já deixou de ser uma rede de computadores há quase 10 anos.</p>
<p><a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03190.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-319" title="Campus Party camping" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC03190-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>A afirmativa de que a Internet é uma rede de pessoas subverte o conceito anterior de que a internet é uma rede de computadores, assim como hoje estamos na era da participação que subverteu o conceito da era da informação, mas curiosamente ambos os conceitos ultrapassados são ainda utilizados pela nossa jurássica mídia.</p>
<p>Em outras palavras, a questão tecnológica da Internet já se naturalizou, de forma que é naturalmente ignorada pelo o usuário de tal forma que este já enxerga diretamente a parte social da rede. Nem mesmo a velha frase que diz que a Internet é uma rede de pessoas mediada por computador é mais uma afirmativa indiscutível, com o crescimento da ubiquidade do acesso fica difícil definir o que é de fato computador, um celular é um computador? Neste caso a rede poderia ser definida como uma rede de pessoas mediada por dispositivos conectáveis, mesmo assim esta afirmativa, apesar de correta, coloca uma barreira no seu entendimento, em um momento que a invisibilidade da tecnologia se faz necessária para dar valor ao aspecto humano da rede.</p>
<p>Há dois anos fiz uma <a href="http://entropia.blog.br/2008/03/16/o-novo-geek-e-maslow/">análise da pirâmide da pirâmide de Maslow aplicada as mídias sociais</a>, que orgulhosamente apelido de pirâmide de Caribé ou hierarquia das necessidades em mídias sociais. Nesta analise eu estabeleço que os dois primeiros degraus da pirâmide são o conhecimento tecnológico e o acesso, mas se olharmos pela ótica que venho tecendo acima, podemos dizer que na verdade a pirâmide esta se transformando em um losango, uma vez que estes dois primeiros degraus estão ficando cada dia mais invisíveis, o que de certa forma acelera a tão desejada &#8220;alfabetização digital&#8221;.<br />
<a href="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/piramidelosangouso.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-328" title="piramidelosangouso" src="http://entropia.blog.br/wp-content/uploads/2010/04/piramidelosangouso-1024x500.png" alt="" width="600" height="293" /></a><br />
Não tirando a questão tecnológica da Campus Party, afinal é sim de certa forma a tecnologia em seus diferentes niveis de visibilidade que as pessoas buscam encontrar no evento, mas principalmente as pessoas buscam encontrar pessoas, a Campus Party é na verdade uma grande rede social ao vivo de pessoas conectadas, uma tangibilização da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cauda_Longa">cauda longa</a>, um encontro de muitas tribos que habitam o ciberespaço e este planeta chamado terra, pense nisto.</p>
<h2>A miopia universitária</h2>
<p>Pouco antes da Campus Party, conversando com um amigo, o <a href="http://twitter.com/quimbanda">Ronald Stresser</a>, ele comentou que estava pensando em fazer um curso mais específico de mídias sociais, e respondi quase de imediato que a Campus Party era o melhor curso de mídias sociais que ele poderia fazer, foi uma resposta daquelas &#8220;bate pronto&#8221; e depois comecei a pensar no que falei e vi que havia acertado na mosca.</p>
<p>Na Campus Party vivencia-se a cultura digital o tempo todo, é um paraiso para etnografos, profissionais e pesquisadores de comunicação e alias qualquer área profissional que de alguma forma envolva a Internet. Neste ano tivemos dezenas de palestras, com temas diversos e riquissimos, encontro dos cerebros da cibercultura brasileira, dos ativistas, legisladores e parlamentares da liberdade na rede, visita de presidenciaveis, debates de software livre, jogos, midias sociais, musica, video, multimidia, robotica, casemod e um monte de outras coisas. Na Campus Party você faz parte do contexto e não apenas lê sobre ele, o aspecto informal do evento reflete a informalidade e a liberdade da rede, onde você vai alem do livro, pode interagir com os autores, e isto não tem preço.</p>
<p>Mas onde estão as caravanas organizadas pelas universidades? Imagine o valor para uma faculdade de Direito em participar dos debates a cerca do Marco Civil, assistir à uma palestra do Lessig e de quebra ainda conversar com varios juristas, parlamentares, e representantes da sociedade civil que se fizeram presentes? Imagine o valor para uma faculdade de Comunicação participar de debates sobre cibercultura com os maiores estudiosos da área no Brasil? Ou quem sabe as faculdades de Pedagogia participarem da discussão a cerca do novo modelo de Universidade levantado pela pesquisadora <a href="http://twitter.com/ivanabentes">Ivana Bentes</a>?</p>
<p>Poderia enumerar dezenas de outros casos, eu nem falei da área técnica, mas foi de propósito, mas pergunto: Afinal porque as universidades ainda sofrem do mal de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADsifo">Sísifo</a>, e continuam seguindo o mesmo caminho secular ao invés de apresentar novas propostas e desafios?</p>

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		<title>A constante nas organizações modernas é a própria mudança</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 01:37:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<p>Sintetizando o livro &#8220;<a title="Link para a resenha do livro que fiz aqui no blog" href="http://entropia.blog.br/2007/07/15/faca-sexo-com-seu-chefe/">Sobreviver não é o bastante</a>&#8221; de <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:Seth+Godin">Seth Godin<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script>, a mensagem que fica é &#8220;<strong>A constante nas organizações modernas é a própria mudança</strong>&#8220;.</p>
<p>Kotler cita em seu livro, <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:Kotler">Marketing para o século XXI<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script>, que Akio Morita tinha uma estratégia de criar três equipes para todos seus produtos: Uma para o seu desenvolvimento propriamente dito, outra para desenvolver um produto melhor e uma terceira para torna-lo obsoleto. Esta saudável prática de canibalismo corporativo vem sendo sistematicamente evitada sob todos os aspectos, é utilizada apenas por empresas antenadas.</p>
<p>Em caso recente, <a title="Veja nota no Blue Bus sobre o caso" href="http://www.bluebus.com.br/show/2/83261/4%BA_congresso_mudar_para_deixar_tudo_como_esta_sergio_viriato">no 4o Congresso de Publicidade, mudaram o nome do painel</a> de &#8220;O modelo brasileiro de remuneração das agências de publicidade&#8221; para &#8220;A Valorização, a Prosperidade e a Rentabilidade da Indústria da Comunicação&#8221;.</p>
<p>Mas por quê isto tem de ser assim? Temos medo de mudar, e atacamos tudo que nos remete à esta necessidade, principalmente no Brasil, onde o empreendedorismo não é uma prática tão valorizada quanto um bom e seguro emprego numa estatal. Para quê mudar? <strong>Não se mexe em time que esta ganhando</strong>? Não mesmo ? Ou seria melhor dizer: <a title="Link para meu post proverbios 2.0 aqui no blog" href="http://entropia.blog.br/2007/07/26/proverbios-populares-20/">Em time que esta ganhando a mudança é uma constante</a> ?</p>
<p>Quando estamos nesta discussão, se a web é ou não o bicho papão que ameaça nossa tranquilidade, a minha opinião é de que primeiro temos de ser imparciais, e em seguida aumentar nosso ângulo de visão, ou como dizem os Americanos, ativar nossa visão de passaro. <strong>Temos de correr o risco de enxergar o que não queremos ver</strong>, e com isto ganhar o precioso tempo hábil para nos reconfigurarmos e seguirmos o trem da evolução, para não sermos pegos de surpresa e atropelados por ele.</p>
<p><em>Foto: Foto obtida no banco de imagens <a href="http://www.sxc.hu/photo/900907">Stock.Xchng</a> produzida por <a href="http://www.dezignia.com/">Zoran Ozetsky</a></em></p>
<p><em></em></p>

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		<title>Pérolas da cibercultura, um post que vale por um cursinho</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 19:30:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ <p>Depois do meu último post, me convenci de que realmente precisamos de novas ferramentas e novos conceitos para entender o que esta acontecendo hoje no mercado da comunicação. Para isto decidi reunir e publicar aqui os links para as principais pérolas da cibercultura na minha opinião. São elas definições, conceitos, textos e até e-books [...]
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<p>Depois do <a href="http://entropia.blog.br/2008/03/29/siva-o-mix-de-marketing-20/">meu último post</a>, me convenci de que realmente precisamos de novas ferramentas e novos conceitos para entender o que esta acontecendo hoje no mercado da comunicação. Para isto decidi reunir e publicar aqui os links para as principais pérolas da cibercultura na minha opinião. São elas definições, conceitos, textos e até e-books completos.</p>
<h3>Redes</h3>
<p>O entendimento de redes no sentido mais amplo, e não técnico, é teoria fundamental para o entendimento de tudo na cibercultura. É necessário entender que somos &#8220;nós&#8221; desta rede, e que nossos grupos são &#8220;clusters&#8221; e que tudo em termos de rede possui comportamento em rede, com grande capilaridade e com grande entropia.</p>
<p>Um entendimento técnico necessário é o proprio conceito original da Internet, criada na época da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_fria">Guerra Fria</a>, sua estrutura foi concebida para resistir à um bombardeio atômico, e desta forma pavimenta o conceito hoje conhecido como <a href="http://brockerhoff.net/blog/2003/03/10/mundo-de-pontas-world-of-ends-2/">Mundo de Pontas</a> (<a href="http://worldofends.com/">World of Ends</a>).</p>
<p>Uma boa dica para entendimento de redes é o e-book &#8220;<a href="http://www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/index.cfm?uNewsID=3960">Redes &#8211; uma introdução às dinamicas da conectividade e da auto-organização</a>&#8221; publicado pelo <a href="http://www.wwf.org.br/">WWF Brasil</a>.</p>
<h3>Comportamento</h3>
<p>Uma das mais sensacionais pérolas do comportamento no ciberespaço é o <a href="http://www.cluetrain.com/portuguese/index.html">Manifesto Cluetrain</a> (O manifesto do trem de evidências) que trata de forma simples e direta o comportamento social e de consumo na Internet. Veja também o post &#8220;<a title="Post sobre o manisfeto cluetrain 10 anos depois" href="http://www.thebuzzmakers.com/br/2008/04/23/cluetrain-10-anos-depois/">Cluetrain 10 anos depois</a>&#8221; publicado no Buzz Makers.</p>
<p>Outro texto muito interessante é o <a href="http://www.burburinho.com/20060422.html">Mundos em colisão</a>, que narra de uma forma simpática o choque cultural que se reflete como a dicotomia &#8220;nova x velha mídia&#8221; ou &#8220;real x virtual&#8221; passando pelo contraste &#8220;Copyright x <a href="http://creativecommons.org/">Creative Commons</a>&#8221; com bastante propriedade. Por falar em Copyright x Creative Commons, um bom e-book sobre isto é o <a href="http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?code=144">Cultura Livre</a> (uma excelente tradução do <a title="Baixe o e-book free culture" href="http://www.free-culture.cc/freeculture.pdf">Free Culture</a>). A cultura open source faz parte do DNA do ciberespaço, já o habitava no seu núcleo, na sua camada técnica, e foi fundamentalmente o propulsor da WWW.</p>
<p>Por falar em Free, este será o novo livro do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Anderson_%28The_Long_Tail%29">Chris Anderson</a>, o autor do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Long_Tail">Cauda Longa</a>. O <a href="http://www.longtail.com/the_long_tail/2007/05/my_next_book_fr.html">Free</a> promete ser um profundo estudo sobre a cultura atual, onde empresas lucram cada vez mais cobrando cada vez menos, ou até nada. Na <a href="http://www.wired.com/images/press/pdf/free.pdf">Wired tem um PDF que já da uma ideia de como será o livro</a>, mas se preferir <a href="http://www.wired.com/techbiz/it/magazine/16-03/ff_free">pode ler na web mesmo</a>.</p>
<p>Existem ainda os clássicos teóricos da comunicação como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manuel_Castells">Manuel Castells</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marshall_McLuhan">Marshal McLunhan</a> que não podem ficar de fora.</p>
<h3><strong>Midias sociais</strong></h3>
<p>Não podemos deixar de falar da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Six_degrees">teoria dos seis graus de separação</a>, que fundamenta diversas redes sociais, onde em sintese, você esta ligado à qualquer outra pessoa no mundo, por outras seis. Existem outras, inclusive a que descrevi aqui mesmo no blog, relacionando <a title="Post sobre Maslow  e as midias sociais" href="http://entropia.blog.br/2008/03/16/o-novo-geek-e-maslow/">Maslow e as midias sociais</a>.</p>
<p>O assunto não esgota aqui, é apenas um começo, mas te garanto que boa parte já foi citada, convido você à completar a lista ai nos comentários.</p>
<p>update 02/05 &#8211; O Marco Gomes fez um post sensacional, praticamente um manifesto, se você leu os textos acima com cuidado, veja a personificação do estudo no post: <a title="Veja o post do Marco Gomes" href="http://marcogomes.com/blog/2008/eu-faco-parte-da-revolucao/">Eu faço parte da revolução</a></p>

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		<title>E se&#8230; 2030&#8230; Um ensaio de como viveremos em 2030</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Dec 2007 18:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ <p>Um irritante som invade minha cabeça, é como se ele perfurasse meu crânio e tocasse dentro de meu cérebro, olho em volta para descobrir a origem deste incomodo e percebo uma intensa luz que cintila suavemente, acompanhando o som que agora acaricia meus tímpanos, o ruído irritante cessara. A luz já não cintila mais, [...]
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<p>Um irritante som invade minha cabeça, é como se ele perfurasse meu crânio e tocasse dentro de meu cérebro, olho em volta para descobrir a origem deste incomodo e percebo uma intensa luz que cintila suavemente, acompanhando o som que agora acaricia meus tímpanos, o ruído irritante cessara. A luz já não cintila mais, é forte e intensa&#8230; o que é isso ? Estou tremendo ! Percebo que estou deitado e me dou conta que a minha programação de despertar estava em execução, o tremor era do meu <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:cama">colchão<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script>. Levantei, esfreguei os olhos, olhei pela janela e vislumbrei o mundo do lado de fora, ele ainda esta lá. Nuvens rosadas formavam imagens interessantes, iluminadas pela vermelhidão do sol que estava nascendo, é um verdadeiro caleidoscópio da natureza. O sistema de som da casa anuncia que meu <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:banho">banho<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script> esta pronto, e que dentro de 15 minutos o <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:cafeteira">café<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script> estará servido. Saudades daquele tempo em que saia para comprar pão, e sentia o cheiro do café sendo preparado. Um pouco mais de dez anos foram suficientes para mudar o mundo, afinal se não fosse assim a humanidade estaria encrencada.</p>
<p>O banho estava ótimo, quando acabei de me secar ouvi o bip que vinha do espelho: Hoje eu teria reunião na central de interação pessoal da empresa, afinal hoje era quarta, dia de interação corporativa. Toquei no espelho para sinalizar que havia lido a mensagem. Antes de sair fui dar um beijo no João, meu filho, mas me lembrei que à esta hora ele já estaria na aula. Arrisquei assim mesmo, entrei no quarto e dei um beijo nele, era hora do intervalo e a professora estava corrigindo os exercícios, e ele falou apontando para a tela do computador: &#8211; Olha  pai, acertei tudo, e a  professora do outro lado endossou: &#8211; O João é muito bom aluno, esperamos ele aqui na sexta que é dia de interação pessoal e sociabilização. Acenei positivamente com um sorriso e me despedi, já estava de saída.</p>
<p>Ops! Se eu esquecer de dar um beijo na minha esposa ela pode ficar magoada, relações pessoais e demonstração de afeto são muito importantes no nosso micro-ambiente social, no nosso lar. Mas não foi possível, pois ela estava em uma teleconferência no <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:computador">home office<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script>, a reunião começou cedo, eram aqueles clientes de Portugal. Apenas joguei um beijo no ar e fui correspondido e sai satisfeito.</p>
<p>Fico em frente de casa esperando o transporte coletivo que irá me levar à central de interação, o transporte individual é praticamente proibitivo. Com as rígidas regras ambientais o preço do combustível fóssil, o mais poluente, foi parar na estratosfera por conta dos ditos tributos verdes. Fica mais barato encher o tanque de <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:Champagne">Champagne<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script>. Mesmo no meu carro que faz facilmente 50 km por litro, o custo é muito alto, isto sem contar com a cota semanal de quilometragem. Não vejo a hora de comprar um carro à hidrogênio.</p>
<p>Com a necessidade urgente de reduzir substancialmente a emissão de CO2, os governos priorizaram soluções para minimizar a necessidade de deslocamento. O transporte coletivo foi otimizado ao máximo, você traça seu roteiro e envia para uma central, que automaticamente aloca veículos que passarão na sua rota, você é pego em casa e com vaga garantida. Não existem mais as linhas de ônibus, somente de trem e metrô. A capacidade do veiculo coletivo é proporcional ao fluxo, é otimizado ao máximo, com isto a lucratividade das transportadoras justificou todo investimento em adaptação para seus veículos à hidrogênio. Etanol e biodiesel não eram a solução, reduziam a emissão de gases, mas não na proporção que se fez necessária.</p>
<p>Um comportamento curioso, é que como passamos a maior parte de nosso tempo nos nossos ambientes familiares, quando encontramos estranhos sentimo-nos motivados a conversar, conta-se histórias e piadas e o tempo passa voando. Com menos veículos nas ruas, e as paradas dos coletivos programadas, as vias que antes viviam engarrafadas, agora mais desertas, se tornaram vias de trafego rápido. Há 20 anos isto seria encarado como uma piada de mau gosto, uma utopia.</p>
<p>Estou quase chegando ao centro da cidade, quem conheceu o centro há 20 anos, hoje deve estranhar, esta tão vazio que parece um sábado a tarde. Algumas empresas mudaram suas centrais de interação para o subúrbio, mas a minha preferiu manter o velho <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:escritório">escritório<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script> no centro. O bom é que o centro não é mais tão cinzento, hoje temos arvores e alguns prédios ficaram abandonados e foram transformados em florestas verticais, parece uma montanha verde esculpida, só vendo para entender. Aquele ar quente e seco e que entrava rasgando nossas narinas foi substituído por um ar leve e fresco que carrega com sigo o clima da floresta, respira-se com prazer.</p>
<p>Desco do transporte e ando em direção à central de interação da minha empresa, cruzo o saguão, deserto mas imponente, uma forte luz varre minha vista por uma fração de segundos e uma gravação me informa para aguardar alguns minutos, pois outras pessoas estão chegando para o mesmo andar. São as novas normas verdes, até o transporte vertical, vulgo elevador, fora otimizado, o consumo de energia é racionalizado ao extremo. Coletores fotovoltaicos armazenam a energia solar em baterias, a iluminação quando não natural é <a href="http://blog.setecrj.com.br/2006/12/04/iluminacao_led/">LED</a> , que possui um consumo muito baixo e uma iluminação eficiente. Curioso mesmo são as soluções de <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:fibra+ótica">iluminação<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script> decorativa com fibras óticas, coletores na fachada capturam a luz que é transmitida pela fibra ótica e brotam do chão, do teto, de jardineiras, de todos os lugares possíveis e imaginários, formando um show visual que não deixa nenhum ônus com a natureza, simplesmente não gasta energia, captura a luz solar e a utiliza para <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:luminária">iluminar<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a><script src="http://stable.boo-box.com/"></script> interiores, genial. Pedro esta chegando, vejo que ele, um sexagenário como eu esta em forma, lembro que há 20 anos eu era um gordo e hoje sou um esbelto jovem de 60, pilulas, tecnologias alimentares e os avanços da medicina simplesmente varreram a obesidade do planeta. Cumprimento Pedro com um caloroso abraço, e o sistema de som anuncia que já podemos subir, as portas do elevador se abrem e entramos.</p>
<p>(continua&#8230;)</p>

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		<title>A instantaneidade, o crowdsourcing e o jornalismo social</title>
		<link>http://entropia.blog.br/2007/12/16/a-instantaneidade-o-crowdsourcing-e-o-jornalismo-social/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Dec 2007 19:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_mustard" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fentropia.blog.br%252F2007%252F12%252F16%252Fa-instantaneidade-o-crowdsourcing-e-o-jornalismo-social%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20instantaneidade%2C%20o%20crowdsourcing%20e%20o%20jornalismo%20social%22%20%7D);"></div>
<p>Há menos de 20 anos, o máximo de instantaneidade, em termos jornalísticos, que a humanidade conhecia eram a TV e o radio. As chamadas de extra na telinha e no &#8220;dial&#8221; anunciavam um fato relevante, mas poucas eram as fontes de informação, a noticia era pré-digerida pelo emitente. Vinte e quatro horas depois, poderíamos obter mais detalhes nos jornais e posteriormente nas revistas, ai então um pouco de diversidade e controvérsia, mas tudo muito ameno. As informações eram filtradas em escolhidas por diretores e redatores, e nossa liberdade de escolha se restringia à poucas opções. Naquele tempo, em um caso como o do incêndio recente na California, ocorrido em 20 de outubro deste ano, levaríamos pelo menos duas semanas para termos um volume de informação significativo a respeito do caso, coisa que hoje temos a disposição 24 horas depois. A diversidade então, impossível comparar. Imagine um verbete em uma enciclopédia então, só no ano seguinte, e não em poucas horas como ocorre na <a href="http://www.wikipedia.org" title="Wikipedia" id="xmj0">Wikipedia</a>.</p>
<p>Desde os primeiros segundos, diversas pessoas começaram a cobertura do incêndio através de seus <a href="http://www.technorati.com/search/california+AND+wildfire" title="blogs" id="ilkx">blogs</a>, <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL156444-6174,00-INCENDIO+NA+CALIFORNIA+TRANSFORMA+MICROBLOG+EM+FONTE+DE+NOTICIA.html" title="Twitter" id="v3rs">Twitter</a>, <a href="http://www.technorati.com/videos/tag/california+AND+wildfire" title="YouTube" id="pzc5">YouTube</a>, e não menos relevante, através da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/California_wildfires_of_October_2007" title="Wikipedia" id="v8y7">Wikipedia</a>. A cobertura se dá de forma descentralizada com as pessoas &#8220;Twittando&#8221; através de seus celulares, postando em seus blogs a partir de seus smartphones, ou até mesmo de seus notebooks. A forma de conexão com a Internet hoje em dia, definitivamente não é fator determinante para o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing" title="crowdsourcing" id="qs-f">crowdsourcing</a>, estamos cada vez mais <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:conectado%20spyer" class="bbli">conectados<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a><script src="http://stable.boo-box.com"></script>, e a tendência é nos conectarmos de forma cada vez mais ubiqua, até o ponto onde a excessão será não estar conectado, os desconectados serão os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amish" title="Amishs" id="susl">Amishs</a> do século XXI.</p>
<p>A grande espiral evolutiva continua acelerada e com o raio cada vez menor, a instantaneidade é primordial, queremos saber agora, o que acontece agora, para isto os veiculos tradicionais parecem verdadeiros paquidermes, até mesmo as midias tradicionais no meio digital são lentas. Uma hora, meia hora pode ser muito tempo, queremos saber dos fatos em tempo real, queremos praticamente interagir com eles. Vivemos conectados, <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:notebooks" class="bbli">notebooks<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a><script src="http://stable.boo-box.com"></script>, <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:smartphone" class="bbli">smartphones<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a><script src="http://stable.boo-box.com"></script>, e até mesmo simples celulares via <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Servi%C3%A7o_de_mensagens_curtas" title="Definicao de SMS na Wikipedia" id="ecoc">SMS</a> ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/MMS" title="Definicao de MMS na Wikipedia" id="pftg">MMS</a>, pouco importa, o que importa é interagirmos em tempo real, noticiarmos em tempo real, coisa que os dinossauros da comunicação não entendem. Se entendessem poderiamos pedir ao camera para posicionar-se um pouco mais a direita, ou avisar ao reporter que &#8220;aquele cara ali de boné&#8221; parece estar sabendo dos fatos. É a vida em tempo real, é a vida conectada, é a informação ubiqua.</p>
<p>Constantemente a credibilidade do jornalismo social é posta em xeque, os veiculos tradicionais defendem que somente eles estão aptos a noticiarem com credibilidade, e que o Jornalismo Social não é confiavel. Trata-se de uma meia verdade, uma vez que os veiculos tradicionais cometem verdadeiras gafes, como o caso do &#8220;<a href="http://a8000.blogspot.com/2007/09/homem-diminui-dedo-para-usar-iphone.html" title="Homem que diminui o dedo para usar o iPhone" id="py.2">Homem que diminui o dedo para usar o iPhone</a>&#8221; noticiado pelo <a href="http://www.estadao.com.br" title="Estadão" id="bcnk">Estadão</a>. A confiabilidade do Jornalismo social é diretamente proporcional ao número de fontes, ou a credibilidade conquistada por algumas delas. Um grande número de fontes permite ao leitor avaliar por amostragem o que é ou não confiavel, e assim construir a sua percepção de confiabilidade de algumas fontes. Muitos blogs publicam matérias de alta qualidade e confiabilidade, uma vez que para alguns, o blog é uma fonte de status e/ou receita e o leitor é o seu mais valioso ativo.</p>
<p>Em termos de número de fontes, velocidade e interação, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Micro-blogging" title="Definicao de Micro-blogging na Wikipedia" id="whhn">micro-blogging</a> revelou-se um grande aliado do Jornalismo social, e o <a href="http://twitter.com/caribe" title="Twitter" id="db-i">Twitter</a> é de longe a mais popular ferramenta de micro-blogging. O caso citado acima, do incêndio na California, foi notório mas não o único coberto via Twitter. A grande &#8220;sacada&#8221; é que em micro-blogging o texto é limitado a 140 caracteres e o <a href="http://boo-box.com/link/aff:submarinoid/uid:128026/tags:celular" class="bbli">celular<img src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" class="bbic" /></a><script src="http://stable.boo-box.com"></script> é uma potencial ferramenta jornalistica. Textos via SMS para o Twitter, fotos e videos via e-mail para o <a href="http://www.flickr.com/photos/buzzmakers" title="Flickr" id="d9cx">Flickr</a> e <a href="http://www.youtube.com/jccaribe" title="YouTube" id="zh2_">YouTube</a> respectivamente e na outra ponta temos a noticia em qualquer dispositivo, é o verdadeiro <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing" title="crowdsourcing" id="w.l-">crowdsourcing</a> jornalístico.</p>
<p>Um dos &#8220;twitteiros&#8221; que cobriram o incêndio na California, o <a href="http://blog.perfectspace.com/">Nate Ritter</a> criou uma ferramenta genial, o <a href="http://hashtags.org/" title="HashTags" id="ol2a">HashTags</a>, baseado nas populares hash tags utilizadas no Twitter. O HashTags simplesmente captura e grava todos os posts feitos por uma determinada #tag, para isto basta que você tenha uma conta no Twitter adicione o usuário <a href="http://twitter.com/hashtags/" title="Usuario hashtags" id="dmi2">hashtags</a>, que é um bot. A partir deste momento todas as tags que você utilizar serão gravadas no HashTags, e em tempo real. Enquanto escrevia este post, &#8220;twittei&#8221; usando a tag <a href="http://hashtags.org/tag/entropia/" title="#entropia" id="uc-t">#entropia</a>, fiz algumas dicas sobre o HashTags nas tags <a href="http://hashtags.org/tag/hint" title="#hint" id="iclj">#hint</a> , <a href="http://hashtags.org/tag/dica" title="#dica" id="zpm7">#dica</a> e <a href="http://hashtags.org/tag/tags" title="#tags" id="nog1">#tags</a>. O HashTags mostra ainda um pequeno grafico de atividade de cada tag, possibilitando visualmente identificar qual tag esta quente ou não.</p>
<p>Na minha opinião, <a href="http://hashtags.org/" title="HashTags" id="ol2a">HashTags</a> está para o jornalismo crowdsourcing assim como o Twitter está para o micro-blogging, estamos presenciando os contornos da nova economia, da economia Free, de economia crowsourcing. E você o que acha?</p>
<p>Leia mais:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.hypergene.net/wemedia/weblog.php?id=P36" title="We Media" id="u1kk">We Media</a></li>
<li><a href="http://blog.reportwitters.com/2007/12/14/interview-with-a-reportwitter/" title="Entrevista do Reportwitters com Nate Ritter" id="eybt">Entrevista do Reportwitters com Nate Ritter</a></li>
<li><a href="http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?code=144" title="Baixe o e-book Cultura Livre" id="yzlq">Cultura Livre &#8211; Como a mídia usa a tecnologia e a lei para barrar a criação cultural e controlar a criatividade</a>(e-book)</li>
</ul>
<p>Update 18/12/07 &#8211; Existe um novo serviço, o <a href="http://terraminds.com/twitter/">TerraMinds</a> que não funciona como o <a href="http://hashtags.org">HashTags</a> mas ele indexa todos os usuarios do <a href="http://twitter.com">Twitter</a> e permite pesquisar por nome de usuário ou palavra chave. Igualmente útil para o Jornalismo Crowdsourcing</p>

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		<title>Apertem os cintos, o consumidor mudou!</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Sep 2007 17:55:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Carlos Caribé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Economia 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Exercício futurista]]></category>
		<category><![CDATA[Marketing emergente]]></category>
		<category><![CDATA[Propaganda emergente]]></category>
		<category><![CDATA[cluetrain]]></category>
		<category><![CDATA[consumidor 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[economia 2.0]]></category>
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		<category><![CDATA[midias sociais]]></category>

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<p>Não se trata de uma nova versão da classica comedia pastelão, e sim de mais uma constatação de que o mercado mudou e continua mudando numa velocidade cada vez maior. Os sinais estão por toda parte: Este ano <a href="http://www.flash-brasil.com.br/?q=node/331">as verbas publicitárias digitais estão superando as mais tradicionais mídias</a>, <a href="http://www.coxacreme.com.br/2007/03/01/como-explicar-o-que-vivemos-hoje-no-mercado-de-comunicacao/">o mercado da comunicação está mudando</a>, <a href="http://entropia.blog.br/2007/08/10/publicitarios-nao-entendem-de-internet/">os publicitários não entendem  de internet</a> e <a href="http://www.cluetrain.com/portuguese/index.html">o consumidor fica cada  dia mais sabido e exigente</a>, isto sem falar na quebra da comunicação corporativa por conta das  redes sociais que ja são usadas como <a href="http://ppgmkt.blogspot.com/2007/04/falando-em-o-maior-crm-do-brasil.html">potentes ferramentas de CRM</a>.</p>
<p>O perfil do novo consumidor vem sendo traçado com frequencia,  alias cada dia fica mais dificil traçar algum perfil, o consumidor esta &#8220;derretendo&#8221; engordando a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Cauda_Longa">cauda longa</a> que não para de crescer. Este novo consumidor é a antintese do consumidor de  massa do passado. Antes   consumia-se para pertencer à uma &#8220;tribo&#8221;, hoje também!  Só que as &#8220;tribos&#8221; diminuiram e ficaram mais diversificadas.</p>
<p>O agente catalizador da evolução sempre foi a infomação, hoje temos isto de sobra, alias temos em excesso.  Com o advento da Internet cada consumidor de informação passa a ser um emissor de uma comunicação em rede, um ambiente liquido, onde a informação pode ser fragmentada, reconstruida, fundida e novamente  fragmentada&#8230; No meio do ecossistema da nova comunicação, a publicidade é interpretada como ruído e é descartada na primeira fragmentação, ou pior, muitas vezes totalmente descartada antes mesmo de ser exibida.</p>
<p>Quem viveu os primórdios da Internet no Brasil deve lembrar como este mercado se comportava. Era um imenso latifundio a ser explorado, projetos e ideias mirabolantes surgiam a todo instante, o espirito empreendedor ganhava auras de desbravador, e a Internet parecia  uma infidável mina de ouro. Vivemos hoje entropia semelhante no mercado da comunicação, a diferença é que encontrar a formula ideal pode ser a chave da sobrevivência em um futuro muito próximo.</p>
<p><span style="font-size: 130%">Quebrando paradigmas</span></p>
<p>Tem muito profissional de comunicação que nunca vai entender o novo consumidor, e muito menos o que houve com o mercado de comunicação. Não que ele não tenha capacidade intelectual para isto, ele não conseguirá entender isto com os fundamentos teóricos e ferramentas usuais ele não possui uma vivência que permita este entendimento, não faz parte da sua cultura. Muitos paradigmas precisam ser quebrados:</p>
<ul>
<li><span style="font-weight: bold">Mídia</span> &#8211; Esqueça mídia, para de pensar em mídia, pare de tentar tangibilizar um conceito que não se aplica ao novo consumidor. Mídia simplesmente não faz sentido para um público que tem a liberdade de escolher se quer ou não ser impactado pela propaganda. Lembre-se em tempos de comunicação líquida, o meio é a mensagem.</li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-weight: bold">Internet não é midia &#8211; </span>Internet não é midia, quem te disse isto? Internet hoje é um complexo ecossistema social que chamamos de ciberespaço. Chamar a internet de mídia é subestimar a sua capacidade, ela não chega a ser o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Metaverse">metaverso</a> em si, afinal ela esta muito presente no mundo real, mas possui autonomia suficiente para sê-lo. Temos de &#8220;destangibilizar&#8221; nosso conceito de mídia, a  Internet congrega informações, serviços, lembranças  e emoções, tudo em bits, tudo líquido.</li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-weight: bold">Internauta é  mãe ! &#8211; </span>Tratar um usuário de internet por internauta é uma forma de distancia-lo, é trata-lo como um ser diferente. As interpretações podem ser desde uma forte dose latente do emitente em tentar manter seu status quo, como a simples tentativa de rotular um grupo de pessoas. Descontando a face emocional do discursso, sobra a ignorância. A nova cultura é a cibercultura, é a cultura da geração conectada, que a cada dia expande tanto horizontalmente quanto verticalmente atingindo indivíduos cada vez mais novos e mais velhos. Se sou um internauta posso afirmar que em muito  breve todos seremos, então os diferentes serão os desconectados.</li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-weight: bold">Vivemos cada vez mais conectados &#8211; </span>Quem pensa que a internet fica no computador precisa rever seus conceitos. Foi <a href="http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1624973-4005,00.html">risível a matéria do Fantástico deste fim de semana</a>, onde uma mãe desesperada &#8220;desligou a internet&#8221; do filho viciado. Enquanto existir esta &#8220;guerra&#8221; entre o real e o virtual vão existir interpretações tendenciosas como estas. O problema é psicológico, o vício poderia ser em qualquer coisa. Mas voltando ao assunto, há muito a internet &#8220;saiu&#8221; do computador, hoje ela é acessível por wap (celular), pelo telefone (VXML) e integrando soluções com dispositivos como o RFID, além é claro da TV Digital que corre um sério risco de ser engolida pela IPTV. O certo é que vivemos cada vez mais conectados, nossas casas, carros, eletrodomésticos e o que mais for possivel imaginar estarão conectados.</li>
</ul>
<p>Este artigo não tem a ambição de ser conclusivo, nem tem uma visão generalista, apenas tem por objetivo apontar fortes tendências. Ele foi motivado por <a href="http://www.mundodomarketing.com.br/2006/ver_entrevistas.asp?cod=1995">um artigo</a> que retrata a visão de profissional que é muito parecida com a minha, e como me  resaltou o <a href="http://techboogie.blogspot.com">Gilberto Pavoni</a>, ele possui a grife &#8220;Forrester Research&#8221;.  Eu na verdade pesquiso para montar a minha pequena agência que vai nascer mês que vem, mas construi um background suficiente para um cargo executivo em uma grande agência. O futuro? <a href="http://www.youtube.com/group/whoknowsthefuture">Who Knows the future</a>?</p>

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