Esta é uma atualização de um artigo meu publicado no Jornalistas da Web em 2008.

É curioso como a humanidade tende a tratar transições e evoluções de forma apocalíptica. Foi assim com a chegada do rádio, da TV, e não poderia ser diferente com a Internet. O tema ficou em “banho maria” por alguns anos, pois além de não haver uma penetração considerável, ainda não haviam soluções que dessem margem ao jornalismo colaborativo, ou melhor, ao jornalismo crowdsourcing. Os anos se passaram, e a população conectada cresceu de forma surpreendente. Nos Estados Unidos, 95% dos jovens estão conectados. No Brasil, praticamente 50% da população acessa a Internet. Este crescimento associado a ferramentas como blogs, microblogging, fotoblogs, videoblogs, mapas, mashups e tudo isto potencializado pela computação cada vez mais ubiqua, deu espaço a um novo jornalismo, ao jornalismo crowdsourcing. E conseqüentemente ao interminável debate entre o jornalismo tradicional e o jornalismo crowdsourcing. O primeiro argumenta que o segundo é imaturo, e este, que o jornalismo tradicional é jurássico.

É uma comparação impossível, é preciso levar em consideração que uma grande mudança nas relações pessoais e econômicas foi provocada pela Internet. Esta mudança foi sistematizada por Chris Anderson, em seu best seller “A Cauda Longa“. A Internet possibilitou uma capilaridade nunca antes vista, atingindo nichos renegados e muitas vezes totalmente desconhecidos. A principio, o estudo de Anderson provocou surpresa, mostrando a todos que a cauda longa é maior do que o mainstream, e engorda cada vez mais por conta daqueles que viviam no mainstream e agora podem se juntar às suas tribos. É preciso levar em conta que a imprensa tradicional esta focando no mainstream, e que a imprensa social está focando na cauda longa.

É como se os leitores de fanzines habitassem a cauda longa, e os leitores dos grande jornais, a cabeça da cauda, o mainstream, e isto não quer dizer que esta relação seja excludente. Na prática, a capilaridade da Internet permitiu conectar nichos com interesses similares, formando os meganichos, que habitam o inicio da cauda, próximo ao mainstream. Quanto maior o nicho, mais genérica a informação. A tendência do crescimento dos meganichos, tanto em quantidades, como em tamanho, provoca dois movimentos na cauda: ela engorda e se alonga. Engorda por conta crescimento dos meganichos, e se alonga por conta dos novos nichos que surgem.

Existe um outro elemento importante, que é a informação. Abundante no ciberespaço, é o catalizador da evolução. O crowdsourcing é a personificação desta evolução. O cidadão conectado tem pressa, muita pressa. A instantaneidade é o resultado, ele quer saber agora, o que acontece agora, quer interagir com a noticia. O Jornalismo cidadão é visto como ruído pelo público mainstream, mas é extremamente eficiente para seus apreciadores, e isto a velha mídia precisa entender e estudar.

A questão da confiabilidade

Constantemente a credibilidade do jornalismo social é posta em xeque, os veículos tradicionais defendem que somente eles estão aptos a noticiarem com credibilidade, e que o jornalismo social não é confiável. Trata-se de uma meia verdade, uma vez que os veículos tradicionais cometem verdadeiras gafes, como o caso do “Homem diminui o dedo para usar o iPhone“, noticiado pelo Estadão. A confiabilidade do jornalismo social é diretamente proporcional ao número de fontes, ou a credibilidade conquistada por algumas delas. Um grande número de fontes permite ao leitor avaliar por amostragem o que é ou não confiável, e assim construir a sua percepção de confiabilidade de algumas fontes. Muitos blogs publicam matérias de alta qualidade e confiabilidade, uma vez que, para alguns, o blog é uma fonte de status e/ou receita, e o leitor é o seu mais valioso ativo.

Em termos de número de fontes, velocidade e interação, o microblogging revelou-se um grande aliado do jornalismo social, e o Twitter é de longe a mais popular ferramenta de microblogging. O caso do incêndio na Califórnia foi notório, mas não o único coberto via Twitter. A grande “sacada” é que em microblogging o texto é limitado a 140 caracteres e o celular é uma potencial ferramenta jornalística. Textos via SMS para o Twitter, fotos e vídeos via email para o Flickr e YouTube respectivamente e, na outra ponta, temos a noticia em qualquer dispositivo. É o verdadeiro crowdsourcing jornalístico.

Conectando os dois mundos

Existem diversos projetos com o objetivo de conectar os dois mundos. O mais notório deles é o OhmyNews, um jornal colaborativo com “cara” de jornal. Outro projeto bem interessante é o Paper.li, que produz um jornal diário automático com base no que você e quem você segue tuitam, ou listas ou ainda tags específicas. Tem também o Tabbloid que produzr um Jornal em PDF de acordo com feeds específicos. No Brasil, temos o próprio Jornalistas da Web, o Jornal de Debates e as redes de blogs que estão se formando, numa tendência a universalizar o jornalismo crowdsourcing.

 


    6 comentários

    #RioBlogProg · 08/02/11 às 09:57

    #ultimas A Cauda Longa do Jornalismo http://bit.ly/hvbONj Blogueiros do RJ

    João Carlos Caribé · 08/02/11 às 10:29

    A Cauda Longa do Jornalismo: Esta é uma atualização de um artigo meu publicado no Jornalistas da Web em 2008. É … http://bit.ly/fwZcfE

    Buzz Makers ! · 08/02/11 às 10:41

    [Entropia] A Cauda Longa do Jornalismo: Esta é uma atualização de um artigo meu publicado no Jornalistas da Web … http://bit.ly/fwZcfE

    fábio caparica · 09/02/11 às 02:35

    A Cauda Longa do Jornalismo http://bit.ly/h2jJXd

    A Mafia do Copyright x Cultura Livre – um caso real « Entropia ! · 12/02/13 às 14:18

    […] original, publicado em 2008, continuava lá no Jornalistas da Web, assim como o texto revisado publicado aqui neste blog. No Scribd também encontrei a versão revisada do texto em PDF, bem como em outros blogs que […]

    A Mafia do Copyright x Cultura Livre – um caso real | Bastidores do #BunkerWeb · 19/02/13 às 11:21

    […] original, publicado em 2008, continuava lá no Jornalistas da Web, assim como o texto revisado publicado aqui neste blog. No Scribd também encontrei a versão revisada do texto em PDF, bem como em outros blogs que […]

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