Ensaio sobre a beleza

Foto do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Foto do Teatro Municipal do Rio de Janeiro obtida na Wikipedia

Venho desenvolvendo um trabalho de gerenciamento na reforma do Theatro Municipal, um belissimo edifí­cio histórico no centro do Rio de Janeiro, e ir ao centro para mim é uma eventualidade, e por ser fora da rotina é relativamente prazeroso. Costumo observar pessoas, o tempo todo, sou um observador nato, presto atenção em tudo que consigo: Nas pessoas, nos lugares, nos veículos, paisagem urbana, e tudo mais que estiver no meu campo visual, ou seria melhor dizer no meu campo sensorial? Afinal temos cinco sentidos para interagir com o mundo e obviamente um estimulo acaba chamando outro. Não costumamos cheirar o que vemos ou tentamos ouvir o que tocamos, muito menos tocar, o que na verdade gostarí­amos, e estamos vendo, mas estaríamos invadindo o espaço de outra pessoa, e isto deve ser consentido.

Definir o que é belo é uma missão complexa, o belo não pode ser associado apenas aquilo que vemos, pois afinal se fosse assim, os portadores de deficiência visual não teriam o direito de achar nada belo. A beleza é um atributo sensorial, o cego julga a beleza com o tato, com o olfato e a audição. Talvez definir que belo é aquilo que nos proporciona prazer sensorial, seja o mais próximo da definição efetiva que possamos chegar.

O cheiro agradável, o sabor delicioso, a textura suave, o som emocionante ou paisagem incrí­vel, são sinônimos de beleza, ou seriam os seus componentes?   O atributo sensorial é na verdade o chamariz, e um belo chamariz provoca uma reação em intensidade proporcional, atrai, chama a atenção, mas não é tudo, acho que a percepção da verdadeira beleza esta na conjunção dos sentidos, o que chamamos popularmente de “quí­mica”, algo como “rolou uma quí­mica” para justificar um intenso relacionamento.

Esta quí­mica é na verdade uma harmônica conjunção destes sentidos, uma mistura perfeita, que percebemos como a beleza. A complexidade é muito maior de que simplesmente a mistura sensorial, não se trata de alquimia, existem outros componentes como a emoção e o prazer que acabam retroalimentando esta percepção, percepção esta que varia de um indivíduo para outro.

Tentando ser mais claro, é como se a percepção do belo tivesse além do aspecto sensorial, o tempo, relacionamento e repetição. Analisando por ai temos que a percepção da beleza vai do evidente para o sutil com o passar do tempo. Isto explica por exemplo a preferência por alimentos doces e com consistência e sabor mais evidentes na infância e preferência por alimentos com consistências, docura e sabores mais sutis na fase adulta. Lembre-se que adolescentes escolhem seus parceiros por padrões meramente Aristotélicos, a beleza precisa ser evidente, ja o homem maduro percebe as mais discretas sutilezas na mulher, enxerga muito além das formas, é uma percepção muito mais elaborada. Isto não quer dizer por exemplo que o homem maduro não seja atraido pela beleza Aristotélica, mas isto deixa de ser a única regra, o fator tempo, repetição e relacionamento expandem a percepção do belo.

Esta lançada a questão, afinal, o que é a beleza para você?

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